03 outubro 2020

A Etimologia de Denizard, Segundo o Dr. Canuto de Abreu

Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, nasceu na cidade de Lyon, na França, a 3 de outubro de 1804, recebendo na pia batismal o nome de Hippolyte. Seu pai se chamava Jean Baptiste Antoine Rivail.

O Dr. Canuto de Abreu, em artigo publicado na revista Santa Aliança, de fevereiro de 1956, tece alguns comentários sobre a etimologia do nome Denizard:

“Segundo creio, o nome Denizard deriva da velha expressão latina Dionysos Ardenae, designativa de Deus Dyonísio, da Floresta de Ardenas. Dentro dessa imensa mata gaulesa que Júlio César calculava em mais de 500 milhas, os druidas celebravam as evocações festivas do Deus Nacional da Gália, denominado Te-Te-Te, Altíssimo, representado por um carvalho secular. 

À sombra do carvalho divino os legionários romanos, após a derrota de Vercingetorix, ergueram a estátua do Deus Dionysius, também conhecido pelo nome de Bacchus, deus das selvas, das campinas, das uvas, dos trigais, amante da rusticidade e da liberdade. E, de conformidade com o costume dos conquistadores, inscreveram uma legenda latina ao pé do monumento. Supõe-se que rezava assim: Dionysio Rústico Eleuthero, com a significação de Dionísio campestre em liberdade.” 

O povo deturpou os nomes: 

"Dionysius sofreu a evolução simplificativa Dionysio-Dionys-Denis. Ardenae, latinização de ard-nae, mata grande, simplificou-se em ard". 

Com a introdução do Cristianismo, surgiram três santos, Denis, Rústico e Eleutério. 

Allan Kardec foi consagrado a Denis-Ard, evocativo do Protetor Espiritual da França. O primeiro nome apresentado ao Maire foi o de Denizard. 

Tal é o relato resumido do Dr. Canuto Abreu. 

Fonte de Consulta

IMBASSAHY, Carlos. A Missão de Allan Kardec. Federação Espírita do Paraná

 



16 setembro 2020

Cristianismo Primitivo

Cristianismo primitivo pode ser entendido como os ensinamentos evangélicos (em estado puro) que Jesus transmitiu aos seus discípulos. O Cristianismo é um corpo doutrinário sem remendos, sem peças justapostas. Em suas máximas, temos: a prática da caridade, o amar ao próximo como a si mesmo, o oferecer a face esquerda quando baterem na direita etc. 

Jesus, quando esteve encarnado, já previa a desfiguração dos seus ensinamentos. Tanto é verdade que, em João 14, 15 a 17 e 26, há o seguinte: “Mas o Consolador, que é o Santo-Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará relembrar de tudo aquilo que eu vos tenha dito". Nota-se que ensinar e relembrar tem relação com esquecido ou deturpado. 

As pessoas, ao longo do tempo, foram criando narrativas diferentes para a boa nova apresentada por Jesus. Além dessas narrativas, acrescentemos, também, os interesses políticos e religiosos. Politicamente, a conversão ao Cristianismo pelo imperador Constantino, que propiciou o surgimento do catolicismo. Religiosamente, lembremo-nos do Padre Alta que disse: “Fomos desfigurando o Cristianismo do Cristo para aceitarmos o Cristianismo dos vigários". 

Em termos da volta ao Cristo e à pureza de seus ensinamentos, ressaltemos o grande trabalho dos protestantes, que foram os grandes tradutores da Bíblia [para a língua pátria], diretamente dos textos originais hebraicos e gregos. Entre tais nomes, temos: John Wycliff (1328-1384), Martinho Lutero (1483-1546), William Tyndale (1484-1536) e King James (1566-1625) que reuniu uma série de estudiosos para traduzir a Bíblia para o inglês. Objetivo; libertar o povo das garras papais.  

Introduzamos Jan Huss (1369-1415) nesse contexto. John Wycliff (1328-1384), em 1380, usou a Vulgata de São Jerônimo e traduziu alguns escritos para o inglês. Depois de 40 anos, o papa mandou desenterrar o seu corpo, queimar seus ossos e jogar as cinzas no rio. Ele era apenas um tradutor. Dez anos mais tarde, Jan Huss [encarnação anterior de Allan Kardec] levou as ideias de Wycliff para a Boêmia. Foi queimado junto aos livros e à Bíblia somente pelo fato de querer a volta à palavra da escritura.

O Espiritismo, como Consolador Prometido, tem a missão de restaurar os ensinamentos puros veiculados por Jesus: ensinará todas as coisas e nos lembrará daquelas que foram esquecidas. Nesse sentido, o espírita tem o dever de divulgar os conhecimentos de Jesus, sem os dogmas da Igreja e o espírito de sistema. O procedimento: debruçando-se sobre as obras básicas e complementares, para que suas ações sejam sempre bem fundamentadas.

