29 junho 2008

Desigualdade das Riquezas

O mundo, em 2006, teve um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 47.915 trilhões. Como ele está dividido? O Brasil, com os seus US$ 1,117 trilhão, representa apenas 2,2% desse total. Em contrapartida, os dez maiores, liderado pelos Estados Unidos, representam 69%. Se considerarmos os 20 maiores, eles abocanham nada menos do que 83% de toda a riqueza produzida no mundo. Questão: por que os países ricos ficam cada vez mais ricos e os países pobres cada vez mais pobres?

A desigualdade da riqueza pode ser explicada, economicamente, em termos da posição geográfica em relação aos mercados mundiais, do estoque de matéria prima existente em seu subsolo, das oportunidades de investimento, das inovações tecnológicas etc. Mesmo assim, não se compreende por que uns são ricos e outros pobres.

Fala-se muito da falta de investimento em infra-estrutura. Hoje, a maioria dos países em desenvolvimento está com problemas nesses setores: portos defasados, estradas esburacadas, ferrovias deficitárias etc. Pergunta-se: por que os países ricos não investem nesses setores, nos países pobres? Por que não liberam as suas patentes para que os países pobres tenham mais condições de competição? Não nos esqueçamos de que a melhoria do mundo depende da melhoria da cada um de nós.

Imaginemos a seguinte situação: um sábio, com dois pães na mão. Se ele der um dos pães para uma pessoa necessitada, ficará necessariamente com apenas um. Suponha, por outro lado, que ele encontre uma pessoa necessitada de conhecimentos, e distribua-os gratuitamente. Ele não ficou com menos conhecimento, mas a outra pessoa ficou com mais. O mesmo se poderia pensar em termos das invenções. Distribuída, a preços módicos, todos lucrariam com isso.

Dessa forma, a desigualdade social, que é o resultado das ações econômicas, iria minorando e, em pouco tempo, estaríamos nos aproximando da desigualdade natural, especificada pelo mérito. Nesse tipo de desigualdade, os mais ricos devem auxiliar os mais pobres e os mais fortes amparar os mais fracos. Aqui, devemos enfatizar que os indivíduos não são brasileiros, nem chineses e nem americanos. Antes de tudo, cada ser humano é um cosmopolita, cidadão do mundo e, como tal, faz parte da Humanidade.

A desigualdade social tem uma causa: provém do orgulho e do egoísmo da pessoa humana. No egoísmo, por exemplo, tenta-se obter tudo para si ou para os seus. Observe os políticos. Eles são eleitos, por um partido, para cuidarem do bem público. Entretanto, no poder, a grande maioria cuida apenas do bem particular ou do próprio partido. O correto, uma vez eleito, seria esquecer as questões partidárias e dedicar-se à coisa pública, que é de todos, independentemente de ser deste ou daquele partido.

Contudo, os princípios da Doutrina Espírita advertem-nos de que deveremos responder pela riqueza ou poder que nos foi colocado nas mãos. Não nos foi dado pelo simples prazer de mando. Eles devem ser exercitados para o bem da humanidade. Não somos donos, mas usufrutuários. Eis a grande verdade que devemos estar sempre a refletir.



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