28 novembro 2019

Divindade de Jesus Cristo

O que é divindade? Como entender a divindade de Cristo? Divindade. Designa tudo o que é sobrenatural ou superior ao homem, podendo ser pessoal ou impessoal. É uma noção mais que a de Deus. A sua universalidade se manifesta na oposição entre o sagrado e o profano. Em se tratando de Jesus Cristo, temos de separar o Cristo histórico do Cristo religioso ou dogmático.

Para entendermos a divindade de Cristo, temos que nos reportar à história e recuarmos até Ário (256?-336 d.C.), um sacerdote de Alexandria, no Egito que, por volta de 318 d.C., contesta a doutrina segundo a qual as três Pessoas da Santíssima Trindade Cristã — o Pai, o Filho e o Espírito Santo — são iguais. Para Ário, Deus, o Pai, estava acima do Filho, Jesus Cristo, e ambos estavam acima do Espírito Santo.

De Ário, advém arianismo. O arianismo é a antiga doutrina teológica cristã, ensinada por Ário aos seus seguidores, e que refuta a divindade de Cristo. Dizia que Cristo é Filho de Deus, portanto, colocado numa hierarquia inferior, embora pudéssemos vê-lo como o mais perfeito dos seres humanos. Em 325, sob a gestão do imperador romano Constantino, o Concílio de Niceia condenou como hereges os ensinamentos de Ário, afirmando que Jesus era completamente divino. Em 381, o Concílio de Constantinopla considerou o arianismo uma heresia, e essa doutrina desapareceu rapidamente no Império Romano.

Allan Kardec, em Obras Póstumas, no item "Estudo da Natureza de Cristo", faz vários questionamentos sobre a divindade de Cristo: ela é provada pelos milagres? Ela é provada por suas palavras? Para mais detalhes, convém consultar o referido capítulo.

Gostaria de destacar dois parágrafos, extraídos da página 131, que sintetizam o entendimento da divindade de Cristo.

"Se o concílio de Niceia, que se constitui em fundamento da fé católica, fosse conforme ao espírito de Cristo, para que o anátema final? Não é isto a prova de que ele é a obra das paixões dos homens? A que foi devida a sua adoção? À pressão do imperador Constantino, que fez dele uma questão mais política que religiosa. Sem ordem sua não se teria realizado o concílio de Niceia e sem a sua intimidação seria mais que provável o triunfo do arianismo".

"Dependeu pois da autoridade soberana de um homem, que não pertencia à Igreja, que reconheceu mais tarde a falsa política seguida, e que em vão procurou emendá-la, conciliando os partidos, não sermos hoje arianos, em lugar de católicos, e não ser hoje o arianismo a ortodoxia e o catolicismo a heresia".

Fonte de Consulta

Enciclopédia Delta Universal

KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução de João Teixeira de Paula. Revisão, Introdução e notas de José Herculano Pires. 14.ed., São Paulo: Lake, 2007.



19 novembro 2019

Ficção Científica

Ficção. Do latim ficti, significa modelar, representar, preparar, imaginar, disfarçar, supor. Exemplo: ficti dei (falsos deuses). Em seu sentido filosófico, é uma construção elaborada pela imaginação em que uma pessoa acredita poder resolver um problema real (metafísico, lógico, moral ou psicológico). Ficção científica. Normalmente abreviado como SF, FC, sci-fi ou scifi, é um gênero, literário ou cinematográfico, que antecipa o futuro por meio da representação fictícia do universo.

Os assuntos preferidos pela ficção científica são: viagem espacial, viagem no tempo, viagem mais rápida que a luz, universos paralelos, mudanças climáticas, totalitarismo, vida extraterrestre etc. Entre os autores mais famosos de ficção científica, temos: Isaac Asimov (1920-1992) [ “Nós robôs”], Ray Bradbury (1920-) [“Crônicas Marcianas”, “Fahrenheit 451”], Arthur C. Clarke (1917-2008) [“Odisseia no Espaço”], Aldous Huxley (1894-1963) [“Admirável Mundo Novo”], Ursula K. Le Guin (1929-) [“The Dispossessed”] e Júlio Verne (1828-1905) [“Viagem ao centro da Terra”, “Vinte Mil Léguas Submarinas”]. (https://conceito.de/ficcao-cientifica)

Alguns livros (filmes)