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/cristianismo-primitivo

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Um médico muito jovem, de nome Lucas, disse:

— Irmãos, afastando-me de vós, levo o propósito de trabalhar pelo Mestre, empregando nisso todo o cabedal de minhas fracas forças. Não tenho dúvida alguma quanto à extensão deste movimento espiritual. Para mim, ele transformará o mundo inteiro. Entretanto, pondero a necessidade de imprimirmos a melhor expressão de unidade às suas manifestações. Quero referir-me aos títulos que nos identificam a comunidade. Não vejo na palavra “caminho” uma designação perfeita, que traduza o nosso esforço, Os discípulos do Cristo são chamados viajores”, “peregrinos”, “caminheiros”. Mas há viandantes e estiadas de todos os matizes, O mal tem, igualmente, os seus caminhos, Não seria mais justo chamarmo-nos — cristãos — uns aos outros? Este título nos recordará a presença do Mestre, nos dará energia em seu nome e caracterizará, de modo perfeito, as nossas atividades em concordância com os seus ensinos. O alvitre de Lucas estendeu-se rapidamente a todos os núcleos evangélicos, inclusive Jerusalém, que o recebeu com especial simpatia. Dentro de breve tempo, em toda parte, a palavra “cristianismo” substituía a palavra "caminho”.

Extraído do capítulo IV - "Primeiros Labores Apostólicos" (2.ª Parte) do livro Paulo e Estêvão, pelo Espírito Emmanuel, psicografado por F. C. Xavier.

 


 

03 setembro 2020

Identidade dos Espíritos

Tese: há uma regra invariável e sem exceção que a linguagem dos espíritos corresponde sempre ao seu grau de elevação.

A "Identidade dos Espíritos" é o título do capítulo XXIV da Segunda Parte ("Das Manifestações Espíritas") de O Livro dos Médiuns. Nele, Allan Kardec trata das provas possíveis de identidade e como distinguir os Espíritos bons e maus.

Começa dizendo que a questão da identidade dos Espíritos é muito controvertida. Qual a razão? É porque os Espíritos não trazem nenhum documento de identificação e sabe-se com que facilidade alguns deles usam nomes emprestados. Acrescenta que a identificação de personagens antigos é também difícil de constatar. Na maioria das vezes, a identificação se reduz a uma possibilidade de apreciação puramente intelectual. Como proceder? Um Espírito se apresenta com um nome famoso: dizendo trivialidades e puerilidades, a identificação é descartada; se as coisas ditas são dignas do nome, então há uma possibilidade moral de que seja ele.

Distinguir os Espíritos superiores tem também os seus inconvenientes. Isto por que à medida que os Espíritos se purificam — embora mantenham a individualidade as características distintivas de sua personalidade desaparecem. Nessa posição, o nome que tiveram na Terra pouco significa.

Dentre os Espíritos, os Espíritos contemporâneos, cujos hábitos e caráter são conhecidos, hábitos que não tiveram tempo de se livrar, são mais fáceis de constatar.

Um Espírito inferior usar nomes pomposos para se fazer acreditar. Ele o faz mais pelo orgulho do que pela sapiência, pois quer simplesmente impingir as ideias mais ridículas.

Meio para assegurar a identidade do Espírito. Quando o Espírito se torna suspeito, pede-se para ele afirmar em nome de Deus todo-poderoso que é ele mesmo. A caligrafia ajuda a identificar os Espíritos, mas devemos ter cuidado, pois como há falsários na terra, há também os do mundo espiritual.

Conselho do Espírito São Luís:

“Por mais legítima confiança que vos inspirem os Espíritos dirigentes de vossos trabalhos, há uma recomendação que nunca seria demais repetir e que deveis ter sempre em mente ao vos entregardes aos estudos: a de pesar e analisar, submetendo ao mais rigoroso controle da razão todas as comunicações que receberdes; a de não negligenciar, desde que algo vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro, pedir as explicações necessárias para formar a vossa opinião.”


Agostinho e o Espiritismo

Agostinho (354-430 d.C.), natural de Tagaste, norte da África, foi bispo de Hipona (hoje Annaba, na Argélia) durante trinta e quatro anos, onde escreveu, combateu heresias e viveu em comunidade com outros cristãos. Para ele, filosofia e teologia estavam ligadas de maneira indissociável. Suas principais obras foram Confissões e A Cidade de Deus, obras que continuam sendo lidas até hoje.

Em Confissões, procura mostrar pelo seu exemplo o que pode a graça para os mais desesperados dos pecadores. Com admirável franqueza e contrição confessa os desregramentos de sua mocidade (teve inclusive um filho bastardo, Adeodato), sempre atribuindo a si mesmo as tendências perversas e a Deus os progressos de seu espírito para o bem. Foi um homem em permanente batalha contra as suas próprias emoções e fraquezas. Discute também questões acerca do tempo e a presença do mal no mundo.

