09 janeiro 2011

Anjos e Demônios

Anjo. Ser espiritual que exerce o ofício de mensageiro entre Deus e os homens. Desperta a ideia da perfeição moral. Frequentemente aplicada a todos os seres, bons e maus, que não pertencem à Humanidade. Demônio.  Na Antiguidade, era gênio inspirador, bom ou mal, que presidia o caráter e o destino de cada indivíduo. Nas religiões judaicas e cristãs, anjo mau que, tendo-se rebelado contra Deus, foi precipitado no Inferno e procura a perdição da humanidade. Ainda: gênio ou representação do mal; espírito maligno, espírito das trevas, Lúcifer, Satanás, Diabo. 


Na Antiguidade, o demônio era usado para designar os espíritos dos falecidos. Os filósofos gregos o elevou à esfera do divino, por isso o daimon socrático. O termo "demônio" não é citado no Antigo Testamento, onde só aparece, nos últimos livros. Com a vinda dos romanos, o Daimon grego passa a ser o Diabolus romano. Na Baixa Idade Média, o Diabolus romano ganha força. Como o Diabolus romano era um "espírito mau", passou a designar o espírito mau hebraico, Satã. Para explicar a sua presença como tentador do mundo, os padres da Igreja recorreram à lenda da revolta do anjo Azazel, dos Livros de Enoque, que eram apócrifos. (Sampaio, 1976)

A hierarquia celeste é constituída por nove ordens de anjos agrupados em disposições ternárias. A primeira é a dos Serafins, dos Querubins e dos Tronos; a segunda é a das Dominações, das Virtudes e das Potestades; a terceira, a dos Principados, dos Arcanjos e dos Anjos. Essa doutrina foi aceita por S. Tomás e adotada por Dante no Paraíso. (Abbagnano, 1970) 

Na Idade Média surge a Demonologia, ciência dos demônios, cujo objetivo era fazer um tratado sobre os demônios. Lúcifer-Satã-Diabo-Demônio, ao cair, levou muitos consigo. 19 anjos principais e uns 200 liderados que teriam “caído”. A 1.ª medida da demonologia foi o recenseamento do Inferno, no sentido de estabelecer o número de demônios que ali habitavam. Foram contados 7.045.926 demônios. Havia também movimentos políticos no inferno. Satã, o diabo grosseiro, da luxúria e da gula, dos defeitos capitais dá um golpe de estado, depondo lúcifer do comando. (Sampaio, 1976)

Este tema "Anjos e Demônios" encontra-se nas perguntas 128 a 131 de O Livro dos Espíritos, do qual extraímos as seguintes notas: 
"A palavra anjo desperta geralmente a ideia da perfeição moral; não obstante, é freqüentemente aplicada a todos os seres, bons e maus, que não pertencem à Humanidade. Diz-se: o bom e o mau anjo; o anjo da luz e o anjo das trevas; e nesse caso ele é sinônimo de Espírito ou de gênio. Tomamo-lo aqui na sua boa significação".

Os anjos percorrem todos os graus. " Mas, como já dissemos: uns aceitaram a sua missão sem murmurar e chegaram mais depressa; outros empregaram maior ou menor tempo para chegar à perfeição".

"Se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus. E Deus seria justo e bom, criando seres infelizes, eternamente voltados ao mal?"

"A palavra demônio não implica a ideia de Espírito mau, a não ser na sua acepção moderna, porque o termo grego daimonde que ele deriva, significa gênio, inteligência, e se aplicou aos seres incorpóreos, bons ou maus, sem distinção." Seria mais prudente ligar a palavra "demônio aos  Espíritos impuros. 

Os anjos e os demônios significam respectivamente os bons e os maus Espíritos. Eles estão sempre ao nosso derredor. Saibamos elevar os nossos pensamentos por meio da prece e da prática da caridade para que os bons venham ao nosso encontro e os maus sejam rechaçados.

ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.

SAMPAIO, Fernando G. A História do Demônio: da Antiguidade aos nossos Dias. Porto Alegre: Garatuja, 1976.
Apresentação em PowerPoint

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