  • 1984. Há um Estado totalitário que zela por todos. Cada indivíduo, nascido de proveta, têm comportamento pré-condicionado e ocupa lugar pré-determinado. Cada usuário é abastecido com a droga "soma".  
  • Admirável Mundo Novo. Será admirável o mundo novo? A quem interessa essa sociedade que enaltece a máquina e reprime o espírito? Qual o lugar do ser humano numa sociedade dominada pelo Estado, pela máquina? O que pode acontecer ao indivíduo que quer caminhar com os próprios pés?
  • Fahrenheit 451. Depois de queimados todos os livros físicos, queimariam também as pessoas que os tivessem alojados em suas memórias?
  • Lucy. Trata da capacidade do cérebro. A droga, derramada em seu estômago, dá-lhe poderes sobre-humanos, telecinesia, ausência de dor e a possibilidade de adquirir conhecimento instantaneamente.

Comentário sob a ótica espírita.

  • Sobre o totalitarismo. De acordo com a Doutrina Espírita, fomos criados simples e ignorantes com a incumbência de conquistar a perfeição. Perfeição significa pensar com mais liberdade, agir com mais liberdade. Nesse caso, o totalitarismo não faz sentido. 
  • Sobre a sociedade sem livros. Dado o avanço da informática, é difícil imaginar uma sociedade sem livros: talvez não precisamos tanto do papel, mas o livro estará no computador, na forma digital. 
  • Sobre o desenvolvimento do cérebro e a mediunidade. Os Espíritos, ao usarem o cérebro do médium, não tiram as ideias dos médiuns, mas o material que podem formalizar as ideias a serem transmitidas.   

Allan Kardec, no capítulo XVI ("Teoria da Presciência") de A Gênese, trata do problema do conhecimento do futuro. Primeiramente, vale-se de uma comparação: suponha um homem no pé da montanha e outro no topo. O do topo vê todo o caminho futuro, enquanto o debaixo não. Depois, ensina-nos que a capacidade de conhecer o futuro depende do grau de evolução do ser encarnado. Ainda: o futuro pode ser conhecido, mas deve ser revelado? Os Espíritos advertem-nos que o futuro não deveria ser revelado para atender à vã curiosidade, mas para atender a um fim útil e sério.




Física Quântica

"Uma nova verdade científica não triunfa convencendo seus oponentes e fazendo-lhes enxergar a luz, e sim porque... uma nova geração cresce familiarizada com ela." (Max Planck)

Energia. Para os gregos, energia significa atividade. Pode mudar de forma, mas nunca é criada nem destruída. Ela é conservada: o total de energia no Universo continua sempre o mesmo. Física. Do grego "physis", natureza. É a ciência que estuda os fenômenos naturais suscetíveis de observação e experimentação. Liga todas as outras ciências. Seu objetivo é explicar a natureza do Universo (do subatômico às galáxias). Quanta. No início do século XX, quando os físicos estavam começando a dissecar o átomo e a entender a natureza da luz, Max Planck cunhou o termo "quanta" para documentar que a energia flui em pequenos pacotes e não como um contínuo. Física quântica. É um ramo de conhecimento que tem por objeto o estudo dos fenômenos que acontecem com as partículas atômicas e subatômicas.

Para entendermos este assunto, devemos nos reportar, primeiramente, à mecânica clássica de Newton. Newton estava preocupado com as forças da gravidade, os movimentos orbitais dos planetas ao redor do Sol, o funcionamento da galáxia etc. Sua escala de observação era macroscópica. Outros cientistas, porém, queriam penetrar no íntimo da matéria, no átomo, no microscópio, no mundo dos pequenos, e a física deste estudo denominou-se física quântica.

A principal dificuldade no estudo dos fenômenos subatômicos é que eles não possuem a regularidade de um relógio. A luz, por exemplo, comporta-se ora como onda ora como uma rajada de balas. Nesse caso, a física quântica é considerada uma "falsa teoria". Razão: a física quântica, ao contrário da clássica, é classificada como "não intuitiva", ou seja, determinadas coisas podem ser verdadeiras mesmo quando não aparentam ser.

John Polkinghorne, em seu livro Teoria Quântica, esclarece-nos que a teoria quântica não é um "vale tudo". Compará-la com as coisas do espírito (como exemplo, a telepatia) não é recomendável. "A dualidade onda-partícula é um fenômeno bastante surpreendente e instrutivo, cujo caráter aparentemente paradoxal foi solucionado para nós por meio das observações da teoria quântica de campos. Porém, ela não nos concede uma licença para ceder ao desejo de adotar qualquer par de noções de aparência contraditória que nos vier à imaginação. Como uma droga potente, a teoria quântica é maravilhosa quando aplicada de modo correto, mas desastrosa quando abusada e mal-aplicada" (página 109).