Em A Cidade de Deus, discute a vontade humana, as relações entre teologia e razão e a divisão da história entre as duas cidades – dos homens e de Deus. O pensamento político contido em A Cidade de Deus, forja-se no encontro de duas tradições: a da cultura greco-romana e a das Escrituras judaico-cristãs. Da Antiguidade grega Agostinho retém as ideias de Platão (República Leis). Traça, assim, os planos de uma cidade ideal, a Cidade de Deus, em contrapartida com a da cidade terrestre, em que predomina a guerra, a injustiça, o egoísmo etc. Para ele, a verdadeira administração de uma cidade deve estar baseada na justiça, e esta por sua vez na caridade, ensinada por Cristo.

Recebeu de Platão e dos neoplatônicos a distinção entre o mundo imperfeito e transitório das coisas materiais, acessado por meio dos sentidos, e o mundo perfeito e eteno, acessado por meio do intelecto. Assim, baseando-se na filosofia socrático-platônica, santo Agostinho busca a verdade necessária, imutável e eterna, não nas coisas materiais, que estão sempre em transição, mas em Deus, pois somente Deus é a verdade.

A explicação de Agostinho sobre o mal do mundo. Para ele, a culpa está no pecado original. O divino está dentro de nós, mas foi maculado por aquilo que aconteceu no Jardim do Éden. O remédio está na graça divina. Os escolhidos por Deus estavam predestinados a serem salvos da maldição eterna.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo encontram-se algumas comunicações deste insigne Espírito. São elas: Os Mundos de Expiações e de Provas, Mundos Regeneradores e Progressão dos Mundos (Cap. 3, 13 a 19), O Mal e o Remédio (Cap. 4, 19), O Duelo (Cap. 12, 11 e 12), A Ingratidão dos Filhos e os Laços de Família (Cap. 14, 9) e Alegria da Prece (Cap. 27, 23). Em O Livro dos Médiuns há anotações Sobre o Espiritismo (Cap. 31, 1) e Sobre as Sociedades Espíritas (Cap. 31, 16).

O Espírito Erasto, discípulo de São Paulo, comenta sobre as comunicações de santo Agostinho: 1) Santo Agostinho é um dos maiores divulgadores do Espiritismo; ele se manifesta quase que por toda parte; 2) Como muitos, ele também foi arrancado do paganismo; 3) Em meio de seus excessos, sentiu o alerta dos Espíritos superiores: a felicidade se encontra alhures e não nos prazeres imediatos; 4) Depois de ter perdido a sua mãe, disse: “Eu estou persuadido de que minha mãe voltará a me visitar e me dar conselhos, revelando-me o que nos espera a vida futura”; 5) Hoje, vendo chegada a hora para a divulgação da verdade que ele havia pressentido outrora, se fez dela o ardente propagador, e se multiplica, por assim dizer, para responder a todos aqueles que o chamam. (Kardec, 1984, cap. 1, item 11, p. 41)

Há, também, uma nota de Allan Kardec: Santo Agostinho veio destruir aquilo que edificou? Não. Ele agora vê com os olhos do espírito; sua alma liberta da matéria entrevê novos horizontes, que lhe propiciam compreender o que não compreendia antes. Sobre a Terra, julgava as coisas segundo os conhecimentos que possuía, mas, quando uma nova luz se fez para ele, pode julgá-las mais judiciosamente. “Foi assim que mudou de ideia sobre sua crença concernente aos Espíritos íncubos e súcubos e sobre o anátema que havia lançado contra a teoria dos antípodas”. Com uma nova luz pode, sem renegar a sua fé, fazer-se propagador do Espiritismo, porque nele vê o cumprimento das coisas preditas. Proclamando-o, hoje, não faz senão nos conduzir a uma interpretação mais sã e mais lógica dos textos. (Kardec, 1984, cap. 1, p. 42

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/agostinho-e-o-espiritismo

 

Colônias e Fraternidades do Espaço

As Fraternidades do Espaço são agrupamentos de Espíritos que têm a finalidade de auxiliar os encarnados. O Comandante Edgar Armond, no tempo que colaborou na FEESP (Federação Espírita do Estado de São Paulo), catalogou e classificou as fraternidades. Ele anotava o nome da Fraternidade, o seu dirigente, a sua finalidade e o número de Espíritos a ela ligado. Depois, consultava o grupo de médiuns para confirmação.

