29 junho 2008

Alma, Princípio Vital e Fluido Vital

As questões pertinentes à etimologia (estudo da origem das palavras) e à semântica (mudanças que no espaço e no tempo, experimenta a significação das palavras consideradas) datam de tempos remotos. Heráclito, nos seus aforismos, já nos chamava atenção para esse fato. Se tivéssemos um termo para cada coisa, evitaríamos o equívoco, a ambigüidade e a anfibologia.

O significado da palavra alma varia de acordo com a concepção de mundo considerada. Para os materialistas, a alma é o principio da vida orgânica material; não tem existência própria e se extingue com a vida. Para os panteístas, a alma é o princípio da inteligência, de que cada ser absorve uma porção ao nascer; após a morte, volta ao todo universal. Para os espiritualistas, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva a sua individualidade após a morte.

O Espiritismo, como ramo importante do Espiritualismo, define a alma como um ser imaterial e individual que existe em nós e sobrevive ao corpo. Na generalidade, assemelha-se às diversas correntes espiritualistas. Especificamente, distingue-se delas pelo seu corpo doutrinário. Façamos uma comparação: para a dogmática religiosa, a alma, depois da morte, vai para um lugar circunscrito – Céu ou Inferno –, podendo lá ficar eternamente. Para o Espiritismo, a alma continua o processo de sua evolução espiritual, podendo, inclusive, reencarnar novamente.

Em se tratando da matéria orgânica, temos um termo próprio para designá-la, ou seja, o princípio vital. O princípio vital, sendo comum em todos os seres vivos, encontra-se num fluido especial, denominado de fluido vital, fluido magnético, fluido nervoso etc., universalmente espalhado, do qual cada ser absorve e assimila uma parte durante a vida. O fluido vital, por sua vez, nada mais é do que uma das transformações do fluido universal, princípio elementar da matéria.

Allan Kardec sugere que, para uma compreensão mais exata da palavra alma, poderíamos simplesmente acrescentar-lhe um adjetivo para cada uso específico. Assim sendo, empregaríamos a palavra alma vital, para designar o princípio da vida material; a alma intelectual, para o principio da inteligência; a alma espírita, para o principio da nossa individualidade após a morte. Agindo desta forma, evitaríamos muita confusão, liberando mais tempo para o entendimento de outras questões cruciais para o nosso aprendizado espiritual e moral.

Habituemo-nos a procurar no dicionário ou na enciclopédia o verdadeiro significado das palavras. Este esforço tem a sua recompensa: damos à palavra o seu verdadeiro sentido. E isso é de muita valia para a propagação da Doutrina Espírita.


São Paulo, 12/03/2004

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