Ao explicar a relação entre física quântica e Espiritismo, Alexandre Fontes da Fonseca, professor de física no Departamento de Física da Faculdade de Ciências da UNESP, em Bauru, diz que são teorias distintas: a física quântica é uma teoria da matéria; o espiritismo é a ciência do espírito. Acrescenta que, pelo fato de a física quântica estudar os fenômenos que estão fora do senso-comum isso não nos dá credencial para aplicá-la aos fenômenos espíritas (considerados fora do senso-comum).

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Paralelos com a Física Quântica

No outono de 1997 um pequeno e seleto grupo de físicos, astrônomos e filósofos reuniu-se por cinco dias na residência do Dalai Lama nos contrafortes dos Himalaias, no norte da Índia, para discutir a interface de física quântica, cosmologia e budismo. Anton Zeilinger, um dos principais especialistas do mundo nos fundamentos experimentais de mecânica quântica, foi um participante destacado. Ele é mais conhecido por seus experimentos inovadores da Universidade de Innsbruck que demonstram o teletransporte quântico, ou transmissão de uma réplica exata de um estado quântico arbitrário para uma localidade distante.

Durante esse encontro, Zeilinger explicou ao Dalai Lama a dualidade onda-partícula de fótons únicos, o conceito de acaso objetivo na mecânica quântica e o mistério profundo da não-localidade. Para ilustrar um pouco da estranheza da física quântica, ele até levou um sistema em miniatura de medição quântica.

Nas conversas com o Dalai Lama, Zeilinger ficou intrigado com o fato de filósofos e budistas contemplativos, sem saberem nada de física moderna, terem concluído que nenhum fenômeno possui existência inerente e objetiva, independente dos meios pelos quais é apreendido. O Dalai Lama ficou igualmente fascinado por físicos quânticos, sem saberem nada de filosofia ou meditação budistas, conseguirem chegar a uma conclusão semelhante

Em resumo, conforme o Buda recomendou, busca-se chegar à realização de que "no que é visto existe apenas o que é visto; no que é ouvido, existe apenas o que é ouvido; no que é sentido, existe apenas o que é sentido; no que é conhecido, existe apenas o que é conhecido”.

Por mais interessantes que sejam essas teorias filosóficas e científicas, os físicos reconhecem que não foram capazes de submetê-las ao teste de experiência. Mais uma vez a tradição meditativa do budismo oferece aqui meios práticos de explorar o mundo da relatividade ontológica por meio de práticas contemplativas altamente avançadas.

Extraído de

WALLACE, B. Allan. Dimensões Escondidas: A Unificação de Física e Consciência. Tradução de Lúcia Brito. São Paulo: Petrópolis, 2009. Título original: Hidden Dimensions: The Unification of  Physics and Consciouness.

 




18 novembro 2019

Agêneres

Allan Kardec trata dos "agêneres" na Revista Espírita de 1859 (fevereiro). O ponto de partida é o aparecimento de mãos tangíveis. O problema levantado: duração da aparência corporal, que pode persistir por pouco ou muito tempo. Necessitando de um nome para caracterizar o fenômeno, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas cunhou o termo "agêneres", para indicar que sua origem não é o resultado de uma geração.

O que é, então, o agênere? É uma variedade de aparição tangível. É o estado de certos Espíritos que podem revestir momentaneamente as formas de uma pessoa viva, ao ponto de causar completa ilusão. Daí, a afirmação de que há agêneres e agêneres. Quer dizer, os agêneres são criaturas fisiologicamente não geradas como o normal dos encarnados. Essas podem se mostrar materializadas por longo período de tempo.

Convém sempre nos atermos ao princípio essencial da ciência espírita. Ao tratar do tema no artigo dessa revista, Allan Kardec diz:  "O agente dos fenômenos vulgares é uma força física, material, que pode ser submetida às leis do cálculo, ao passo que nos fenômenos espíritas esse agente é constantemente uma inteligência que tem vontade própria e que não se submete aos nossos caprichos".