Vejamos algumas delas: Fraternidade dos Cruzados (Proteger os trabalhos da FEESP, na década de 40); Fraternidade do Trevo (Auxiliar na organização e direção da FEESP); Fraternidade dos Essênios (Esclarecimento evangélico para auxiliar a Reforma Íntima); Fraternidade dos Humildes (Orientação dos trabalhos de cura na FEESP); Fraternidade dos Egípcios (Fortalecer o psiquismo dos Médiuns); Fraternidade dos Hindus (Elucidar o desenvolvimento Mediúnico); Fraternidade do Cálice (Apoio aos doentes). 

O Instituto de Confraternização, em São Paulo, está na mesma dimensão que a Colônia "Nosso Lar", situada sobre a Zona Norte do Estado do Rio de Janeiro. O Instituto é um edifício de cinco andares e se encontra no meio de um grande jardim, formando uma cruz, tomando-se como ponto de referência Santo Amaro ─ Vila Maria e São Caetano ─ Freguesia do Ó. (Thomaz, Feesp)

No Capítulo V “Prelúdios da Reencarnação” do livro Memórias de um Suicida, de Yvonne A. Pereira, há o Departamento de Reencarnação na Colônia Correcional Maria de Nazaré. Este Departamento tinha as seguintes sessões de auxílio: Recolhimento; Análise (Gabinete secreto, inacessível aos visitantes); Programação das recapitulações; Pesquisas; Planejamento dos envoltórios físico-terrenos.

Mais colônias espirituais:

"Mansão da Paz" é uma instituição destinada a receber Espíritos infelizes ou enfermos, mas decididos a trabalhar pela própria regeneração. Está sob a jurisdição de “Nosso Lar”. (livro Ação e Reação, de André Luiz).

“Campo da Paz” é um posto de socorro que recebe Espíritos enfermos, mais desequilibrados do que maus. (livro Os Mensageiros, de André Luiz)

A Casa Transitória de Fabiano é um Posto de Auxílio móvel, que se desloca quando se faz necessário, ao longo das regiões umbralinas. Presta socorro aos sofredores, condenados pela própria consciência à revolta e à dor. (livro Obreiros da Vida Eterna, de André Luiz)

Fonte de Consulta

THOMAZ, Martha Gallego. O Instituto de Confraternização Universal e as Fraternidades do Espaço. São Paulo: FEESP.

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/col%C3%B4nias-e-fraternidades-do-espa%C3%A7o


28 julho 2020

Telecinesia

Telecinesia. De tele, distância, e cinesia, movimento, significa o movimento de objetos sem o emprego de qualquer força mecânica.  Psicocinesia, telecinesia e psi-kappa têm grande semelhança, pois traduzem a força do pensamento, e descrevem a capacidade de uma pessoa movimentar, manipular ou exercer força sobre um sistema físico sem interação física, mas usando apenas a mente. 

O termo "psicocinese" foi criado por Henry Holt (autor estadunidense, em 1914). J. B. Rhine (parapsicólogo) popularizou-o nos anos 30. O termo "telecinesia" foi criado por Alexandre Aksakof (parapsicólogo) em 1890. No Espiritismo, podemos traduzi-la como os fenômenos de efeitos físicos, notadamente levitação e transporte.

Por causa da falta de controle e de repetição dos experimentos, a comunidade científica classifica a telecinesia como pseudociência. Esquecem-se de que os fenômenos mediúnicos não seguem uma ordem dada pelo ente encarnado. Esta é razão pela qual muitos cientistas que foram combater o fenômeno acabaram se rendendo a ele. Eis alguns sábios ilustres que se dedicaram ao seu estudo: William Crookes, Gully, Lodge, Lombroso, Zöellner, Charles Richet, Aksacof, Rochas e muitos outros.

Para ilustrar este assunto, há um tópico interessante no livro O Fenômeno Espírita, de Gabriel Delanne, que se intitula "Medição da Força Psíquica". Essa força, relatada por inúmeros testemunhos, foi alvo de medições. Roberto Hare, na América do Norte, e William Crookes, na Inglaterra, submeteram-na a um exame rigorosamente científico. 

Eis o processo de Hare: "A longa extremidade de uma prancha presa a uma balança de espiral, com um indicador fixo para marcar o peso. A mão do médium foi colocada sobre a outra extremidade da prancha, de modo que, qualquer pressão que houvesse, não pudesse ser exercida para baixo; mas, pelo contrário, produzisse o efeito oposto, isto é, suspendesse a outra extremidade. Com grande surpresa sua, esta extremidade desceu, aumentando assim o peso de algumas libras na balança". 

Efeitos físicos, raps, materialização, ectoplasmia, transporte, levitação etc. são outros tantos assuntos ligados a este tema. Dediquemo-nos ao seu estudo e ampliemos o nosso conhecimento sobre a Doutrina Espírita. 



