09 agosto 2011

Bem-Aventurados os Puros de Coração

Bem-Aventurança. Declaração de bênção com base em uma virtude ou na boa sorte. A fórmula se inicia com "bem-aventurado aquele..." Com Jesus toma a forma de um paradoxo: a bem-aventurança não é proclamada em virtude de uma boa sorte, mas exatamente em virtude de uma má sorte: pobreza, fome, dor, perseguição. Puro.  Sem mistura nem alteração; genuíno. Límpido, claro, transparente, cristalino, sem manchas. Coração. Órgão central do ser humano.

O momento histórico deste ensinamento está no Sermão do Monte, proferido por Jesus há dois mil anos. O ambiente no qual Jesus esteve inserido fazia parte do grande império romano, que estendia as asas das suas águias do Atlântico ao Índico. O jugo romano, porém, pesava de modo especial sobre a Palestina ao contrário dos outros povos. Significa dizer que o discurso de Jesus era como que um grito de alerta contra esse poderio. Assim sendo, em cada um de seus ensinamentos não perdia a oportunidade de realçar esse tipo de autoridade externa, principalmente na indigência com que deixavam o povo palestino.

O pecado e o adultério são "manchas" no coração. Na antiguidade, o pecado era a violação de um tabu; para apagá-lo, havia a necessidade de uma confissão pública. No âmbito do cristianismo, Paulo reportava-se à  e à graça como antídotos para o pecado. Quanto ao adultério, Jesus chamava-nos a atenção para o pecado por pensamento e não somente à sua significação própria, ou seja, infidelidade conjugal, prevaricação. Por quê? Porque tudo se inicia no pensamento. Nós não podemos fazer nada sem que antes tenhamos pensado para executá-lo.

O escândalo é outra mancha no coração. No sentido vulgar, escândalo é toda a ação que choca com a moral ou decência de um modo ostensivo. O escândalo não está na ação em si mesma, mas no reflexo que ela pode ter. No sentido evangélico, a acepção é mais geral. Não é mais somente o que ofende a consciência de outrem, é tudo o que resulta dos vícios e das imperfeições dos homens, toda reação má de indivíduo para indivíduo, com ou sem repercussão. É o resultado efetivo do mal moral.

A criança é um símbolo de pureza de coração. Significa dizer que a entrada no reino de Deus é decorrente da simplicidade e da humildade do Espírito. Nesse sentido, os estados de franqueza, as ações ingênuas e as atitudes de obediência auxiliar-nos-ão eficazmente na percepção das leis naturais. O reino de Deus não vem com aparências externas, ele é fruto de um árduo trabalho de reformulação interior.

A pureza de coração deve ser o principal alvo daquele que quer se elevar espiritualmente. Assemelhando-nos à criança, inocente e sem defesas, teremos maiores possibilidades de não só nos conhecer como também ao nosso próximo.

Referências 

CHEVALIER, J. e GHEERBRANT, A. Dicionário de Símbolos (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). 12. ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 1998.

GIL, F. (Editor). Enciclopedia Einaudi. Lisboa, Imprensa Nacional, 1985-1991.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.

MACKENZIE, J. L. (S. J.) Dicionário Bíblico. São Paulo, Edições Paulinas, 1984.

Para mais informações, leia a Palestra em PDF

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