SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Breve Relato Histórico. 4.
Magnetização: 4.1. Magnetismo e Hipnotismo; 4.2. Diferença entre Magnetismo e
Hipnotismo; 4.3. A Presença da Ciência Oficial. 5. Médium curador: 5.1. A Cura
como Manipulação do Fluido Universal; 5.2. Magnetizador versus Médium Curador;
5.2. Preparação do Médium Curador; 5.2. O Recebedor do Fluido. 6. O Trabalho de
Passes no Centro Espírita. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.
1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste trabalho é estudar os diversos matizes da mediunidade
curativa. Pergunta-se: há diferença entre magnetizador e médium curador? O que
são médiuns curadores? Por que o poder de cura é classificado como mediunidade?
Faremos, assim, um pequeno relato histórico a respeito do magnetismo e
hipnotismo, veremos a questão da magnetização e a aplicação de passes no Centro
Espírita.
2. CONCEITO
Mediunidade – Faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem
as relações entre os homens e os Espíritos.
Mediunidade Curativa – É aquela em que o médium possui a faculdade
de curar.
Médium Curador – Faculdade que certas pessoas possuem de curar pelo simples contacto, pela imposição de mãos, pelo olhar, por um gesto, mesmo sem o concurso de qualquer medicamento.
3. BREVE RELATO HISTÓRICO
No tempo de Ísis (Egito), os sacerdotes caldeus utilizavam os passes
para o restabelecimento da saúde humana. No século XV muito se falava na
simpatia magnética, designando um sistema análogo nas suas bases essenciais, ao
que tinha sido formulado por Paracelso. No século XVII Van Helmont, muito
citado na Alta Magia, afirmava ter obtido curas valiosas com a aplicação do ímã
e de placas metálicas nos corpos de doentes. Um contemporâneo dele, o jesuíta
Hell, que também era físico de renome, obteve efeitos interessantes com a
aplicação do ímã não só nos homens, mas também nos animais.
Foi, contudo, Franz Anton Mesmer, médico alemão, quem estudou os
mistérios científicos até então cuidadosamente guardados em segredo pelos seus
predecessores com sendo coisa de magia. Admitia Mesmer que, assim como o ímã,
as mãos e os olhos de alguns indivíduos podiam irradiar um fluido especial
proveniente do próprio organismo com influência nos indivíduos e nos próprios
animais. As teorias mesmerianas foram combatidas em Viena, motivo por que
Mesmer tranferiu residência para Paris em 1778. Em 1779 ele publica a
obra Magnetismo Animal, em que expõe a tese defendida
até então, ou seja, a existência de um fluido que interpenetrava tudo e que
dava às pessoas, propriedades análogas àquelas do ímã. Teve boa aceitação, mas
depois caiu em descrédito.
Em 1784, o marquês de Puységur, discípulo de Mesmer, descobrira
Sonambulismo Artificial e em 1787 Pététin descobria a Catalepsia Artificial. Em
1841, Braid, descobre o hipnotismo. Charcot o estuda metodicamente, Liebault o
aplica à clínica e Freud o utiliza ao criar a Psicanálise. (Paula, 1976)
4. MAGNETIZAÇÃO
4.1. MAGNETISMO E HIPNOTISMO
Magnetismo: em Física: fluido emanado do ferro magnético e
dos ímãs, que tem a propriedade de atrair outros metais e de orientar a agulha
magnética em direção Norte-Sul. Ocultismo: segundo os adeptos,
existe no indivíduo uma força latente que poderia ser emitida mediante a ação
da vontade. Esta força diz-se apresentar analogia com a eletricidade e o
magnetismo mineral e existir em todos os seres vivos no estado estático e no
estado dinâmico, circulando ao longo das fibras nervosas e irradiando para o
exterior pelos olhos, pelas pontas dos dedos e pela boca, com maior ou menor
intensidade da vontade.
Hipnotismo: deriva de Hipnose, que por sua vez vem da palavra grega hypnos =
Deus do sono, adotada por Braid em 1843. O termo não é feliz, uma vez que dá a
errônea impressão de ser a hipnose igual ao sono. O hipnotismo são os vários
processos, pelos quais uma pessoa dotada de grande força de vontade exerce sua
influência sobre outras pessoas de ânimo mais débil, numa espécie de êxtase (ou
transe).