10 julho 2020

Doutrinação de Espíritos

Doutrinação. É uma terapia de amor em que o doutrinador procura esclarecer os Espíritos maus e sofredores a trilharem o caminho do bem, da evolução espiritual. Doutrinador. É a pessoa que se incumbe de dialogar com os Espíritos desencarnados, necessitados de ajuda e esclarecimento. Espíritos. Seres inteligentes da criação que povoam o Universo, fora do mundo material.

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, diz-nos que há diferentes ordens de Espíritos, desde os mais evoluídos aos mais atrasados. Muitos deles apresentam imperfeições de que ainda não se livraram. Espíritos há que já desencarnaram e não o sabem. Por isso, acabam influenciando os seus entes queridos e amigos mais próximos. Em muitos casos, a afinidade é bastante intensa. Daí, trabalho de doutrinação dos Espíritos, chamados corriqueiramente de "Espíritos obsessores". 

O objetivo da doutrinação se resume em esclarecer os Espíritos ignorantes, estimular os Espíritos fracos e confortar os Espíritos sofredores. Há que se ter em mente que os Espíritos não se tornam santos simplesmente porque deixaram a vestimenta física. Continuam a agir da mesma forma só que sem o corpo físico. Ao dirigente-esclarecedor cabe dialogar com esses Espíritos de uma forma respeitosa no sentido de abrir-lhes a mente para o futuro que os aguarda. Para tanto, necessita de uma sólida formação doutrinária, familiaridade com o Evangelho de Jesus e autoridade moral.

Espíritos encontram-se em diversos graus de evolução. Eis alguns exemplos, extraídos do livro Diálogo com as Sombras, de Hermínio C. Miranda: 1) Espíritos sofredores. Procurar convencê-los de que os sintomas apresentados são reflexos do corpo físico; 2) Espíritos maldosos. Mostrar-lhes as recompensas pela prática do bem, alertando-os para se afastarem do mal; 3) Espíritos recalcitrantes. Respeitar o livre-arbítrio do Espírito manifestante. Caso não se obtenha o êxito esperado, convidá-lo para voltar outro dia.

Allan Kardec,  na página 153 da "Revista Espírita", dá algumas instruções no trato com os Espíritos. Ele diz que tanto com Espíritos benevolentes como com Espíritos sofredores ou maus, é preciso gravidade, posto que temperada de benevolência. "É o melhor meio de lhes impor e os manter à distância, obrigando-os ao respeito. Se descerdes até a familiaridade com os que vos são inferiores, do ponto de vista moral e intelectual, não tardareis a dar entrada à sua influência perversa. Ficar de guarda. Variar vossa linguagem conforme a dos Espíritos que se comunicam". 

Os Espíritos menos felizes pululam ao redor dos seres humanos. Muitos deles nem suspeitam do mal que fazem aos encarnados. Nesse caso, a tarefa do doutrinador é sumamente nobre, pois tem a oportunidade de alertá-los e convidá-los para uma tomada de consciência à luz da moral do Cristo.

Referência Bibliográfica

KARDEC, Allan. Revista Espírita de 1865.

MIRANDA, H. C. Diálogo com as Sombras (Teoria e Prática da Doutrinação). 3. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1982.


Ao Médium Doutrinador

M — Questão 182

Meu Amigo.

Considera na mediunidade uma poderosa alavanca de expansão do Espiritismo, reconhecendo, porém que a Doutrina Espírita e o serviço mediúnico são essencialmente distintos entre si.

Todos os encarnados são médiuns e antigos devedores uns dos outros.

...

Nunca destaques um gênero de mediunidade como sendo mais valioso que outro, sabendo, no entanto, que o exercício mediúnico exige especialização para produzir mais e melhores frutos e benefício de todos.

A mediunidade existe sempre como fonte de bênçãos, desde que exercida com devotamento e humildade.

...

No burilamento de faculdades mediúnicas, situa a feição fenomênica no justo lugar para não te distraíres com superfluidades inconsequentes.

O aspecto menos importante da mediunidade reside no próprio fenômeno.

...

Relaciona-te pois, com o fenômeno quando ele venha a surgir espontaneamente em tarefas ou reuniões que objetivem finalidades mais elevadas, que não o fenômeno em si, usando equilíbrio e critério na aceitação dos fatos.

A provocação de surpresas em matéria de mediunidade não raro gera a perturbação.

...

Jamais perca a esperança ou a paciência no trato natural com os nossos irmãos enfermos, especialmente quando médiuns sob influenciação inferior, para que se positive a assistência espiritual desejável.

Quem aguarda em serviço o socorro da Divina Providência, vive na diretriz de quem procura acertar.

...

Mobiliza compreensão, tato e paciência para equacionar os problemas que estejam subjugando os enfermos desencarnados, elucidando-os com manifesta indulgência quanto à Realidade Maior no que tange ao fenômeno da morte, ao intercâmbio mediúnico, ao corpo espiritual e a outras questões afins.