Os agêneres têm relação com o docetismo. O docetismo é uma doutrina herética dos séculos II e III, que negava a existência do corpo de Jesus Cristo, admitindo apenas a existência do espírito. Poderíamos perguntar: Cristo foi um agênere? Para os docetas, sim. Contudo, há as pesquisas históricas que se fundamentam no Cristo humano, de carne e osso, como todos os Espíritos encarnados neste Planeta.

O docetismo, contudo, reapareceu na França. Pelas comunicações atribuídas a Moisés, João Batista, os Apóstolos e os Evangelistas, Jean Baptiste Roustaing, publica uma obra mistificadora, Os Quatro Evangelhos, condenada por Allan Kardec, mais ainda reverberada por alguns espíritas.



17 novembro 2019

Parábola das Dez Virgens

"A virgindade é bela não por caracterizar um jejum, mas por caracterizar uma prudência, uma vez que evita as artimanhas da natureza.” (Arthur Schopenhauer)

Parábola. História que se conta tendo como pano de fundo um ensinamento moral. Virgem. Mulher que se conserva em continência, que não teve cópula carnal; donzela. Pessoas isentas de corrupção no mundo.

Resumo da "Parábola das Virgens Prudentes e das Néscias". É a história de cinco virgens prudentes e cinco virgens néscias, todas à procura de um noivo. Caso este demorasse, haveria necessidade de azeite extra para a candeia. As prudentes levaram-no em suas bolsas; as néscias, não. (Mateus, 25, 1 a 13) Há muitas interpretações desta parábola, mas a maioria dos teólogos afirma que o Noivo é Cristo.

Esta parábola está inserida na última parte do capítulo 24, em que Jesus alerta sobre a separação entre os bons e os maus. No capítulo 25, esta separação é detalhada na Parábola das Dez Virgens (Mt. 25, 1-13), Parábola dos Talentos (Mt. 25, 14-30 e a Parábola da Separação das Ovelhas e dos Bodes (Mt. 25, 31-46)

Em sua prédicas, Jesus chamava a atenção para o Reino de Deus, reino este que não é deste mundo. Nesta parábola, o azeite pode ser comparado à provisão de conhecimento. Por que a porta se fecha aos néscios? A porta se fecha porque a fé dessas pessoas não tem conhecimento, não tem luz para ir além. Retrata as pessoas que se dizem retas, honestas, espiritualizadas, mas no fundo são contrárias daquilo que pregam. Podemos compará-las aos falsos Cristos e aos falsos profetas.

Observações sobre as virgens prudentes e as néscias: 1) as ordenações da prudência são:  precaução, estudo, pesquisa, reflexão, aprendizado da verdade; 2) quanto à virgindade: virgindade se refere à religiosidade. Há diferença entre ter religião e ser religioso. Ter religião não salva ninguém. Há necessidade de obras para entrar no Reino de Deus; 3) algumas virgens foram barradas à porta do Reino: a virgindade é uma condição necessária, mas não suficiente para entrar no Reino dos Céus. A virgindade deve estar ligada ao conhecimento que nos foi dado por Jesus Cristo.

Relacionemos esta parábola à vigilância. Devemos estar sempre atentos na busca da verdade, pois não sabemos o momento de nossa partida ao mundo dos Espíritos. É importante que, quando formos chamados, tenhamos cumprido os nossos deveres, não tenhamos perdido tempo em coisas supérfluas e que tenhamos principalmente a consciência tranquila.

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/par%C3%A1bola-das-dez-virgens



13 novembro 2019

Clichês Mentais

"A mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos." (Instrutor Albério)

Clichê. Chapa metálica que traz gravada em relevo uma imagem destinada a ser reproduzida para impressão de imagens e textos por meio de prensa tipográfica. Em sentido figurado, clichê é um chavão, repetido exaustivamente. Clichê mental. São ideias fixas sobre determinado ponto de vista. Elas ficam congeladas, cristalizadas em nossa mente.

Quando ingerimos alguns tipos de alimentos e bebidas alcoólicas, há uma mudança em nosso hálito, que as pessoas mais próximas de nós poderão detectar imediatamente. O mesmo ocorre com os "hálitos mentais", que serão determinados pelo teor de nossos pensamentos. Nesse sentido, nossas ideias são criações incessantes que se projetam no espaço e no tempo. As pessoas que se chafurdam no mal projetam de si pensamentos malsãos, os quais entram em sintonia com todos aqueles pensamentos dos indivíduos que se encontram na mesma faixa vibratória.