4.2. DIFERENÇA ENTRE MAGNETISMO E HIPNOTISMO
O magnetismo aceita a existência de um fluido especial,
que é projetado pelo magnetizador influenciando a pessoa que o recebe.
O hipnotismo admite que o paciente fica hipnotizado por
auto-sugestão e concentração mental, não havendo fluido algum. Apenas o
hipnotismo é aceito pela ciência.
4.3. A PRESENÇA DA CIÊNCIA OFICIAL
Os cientistas não aceitaram o termo magnetismo; preferiram o hipnotismo.
Eis como Braid o define: Hipnotismo é "o estado particular do sistema
nervoso, determinado por manobras artificiais, tendendo, pela paralisia dos
centros nervosos, a destruir o equilíbrio nervoso". Nada de fluidos, nem
de matéria sutil. Ficou assim prestigiado o hipnotismo através dos tempos pela
ciência oficial e relegado o magnetismo com os seus passes as suas imposições e
os seus fluidos para o monturo das teorias condenadas como obra do
charlatanismo. (Michaelus, 1967)
5. MÉDIUM CURADOR
5.1. A CURA COMO MANIPULAÇÃO DO FLUIDO UNIVERSAL
"A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por
uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da
pureza da substância inoculada; mas, depende também da energia da vontade que,
quanto maior for, tanto mais abundante a emissão fluídica provocará e tanto
maior força de penetração dará ao fluido. Depende ainda das intenções daquele
que deseje realizar a cura, seja homem ou Espírito. Os fluidos que
emanam de uma fonte impura são quais substâncias medicamentosas
alteradas". (Kardec, 1975, cap. XIV, item 31)
Os efeitos da cura são extremamente variados: algumas vezes é lenta e
reclama tratamento prolongado; outras vezes é rápida; as demais se colocam na
faixa desses dois extremos.
5.2. MAGNETIZADOR VERSUS MÉDIUM CURADOR
Enquanto o magnetizador usa as suas próprias energias, o médium curador
é apenas o intermediário dos Espíritos na cura das doenças.
Eis as respostas que nos foram dadas às perguntas seguintes dirigidas
aos Espíritos a esse respeito
1 – Podemos considerar as pessoas dotadas do poder magnético como
formando uma variedade de médiuns?
"Disso vocês não podem duvidar".
2 – Entretanto o médium é um intermediário entre os Espíritos e o homem;
ora, o magnetizador, tirando a força de si mesmo, não parece ser o
intermediário de nenhum poder estranho.
"É um erro; o poder magnético reside sem dúvida no homem, mas ele é
aumentado pela ação dos Espíritos que ele chama em seu auxílio. Se você
magnetiza com o fito de curar, por exemplo, e invoca um bom Espírito que se
interessa por você e pelo doente, ele aumenta sua força e sua vontade, dirige
seu fluido e lhe dá as qualidades necessárias."
3 – Entretanto há muito bons magnetizadores que não acreditam em
Espíritos?
"Então vocês pensam que os Espíritos agem somente sobre aqueles que
crêem neles? Os que magnetizam para o bem são secundados por bons Espíritos.
Todo homem que tem o desejo do bem os chama sem o querer; assim como pelo
desejo do mal e pelas más intenções, ela chama os maus". (Kardec, s.d.p.,
item 176)
5.3. PREPARAÇÃO DO MÉDIUM CURADOR
De acordo com o Espírito André Luiz, o missionário do auxílio magnético
na Crosta ou aqui em nossa esfera, necessita:
· Ter grande domínio de si mesmo;
· Espontâneo equilíbrio dos sentimentos;
· Acentuado amor aos semelhantes;
· Alta compreensão da vida;
· Fé vigorosa;
· Profunda confiança no Poder Divino.
(Xavier, 1970, p. 321)
Deve, por outro lado, evitar as barreiras que impedem a passagem das
energias auxiliadoras, ou seja:
· A mágoa excessiva
· A paixão desvairada
· A inquietação obsedante.