A palavra indisciplinada traumatiza quem ouve.

...

Analisa com prudência as comunicações dos espíritos sofredores, segundo a inspiração do amor e a segurança da lógica, aquilatando-lhes o valor pelas lições que propiciem inequivocamente a nós mesmos.

O bom senso é companheiro seguro da caridade.

...

Compenetra-te dos teus deveres sagrados, sabendo que o medianeiro honesto para consigo mesmo, chega à desencarnação com a mediunidade gloriosa, enquanto que o medianeiro negligente atinge o rio da morte com a tortura de quem desertou da própria responsabilidade.

A mediunidade não se afasta de ninguém, é a criatura que se distancia do mandato mediúnico que o Plano Superior lhe confere.

Capítulo 15 do livro Opinião Espírita

25 junho 2020

Bem-Aventurados os Aflitos

Aflição. Agonia, atribulação, angústia, sofrimento. Na essência, é o reflexo intangível do mal forjado pela criatura que o experimenta. Frequentemente, aflição é a nossa própria ansiedade, respeitável mas inútil, projetada no futuro, mentalizando ocorrências menos felizes que, em muitos casos, não se verificam como supomos e, por vezes, nem chegam a surgir. (Equipe FEB, 1997)

As causas das aflições devem ser procuradas tanto no presente (atual encarnação) como numa existência passada. Devemos partir do princípio de que elas são justas. Se assim não pensarmos, poderemos cair no erro de jogar a culpa nos outros ou em Deus. Quer dizer, tudo o que se nos acontece tem um motivo, embora nem sempre o saibamos explicar com clareza. Assim, diante de um sofrimento, consultemos friamente a nossa consciência: Se eu tivesse, ou não tivesse, feito tal coisa eu não estaria em tal situação".

Suicídio, mortes prematuras, doenças prolongadas, tuberculose, Aids etc. são alguns exemplos de dor e sofrimento. Ao morrer um jovem e não um velho, dizemos que Deus é injusto, e nos revoltamos contra Ele. Esquecemo-nos de que a morte é preferível aos desregramentos vergonhosos que desolam as família honradas, partem o coração da mãe, e fazem, antes do tempo, branquear os cabelos dos pais. (Kardec, 1984, cap. 5, it. p. 85 a 87)

Melancolia, Infelicidade, remorso, tormentos e apatia são alguns dos estados de nossa alma. Em se tratando da melancolia, podemos sentir uma vaga tristeza que se apodera de nossos corações e achamos a vida tão amarga. É que o nosso Espírito aspira à felicidade e à liberdade e que, preso ao corpo que lhe serve de prisão, se extenua em vão esforços para dele sair. Mas vendo que são inúteis, cai no desencorajamento  e na languidez. (Kardec, 1984, cap. 5, it. 25, p. 90)

A dor não é castigo: é contingência inerente à vida, cuja atuação visa a restauração e o progresso. A dor-expiação é cármica, de restauração, é libertação de carga que nos entrava a caminhada; é reajuste perante a vida, reposição da alma no roteiro certo. Passageira, nunca perene. A dor-evolução, tem existência permanente, embora variável segundo as experiências vividas pelo espírito.  Ela acompanha o desenvolvimento, é sua indicação, é sinal de dinamização, inevitável manifestação de crescimento. 

"Saibamos sofrer e sofreremos menos". Eis o dístico que devemos nos lembrar em todos os estados depressivos de nossa alma, a fim de nos fortalecermos para o futuro. 

Bibliografia Consultada 

CURTI, R. Bem-Aventuranças e Parábolas. São Paulo, FEESP, 1982.

EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro, FEB, 1995.

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo, Edições Paulinas, 1983.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.

XAVIER, F. C. Ação e Reação, pelo Espírito André Luiz. 5. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1976.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/bem-aventurados-os-aflitos




21 abril 2020

Tiradentes

"Tiradentes" era o apelido atribuído a Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), um dos líderes da Inconfidência Mineira, e o único a receber a pena capital (morte pela forca). Considerado um herói nacional por ter lutado pela independência do Brasil, num período em que o Brasil sofria o domínio e exploração portuguesa.

O Espírito Irmão X, no capítulo XIV "A Inconfidência Mineira", do livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, esclarece-nos a respeito desse episódio da história econômica e política brasileira.

Por esse tempo, o Brasil sofria o máximo de vexames... "Os padres queriam todo o ouro das minas, para a edificação das suas igrejas suntuosas; os membros da magistratura consideravam de necessidade enriquecer-se, antes de regressarem a Portugal, com opulentas aquisições; os agentes do fisco executavam as determinações da corte de Lisboa, árvore farta e maravilhosa, onde todos os parasitas da nobreza iam sugar 84 a seiva de pensões extraordinárias e fabulosas".

