29 junho 2008

Atenção e Êxtase

O conhecimento do cérebro é ponto central para que possamos atingir o estado extático. É um órgão, com pouco mais de um quilo, que coordena todas as nossas atividades, tanto interiores quanto exteriores. É voz corrente que utilizamos apenas 10% da sua capacidade. Por quê? Porque não nos damos ao trabalho de investigá-lo com profundidade. Fazendo-o, verificaremos que há os estados de atenção, concentração, reflexão, meditação e êxtase.

A atenção é a direção do espírito a um dado objeto. É passiva, isto é, quando se capta, não se interpõem ideias; deve-se ver, ouvir e sentir, sem juízo de valor. Somente depois de absorvida a informação, elabora-se a crítica. A concentração, por outro lado, é a fixação deliberada da mente no objeto da atenção. Ambas, contudo, dependem do interesse pelo objeto.

A atenção e a concentração vencidas, o espírito dirige-se à reflexão e à meditação. A reflexão é a volta racional da mente sobre o objeto da atenção, procurando conectar fatos e ideias. A meditação, por sua vez, vai além da reflexão, pois coloca-nos em contato com os aspectos mais gerais do ser. Implica, também, um esvaziamento da mente.

A meditação profunda pode conduzir-nos ao êxtase. Nesse estado, nossa mente, inteiramente desprendida dos interesses materiais, vê-se numa dimensão desconhecida, porém real, em que se comunica com as essências mais puras do conhecimento. Ainda assim, é preciso muito cuidado, pois a fascinação pode ofuscar o brilho da contemplação, emergindo, em contrapartida, os preconceitos que nos dominam.

O acaso não existe. Se nos conduzirmos de forma equilibrada, vamos absorvendo os conhecimentos superiores. A posse do saber implica responsabilidade mas, também, liberdade. Liberdade, não no sentido de agir como se quer, porém, determinando-se de acordo com as leis naturais, as únicas que nos encaminharão para os verdadeiros valores da vida.

Tornarmo-nos "cônscios" de nós mesmos auxilia o controle de nossas ações. Ações equilibradas provocam reações do mesmo teor. Assim, somente o encadeamento de atos corretos propiciará a plena serenidade do espírito.

São Paulo, 15/11/1999.

Um comentário:

Unknown disse...

muito esclarecedor apesar da dificuldade a a observação dos acontecimentos trouce para mim um maior domínio sobre minhas atitude e um clareza
enorme sobre meu ser obrigado