Para uma melhor compreensão do tema, vejamos as instruções do Espírito Emmanuel, expostas no capítulo 12 ("Família"), do livro Pensamento e Vida. Ele diz que tanto o homem primitivo quanto o homem civilizado permanecem longo tempo em suas relações familiares, até que a soma de suas aquisições o recomende a diferentes realizações. "A chamada hereditariedade psicológica é, por isso, de algum modo, a natural aglutinação dos Espíritos que se afinam nas mesmas atividades e inclinações".

Todos somos reféns dos nossos clichês mentais. Por que é tão difícil nos libertamos dos clichês negativos? Por ignorância e, também, pelo comodismo, por não querermos enfrentar o novo, o desconhecido. Contudo, um dia veremos tudo com um grau de consciência maior, porque a Lei do Progresso é compulsória. Quer queiramos ou não, teremos de evoluir, buscar a perfeição. Dica dos filósofos antigos: pense pela sua cabeça e não pela cabeça dos outros.

O Espírito André Luiz, em Ação e Reação (cap. 4, pp. 53 e 54), cita o caso de uma pessoa dominada pelo Satã. O instrutor disse: "É um clichê mental, criado e nutrido por ela mesma. As ideias macabras da magia aviltante, quais sejam as da bruxaria e do demonismo que as igrejas denominadas cristãs propagam, a pretexto de combatê-los, mantendo crendices e superstições, ao preço de conjurações e exorcismos, geram imagens como esta, a se difundirem nos cérebros fracos e desprevenidos, estabelecendo epidemias de pavor alucinatório".

Urge, assim, tomarmos consciência dos nossos clichês mentais, pois será mais fácil vencermos as criações mentais menos felizes.



Número e Espiritismo

Todos sabemos o que é o número. Sua conceituação, porém, cria muitos embaraços, pois ele não é uma entidade física, mas abstrata. Neste sentido, Frege define o número como a classe de todas as classes que estão em correspondência com uma dada classe (portanto também entre si). Em se tratando da sua origem, ela pode ser encontrada nos entalhes na fíbula (osso da panturrilha) de um babuíno, cerca de 35 mil anos atrás. Para Georges Ifran, em sua História Universal dos Algarismos, os primeiros algarismos foram inventados para substituir as pedras por objetos.

Há algumas explicações fantasiosas sobre a origem dos números. Eis algumas delas: 1) os formatos dos algarismos representam tantos ângulos quanto o numeral deve indicar; 2) os formatos dos algarismos apresentam tantos segmentos quanto o numeral deve indicar; 3) os numerais eram representados por pontos que posteriormente teriam sido ligados dando origem aos nove sinais conhecidos.

Depois de inventadas as letras, houve o desejo de relacioná-las aos números, ou seja, poder-se-ia escrever números por meio delas. O domínio mágico, porém, preocupou-se mais com a soma dos valores das letras do que as letras em si. Exemplo: o número 26 tornou-se um número divino para os judeus. YAHWEH (Y + H + W + H = 10 + 5 + 6 + 5 = 26).

O número 666 refere-se à besta do Apocalipse. O Espírito Emmanuel, em A Caminho da Luz (capítulo 14, página 128), dá-nos a seguinte explicação: o número 666 pode ser encontrado em: “VICARIVS GENERALIS DEL IN TERRIS”, “VICARIVS FILII DEI” e "DVX CLERI" que significam "Vigário-Geral de Deus na Terra", "Vigário do Filho de Deus" e “Príncipe do Clero". Somando os algarismos romanos encontrados em cada título papal, obterá 666 em cada um deles.

O Espírito Emmanuel, na pergunta 142 de O Consolador, deixa claro que números, à semelhança do sábado para Cristo, foram feitos para os homens, porém, os homens não foram criados para os números. Diz, também, que a astrologia e cartomancia têm sua importância relativa, contudo o Evangelho solicita o nosso esforço pessoal para a resolução dos problemas atinentes à nossa evolução espiritual, e caso tenhamos nascido num dia aziago, isso deve ser motivo para nos aplicarmos ainda mais, com mais determinação.