Havia muitos brasileiros, que estudavam na França, e de lá vinham abarrotados dos princípios filosóficos de Rousseau e dos enciclopedistas. Sentem-se compenetrados de que poderiam tomar as rédeas dos seus próprios destinos. Iniciam-se os esboços da conspiração.

Dos vários encontros realizados para tal finalidade, escolheu-se a personalidade de Tiradentes para ser o líder do movimento. Os desejos de liberdade foram vetados por autoridades portuguesas tão logo ficaram sabendo do ocorrido, mandando imediatamente extinguir a figura que se sobressaia nas ditas articulações.

Tiradentes entrega o espírito a Deus em 21 de abril de 1792. Mas, nesse momento, Ismael recebia em seus braços carinhosos e fraternais a alma edificada do mártir. Eis, as suas palavras:

"— Irmão querido — exclama ele — resgatas hoje os delitos cruéis que cometeste quando te ocupavas do nefando mister de inquisidor, nos tempos passados. Redimiste o pretérito obscuro e criminoso, com as lágrimas do teu sacrifício em favor da Pátria do Evangelho de Jesus. Passarás a ser um símbolo para a posteridade, com o teu heroísmo resignado nos sofrimentos purificadores". 

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Joaquim José da Silva Xavier (1746-21/04/1792) nasceu em São João del Rei. Órfão de mãe desde os 9 anos e de pai a partir dos 11, é criado pelo padastro em Vila Rica, atual Ouro Preto. Exerceu os ofícios de tropeiro, minerador e dentista - de onde vem o apelido Tiradentes. Entra na conspiração depois de se tornar alferes (o equivalente a soldado na época) do Regimento dos Dragões de Minas Gerais.

Como não era promovido, por não ter relação com a aristocracia local, passa a fazer parte da Inconfidência Mineira após conhecer Domingos Barbosa e José Alvares Maciel, dois outros integrantes do movimento, no Rio de Janeiro. Adere ao movimento com muita impetuosidade, liderando e organizando-o até ser preso, em 1789, data em que a conspiração foi descoberta. O processo arrasta-se até 1792. No dia 21 de abril daquele ano foi executado em praça pública.  

O Espírito Humberto de Campos, no capítulo 29 "Tiradentes", do livro Crônicas do Além-Túmulo, tenta extrair algumas opiniões do Espírito Tiradentes, amante da liberdade. Por isso, lutou contra o despotismo. 

 

01 abril 2020

Louco! Esta Noite Pedirão tua Alma

O texto evangélico: E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; E arrazoava ele entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? (Lucas 12:16-20)

A massificação das informações sobre o coronavírus (Covid-19) está atormentando todos os viventes deste planeta. A maioria das pessoas, de semblantes tristes, sentem mais de perto o medo da morte. E se Deus houvesse por bem nos tirar a vida, como está expresso no texto acima? Estamos preparados para o desencarne? O que nos espera no além-túmulo?

Allan Kardec, no capítulo II ("Temor da Morte"), do livro O Céu e o Inferno, analisa as causas do temor da morte e a razão de os espíritas não a temerem. O temor é consequência do instinto de conservação. À medida que o ser humano vai penetrando mais amiudamente na compreensão da vida futura, o temor vai diminuindo, pois uma vez conhecida a sua missão na terra, aguarda-lhe o fim calma, resignada e serenamente.

"A certeza de reencontrar seus amigos depois da morte, de reatar as relações que tivera na Terra, de não perder um só fruto de seu trabalho, de engrandecer-se incessantemente em inteligência, perfeição, dá-lhe paciência para esperar e coragem para suportar as fadigas transitórias da vida terrena. A solidariedade entre vivos e mortos faz-lhe compreender a que deve existir na Terra, onde a fraternidade e a caridade têm desde então um fim e uma razão de ser, no presente como no futuro".

Ao tratar de por que os espíritas não temem a morte, enfatiza que a Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva da vida futura, que não é uma quimera, mas o resultado da observação. Não foram os homens que a descobriram por suas pesquisas, mas, sim, os próprios habitantes do além que vieram relatar a dinâmica do mundo espiritual. Há, assim, Espíritos de todo o grau de evolução. Isso fornece ao espírita estímulos de serenidade nos últimos momentos de sua passagem terrena. 

Para os espíritas, a alma não é uma abstração. Ela tem um corpo espiritual, uma individualidade que acompanha a trajetória de sua evolução, pois a passagem para outra dimensão apenas muda a nossa vestimenta, mas os nossos conhecimentos e as nossas ações continuam intactos em nós, dando-nos condições de habitar regiões mais felizes ou menos felizes dependendo do que fizemos com o tempo que nos foi concedido viver aqui.




