10 junho 2008

Centro dentro do Centro

"Toda organização necessita de normas para sobreviver".

O preço tácito para pertencer a um grupo é adequar-se às suas normas. Às vezes, para o bem da organização, somos obrigados a ignorar o que está errado. Motivo: as pessoas são imperfeitas. Por que se estabelecem leis, normas, diretrizes? Para que se tenha um norte, uma meta, para que todos saibam o que pode e o que não pode ser feito.

Nem todos, porém, pensam assim. Alguns acham que a regra estabelecida não é a ideal. Começam a alterar uma coisa aqui, outra ali, outra acolá. Assim, pouco a pouco, vão descaracterizando toda a estrutura da Entidade. O Centro dentro do Centro resume este pensamento, ou seja, existe o Centro Espírita como organização, mas há também outros Centros paralelos, funcionando com as suas próprias normas.

Alguns dirigentes de trabalho – nos Centros dentro do Centro – centralizam as ações em torno do seu nome. Eles até dizem: “meu grupo”, “meus colaboradores”, “minha equipe”. Esta postura aumenta ainda mais o seu poder sobre o grupo. Os seus colaboradores ficam de tal maneira submissos, que nada mais fazem sem a ordem explícita do chefe. Como em tudo é obedecido, acaba se achando “o tal”, o que pode levá-lo a um processo de fascinação.

O que se entende por fascinação? De acordo com Allan kardec, em O Livro dos Médiuns, é “uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio, relativamente às comunicações”. O médium fascinado não acredita que o estejam enganando: o Espírito obsessor age sutilmente. Ele vai minando a vontade do médium, até tê-lo em suas mãos. O Espírito obsessor geralmente procura um médium, que é líder, para poder aumentar o seu poder sobre ele e sobre todos os outros médiuns que estão sob a sua chefia.

Quais são as conseqüências para o Centro como um todo? Começamos a notar o aparecimento de rusgas, discussões, comportamento não condizente com o ambiente espiritual superior etc. Detectado o problema, o Dirigente do Centro Espírita, legalmente constituído, deve envidar todos os esforços para combater o mal pela raiz. Deixando-o crescer, o falso acaba por se tornar verdadeiro, e, depois de enraizado no cerne da organização, não o conseguirá demovê-lo com facilidade.

Lembremo-nos de que o Centro Espírita é um teorizador de virtudes, pois prega a mudança comportamental (para melhor) de seus freqüentadores. A recomendação de Jesus vem bem a calhar: “Orai e vigiai para não cairdes em tentaçaõ”.

São Paulo, 4/7/2007

Um comentário:

Paulo Fraga Júnior disse...

Sr. Sérgio, boa noite.
Muito oportuno o texto Centro dentro do Centro. É o artigo que estávamos procurando e gostaria de ter sua permissão para publicá-lo em nosso Jornalzinho. Fazemos parte de uma associação espírita e estamos criando nosso Informativo Espiritual e estamos abrangendo este assunto. Caso autorize, os créditos serão mencionados.
Obrigado e aguardo.