29 junho 2008

Deus

Deus – do indo-europeu deiwos – significa resplandecente, luminoso. Quando nos referimos a Deus, logo se nos vêm à mente o demiurgo, o primeiro motor, a causa primeira, o início do mundo e da vida. De acordo com a Doutrina Espírita, Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. De Deus vertem-se dois princípios, o princípio material e o princípio espiritual que, individualizados, denominam-se, respectivamente, matéria e Espírito.

Os filósofos atribuem a Deus duas qualificações fundamentais: a de Causa e a de Bem. Em se tratando da Causa, Deus é o criador, o autor e o mantenedor da ordem do mundo. Tudo funciona sob a sua direção excelsa. Em se tratando do Bem, Deus é o criador da ordem moral (valores) do mundo. Neste caso, a providência divina tem papel de destaque, pois é ela que supervisiona todas as ações dos seres humanos. Deus cria as leis, chamadas divinas ou naturais. Nós, seres humanos, devemos pautar a nossa vida de acordo com elas.

A compreensão do monoteísmo e do politeísmo baseia-se na distinção ou na identificação entre Deus e divindade. No monoteísmo, que é a crença num único Deus, há uma perfeita identificação entre Deus e divindade. No politeísmo, que é a crença numa hierarquia de deuses, a identificação entre Deus e divindade não é clara. Para auxiliar o nosso pensamento, distingamos também a unidade da unicidade. A unidade não elimina a multiplicidade, mas a contém em si mesma, enquanto a unicidade pressupõe um ser único. Assim, o monoteísmo platônico é um politeísmo, pois pressupõe uma multiplicidade de deuses. O cristianismo, por sua vez, é monoteísta, pois aceita um único Deus.

A revelação de Deus pode ser humana, divina ou um misto das duas. A revelação humana é estritamente filosófica, pois é o próprio homem que, pelos seus esforços, busca compreender os mistérios da divindade. A revelação divina insere-se no campo da religião. No judaísmo, Deus se manifesta a Moisés; no Cristianismo, Deus se manifesta a Jesus. No Espiritismo, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo sua elaboração fruto do trabalho do homem. E como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental: formula hipóteses, testa-as e tira conclusões.

Abbagnano, em seu Dicionário de Filosofia, aponta nada menos do que dez provas da existência de Deus. O recurso ao consenso comum, a prova causal e a prova do movimento estão entre elas. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, desenvolve apenas dois aspetos: 1) "não há efeito sem causa"; 2) sentimento inato. Para entendermos o "não há efeito sem causa", basta lançarmos os nossos olhos à obra da criação. Se o efeito é inteligente, a causa também o será. O sentimento inato na existência de Deus é prova cabal de que Ele existe, pois se assim não fosse, o ser humano não se lembraria Dele.

Seguirmos as leis de Deus é o único antídoto contra o orgulho, a vaidade e a violência. Estudemo-las com a devida profundidade. Somente assim poderemos construir um mundo mais justo e mais feliz.

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