5.4. O RECEBEDOR DO FLUIDO
As exigências para um trabalho de passe produtivo devem ser extensivas
àqueles que irão receber os fluidos balsamizantes. Estes devem preparar-se
interiormente para o momento sagrado na câmara de passes. Além disso, precisam
ter confiança em Deus, nos Espíritos amigos e no médium que lhe irá aplicar o
passe. Sem isso, não se estabelece uma sintonia perfeita entre doador e
recebedor.
Eis algumas recomendações do Espírito Emmanuel:
- Ajuda o trabalho de socorro
sobre ti mesmo com o esforço da limpeza interna;
- Esquece os males que te
apoquentam, desculpa as ofensas das criaturas que te não compreendem, foge
ao desânimo destrutivo e enche-te de simpatia e entendimento para com
todos os que te cercam;
- Se pretendes, pois, guardar
as vantagens do passe que, em substância, é ato sublime de fraternidade
cristã, purifica o sentimento e o raciocínio, o coração e o cérebro;
- Não abuses, sobretudo,
daqueles que te auxiliam;
- Não tomes o lugar do
verdadeiro necessitado, tão só porque os teus caprichos e melindres
pessoais estejam feridos.
6. O TRABALHO DE PASSES NO CENTRO ESPÍRITA
O que são os passes?
Movimentos com as mãos, feitos pelos médiuns passistas, nos indivíduos
com desequilíbrios psicossomáticos ou apenas desejosos de uma ação fluídica
benéfica... Os passes espíritas são uma imitação dos passes hipnomagnéticos,
com a única diferença de contarem com a assistência invocada e sabida dos
protetores espirituais.
Qual o objetivo do passe?
Propiciar ao assistido um reequilíbrio psicofísico espiritual. Para
tanto o médium passista deve entender que o trabalho na câmara de passes tem um
caráter mediúnico, ou seja, da mesma maneira que os Espíritos se utilizam dos
recursos do médium, para a comunicação escrita ou falada, eles se utilizam das
faculdades radiantes do médium para curar.
Qual o mecanismo do passe?
Baseando-nos no fenômeno hipnótico, podemos distinguir, claramente três
tipos de campos vibratórios: o do Espírito, o do médium e o do assistido...
Estabelecido o clima de confiança qual acontece entre o doente e o médico preferido,
cria-se a ligação sutil entre o necessitado e o socorrista e, por semelhante
elo de forças, ainda imponderáveis no mundo, verte o auxílio da Esfera Superior
na medida dos créditos de um e outro. (Xavier, 1977, cap. 22)
Qual o perfil do médium passista?
Para atuar no setor de passes espíritas deve o colaborador ter as
seguintes características:
1) possuir a faculdade radiante, ou seja, a capacidade de transmitir aos
outros parte de seu magnetismo pessoal;
2) o médium passista, antes de tudo, é um médium e deve estar sempre se
aperfeiçoando doutrinariamente;
3) estar em equilíbrio no campo das emoções. "Um sistema nervoso
esgotado, oprimido, é um canal que não responde pelas interrupções
havidas";
4) disciplina no campo da alimentação. O excesso de alimentação, o
álcool e outras substâncias tóxicas operam distúrbios nos centros nervosos,
modificando certas funções psíquicas e anulando os melhores esforços na
transmissão de elementos regeneradores;
5) ter consciência do mecanismo do passe para fugir à mecanização do
mesmo.
7. CONCLUSÃO
Preparemos-nos técnica e moralmente para os trabalhos de cura. O
fortalecimento de nossas faculdades radiantes exige muito estudo, muito
critério e muita responsabilidade. Sem isso, estaremos apenas mecanizando os
movimentos requeridos na aplicação dos "passes espíritas".
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o
Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
KARDEC, A. O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos
Doutrinadores. São Paulo: Lake, [s.d.p.]
MICHAELUS. Magnetismo Espiritual. 2.ed., Rio de
Janeiro: FEB, 1967.
PAULA, J. T. Dicionário Enciclopédico Ilustrado de Espiritismo,
Metapsíquica e Parapsicologia. 3. ed. São Paulo: Bels, 1976.
XAVIER, F. C. Mecanismos da Mediunidade, pelo Espírito André
Luiz. 8. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1977.
XAVIER, F. C. Missionários da Luz, pelo Espírito André Luiz.
8. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1970.
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