26 março 2020

Número e Fatalidade

Allan Kardec, na Revista Espírita de julho de 1868, discorre sobre uma pergunta que lhe foi feita várias vezes: o que você pensa sobre a concordância dos números, e se acredita no valor dessa ciência. Começa a sua análise, dizendo que ainda não tinha pensado no assunto. Observara alguns fatos de concordâncias singulares entre as datas e certos acontecimentos, mas em pequeníssimo número para deles tirar uma conclusão mesmo aproximativa.

Não via razão para tal concordância, mas o fato de não se compreender alguma coisa não significa que não seja verdadeira. Essa correlação pode ser traduzida por números. Contudo, não podemos dar-lhe o nome de ciência. "Uma ciência é um conjunto de fatos bastante numerosos para deles deduzir a regras, e suscetíveis de uma demonstração; ora, no estado de nossos conhecimentos, seria de toda impossibilidade dar dos fatos desse gênero uma teoria qualquer, nem nenhuma explicação satisfatória. Não é, ou, querendo-se, não é ainda uma ciência, o que não implica em sua negação".

Devemos estudar os fatos segundo a duração relativa. Em se tratando dos astros, os termos de comparação variam segundo os mundos, porque fora dos mundos o tempo não existe: não há unidade para medir o infinito. "Não parece, pois, que possa aí haver uma lei universal de concordância para a data dos acontecimentos, uma vez que a suposição da duração varia segundo os mundos, a menos que não haja, sob esse aspecto, uma lei particular para cada mundo ligada à sua organização, como delas há uma para a duração da vida de seus habitantes".

Caso essa lei realmente exista, ela será um dia reconhecida pelo Espiritismo, que é progressista e assimila todas as verdades, quando elas são constatadas. Tendo esta questão sido posta aos Espíritos, foi respondido:

"Certamente, há no conjunto dos fenômenos morais, como nos fenômenos físicos, relações fundadas sobre os números. A lei da concordância das datas não é uma quimera; é uma daquelas que vos serão reveladas mais tarde, e vos darão a chave de coisas que vos parecem anomalias; porque, crede-o bem, a Natureza não tem caprichos; ela caminha sempre com precisão e infalivelmente. Essa lei, aliás, não é tal como a supondes; para compreendê-la em sua razão de ser, seu princípio e sua utilidade, vos será preciso adquirir ideias que ainda não possuis, e que virão com o tempo. Para o momento, esse conhecimento seria prematuro, razão por que ele não vos é dado; seria, pois, inútil insistir. Limitai-vos a recolher os fatos; observai sem nada concluir, de medo de vos enganar. Deus sabe dar aos homens o alimento intelectual à medida que estão em estado de suportá-lo. Trabalhai sobretudo pelo vosso adiantamento moral, é o mais essencial, porque será por aí que merecereis possuir novas luzes."

Na Natureza, muitas coisas estão subordinadas a leis numéricas, suscetíveis dos mais rigorosos cálculos, principalmente o das probabilidades. É certo, pois, que os números estão na Natureza e que as leis numéricas regem a maioria dos fenômenos da ordem física. Ocorre o mesmo com os fenômenos de ordem moral e metafísica? Se os acontecimentos que decidem a sorte da Humanidade têm seus vencimentos regulados por uma lei numérica, é a consagração da fatalidade, e, então, em que se torna o livre-arbítrio do homem?

O Espiritismo jamais negou a fatalidade de certas coisas, mas ela não entrava o livre-arbítrio. Vejamos dois exemplos: 1) o ser humano deve fatalmente morrer; mas se ele apressa voluntariamente a sua morte pelo suicídio ou por excessos, ele age em virtude de seu livre-arbítrio; 2) o ser humano deve comer para viver: é da fatalidade; mas se come além do necessário, pratica ato de liberdade. A Natureza tem suas leis fatais que opõem ao homem uma barreira, mas ao lado da qual pode se mover à vontade.

"O homem pode, pois, ser livre em suas ações, apesar da fatalidade que preside ao conjunto; é livre em uma certa medida, no limite necessário para lhe deixar a responsabilidade de seus atos; se, em virtude dessa liberdade, ele perturba a harmonia pelo mal que faz, se coloca um ponto de parada à marcha providencial das coisas, ele é o primeiro a sofrer por isto, e como as leis da Natureza são mais fortes do que ele, acaba por ser arrastado na corrente; ele sente, então, a necessidade de reentrar no bem, e tudo retoma o seu equilíbrio; de sorte que o retorno ao bem é ainda um ato livre, embora provocado, mas não imposto, pela fatalidade".

Fonte de Consulta 

KARDEC, Allan. Revista Espírita de 1968, "A Ciência da Concordância dos Números e a Fatalidade"