18 setembro 2025

Atenção e Concentração

A atenção e a concentração são duas atitudes relevantes para a aprendizagem e o desempenho nas diversas atividades do dia a dia. São dois processos mentais relacionados, mas não idênticos.

Atenção. Em sua acepção mais geral é a "direção especial do espírito a um objeto". É por ela que exercitamos a capacidade de selecionar, entre vários estímulos, aqueles que merecem foco no momento. Concentração. É a manutenção da atenção em um único objeto, tarefa ou pensamento por um período prolongado de tempo.

Há muitos fatores — de ordem interna e externa — que influenciam a atenção e a concentração. Internamente, temos: motivação, falta de interesse pela atividade, estado emocional... Externamente, citamos: ambiente silencioso ou barulhento, organização do espaço, estímulos visuais...

Para que possamos melhorar a atenção e concentração, devemos adotar algumas estratégias, tais como, criar um ambiente adequado (silencioso, organizado), praticar técnicas de respiração profunda, dormir bem e manter alimentação equilibrada, definir metas claras e objetivas para cada tarefa.

Em termos espirituais e mediúnicos, José Herculano Pires, no capítulo 7, de seu livro Mediunidade, diz-nos que a concentração dos pensamentos numa reunião mediúnica não corresponde ao tipo de concentração individual de uma pessoa num determinado problema a rever ou num estudo a fazer. Trata-se de uma concentração coletiva de pensamentos voltados para um mesmo alvo, por exemplo, Jesus. Nesse sentido, a concentração não deve ser forçada, mas tão logo o pensamento se desvia para outros rumos, faz-se que ele retorne suavemente à ideia centralizadora.

A capacidade de se alhear do mundo externo, isto é, de se concentrar, é o primeiro passo no processo de desenvolvimento mediúnico. Para tanto, deve o médium aguçar o interesse e o entusiasmo, fortalecendo a vontade. O estudo da Doutrina Espírita, a utilização da prece e a disposição de nunca estar ocioso aumentam sobremaneira esse poder de concentração, possibilitando o direcionamento dos pensamentos às esferas superiores do mundo espiritual.

06 setembro 2025

Dai a César o que é de César

Dai a César o que é de César” é um subtema do capítulo XI — “Amar o Próximo como a Si Mesmo”, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Eis os demais itens: O Maior Mandamento — Instruções dos Espíritos: — A Lei de Amor — O Egoísmo — A Fé e a Caridade — Caridade com os Criminosos. Este assunto pode ser relacionado ao dinheiro, à riqueza, à autoridade, ao poder e à política.

O texto evangélico. Então, retirando-se os fariseus, projetaram entre si comprometê-lo no que falasse. E enviaram-lhe seus discípulos, juntamente com os herodianos, que lhe disseram: Mestre, sabemos que és verdadeiro, e não se te dá de ninguém, porque não levas em conta a pessoa dos homens; dize-nos, pois, qual é o teu parecer: é lícito dar tributo a César ou não? Porém Jesus, conhecendo a sua malícia, disse-lhes: Por que me tentais, hipócritas? Mostrai-me cá a moeda do censo. E eles lhes apresentaram um dinheiro. E Jesus lhes disse: De quem é esta imagem e inscrição? Responderam-lhe eles: De César. Então lhes disse Jesus: Pois dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E quando ouviram isto, admiraram-se, e deixando-o se retiraram. (Mateus, XXII: 15-22). (Marcos, XII: 13-17).

Um esclarecimento inicial. A frase “Dai a César o que é de César” não se refere a Júlio César (100 a.C. - 44 a.C.), mas sim ao imperador romano que governava no tempo de Jesus. Na época, o imperador era Tibério César (14 d.C. - 37 d.C.), sucessor de Augusto. A palavra “César” tinha se tornado um título usado pelos imperadores romanos (como mais tarde “Czar” ou “Kaiser”).

Para bem entendermos a frase proferida, devemos recuar no tempo e verificar o contexto histórico-político da época, em que o povo da Palestina estava sob o jugo romano. Jesus era um judeu, como os outros, mas tinha grupos que eram contrários ao seu pensamento: os fariseus e o herodianos. Ao ser indagado se devia pagar os impostos aos romanos, ficou numa encruzilhada: se negasse, era chamado de rebelde pelos romanos; se aceitasse, de traidor pelos judeus. O que fez? Pediu que lhe mostrasse uma moeda, na qual estava a efígie de César. Daí, disse: “Dai a César o que é de César”, e acrescentou “e a Deus o que é de Deus”.

acréscimo “e a Deus o que é de Deus” é uma frase lapidar, pois os governadores impunham o seu poder de forma arbitrária. A pregação de Jesus baseava-se na libertação do povo judeu. Por isso, respeitava o poder do momento — “dar a César o que é de César”, mas que os judeus não se esquecessem do reino dos céus, da vida espiritual, da verdadeira vida.

Em se tratando do aspecto religioso, Jesus Cristo compara o dinheiro ao deus Mamon, que compete com do Deus verdadeiro, enaltece o óbolo da viúva e profere a frase: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Seguindo os seus exemplos, os primeiros cristãos vendiam os seus bens e com o dinheiro arrecadado socorriam aos mais pobres em suas necessidades.

“A questão proposta a Jesus era motivada pela circunstância de haverem os judeus transformado em motivo de horror o pagamento do tributo exigido pelos romanos, elevando-o a problema religioso. Numeroso partido se havia formado para rejeitar o imposto. O pagamento do tributo, portanto, era para eles uma questão de irritante atualidade, sem o que, a pergunta feita a Jesus: "É lícito dar tributo a César ou não?", não teria nenhum sentido. Essa questão era uma cilada, pois, segundo a resposta, esperavam excitar contra ele as autoridades romanas ou os judeus dissidentes. Mas "Jesus, conhecendo a sua malícia", escapa à dificuldade, dando-lhes uma lição de justiça, ao dizer que dessem cada um o que lhes era devido”.

Esta máxima: "Dai a César o que é de César" não deve ser entendida de maneira restritiva e absoluta. Como todos os ensinamentos de Jesus, é um princípio geral, resumido numa forma prática e usual, e deduzido de uma circunstância particular. Esse princípio é uma consequência daquele que manda agir com os outros como quereríamos que os outros agissem conosco. Condena todo prejuízo moral e material causado aos outros, toda violação dos seus interesses, e prescreve o respeito aos direitos de cada um, como cada um deseja ver os seus respeitados. Estende-se ao cumprimento dos deveres contraídos para com a família, a sociedade, a autoridade, bem como para os indivíduos.

Se vivemos em sociedade devemos respeitar a lei dos homens, porém, sem jamais nos esquecermos de que Deus está no leme de tudo e de todos.