03 setembro 2019

Conflito

ConflitoDesigna contenda entre poderes opostos, muitas vezes marcada pela violência, chegando, em alguns casos, à luta armada. Conflito de deveres é quando, na sua moral aplicada, um mesmo ato parece ao mesmo tempo legítimo e ilegítimo. Kant fala-nos do "conflito da razão consigo mesma", mostrando-nos a contradição que a razão experimenta no esforço que faz para encontrar nos fenômenos um incondicional de que dependeriam todos os condicionados. Conflito específico. Diz respeito às doenças psicossomáticas, reflexos de nossa estrutura espiritual construída desarmonicamente em vidas passadas.

Na psicologia, o conflito baseia-se nos fenômenos de recalcamento, principalmente na oposição entre o consciente e o inconsciente. Freud, nos seus estudos psicanalíticos, elucida-nos sobre as três forças da personalidade: nossos impulsos biológicos (o id), as ordens e proibições da sociedade (o superego) e as várias maneiras em que aprendemos a satisfazer o primeiro enquanto regulamos o segundo (o ego). Queremos fazer algo, mas sabemos que não podemos ou não devemos. Há um conflito, e temos que tomar uma decisão.

Nem todos os conflitos são negativos; eles também podem ser positivos, pois podem contribuir para o crescimento de pessoas, grupos e coletividades. Desde a Antiguidade, os cientistas e os filósofos divergem muito sobre essa positividade ou negatividade. Os estudos realizados ao longo do tempo podem ser postos em dois campos: 1) como fenômeno patológico (Émile Durkheim e Talcott Parson); 2) formas normais de interação (Hegel, Marx).

O conceito de conflito é muito amplo, pois diz respeito a todos os nossos relacionamentos pessoais e interpessoais. Por isso, devemos conviver com eles, tentando canalizá-los para um fim altruísta, no sentido de diminuir os custos da vida humana. As sociedades abertas têm mais chance de chegar a um acordo harmonioso como decorrência de um conflito. Nas sociedade rígidas, a tarefa é mais árdua e, às vezes, pode resultar em guerra.

Conflito entre religião e ciência. O Espírito Emmanuel, no capítulo 27 "Os Dogmas e os Preconceitos", de Emmanuel, diz: "A ciência criou a academia, e a religião sectarista criou a sacristia; uma e outra, abarrotada de dogmas e preconceitos, repelindo-se como polos contrários, dentro dos seus conflitos têm somente realizado separação em vez de união, guerra em vez de paz, descrença em vez de fé, arruinando almas e afastando-as da luz da verdadeira espiritualidade".




09 agosto 2019

Franco, Divaldo Pereira

Divaldo Pereira Franco é médium e conferencista espírita. Nasceu em 5 de maio de 1927, na cidade de Feira de Santana, na Bahia.

Divaldo Franco, juntamente com Nilson de Souza Pereira, Tio Nilson, para atender as crianças carentes da região, fundou a Mansão do Caminho no dia 15 de agosto de 1952, Em mais de quarenta anos, cerca de 680 crianças e jovens residiram nesses lares substitutos, até a emancipação. Uma grande parte deles constituiu família, mantendo seus lares com edificação, trabalhando dignamente, cada qual na área escolhida.

Sua conversão ao Espiritismo se deu da seguinte forma: abalado pela morte de seu irmão mais velho, e não encontrando amparo médico, recebe ajuda de dona Ana Ribeiro Borges, que o conduziu à Doutrina Espírita.

O seu trabalho de psicografia começou em 1947, em que diversas mensagens foram escritas por seu intermédio. Depois de algum tempo, os Benfeitores espirituais pediram para rasgá-las, pois não passava de simples exercício. Dentre os Espíritos comunicantes, Joanna de Ângelis revelou-se como sua orientadora espiritual, escrevendo inúmeras mensagens, que conforta as pessoas necessitadas de diretriz espiritual.

Em sua trajetória doutrinária, proferiu palestras por diversas cidades brasileiras e muitos países. Destaca-se o título de Doutor Honoris Causa em Humanidades pela Universidade do Canadá. Até 2010, havia publicado 290 obras.

Por ocasião do Movimento Você e a Paz, idealizado por Divaldo, o querido irmão tem visitado, há dez anos, os bairros populosos da cidade do Salvador, levando-lhes a mensagem preciosa da paz. Esse movimento está sendo propagado, com brilhantismo, em vários países da Europa, tais como: Portugal, França e Espanha, nos Estados Unidos e Paraguai, levando, desta maneira, a proposta urgente da paz a todas as nações.

Fonte de Consulta

http://www.mansaodocaminho.com.br/divaldo-franco/




29 julho 2019

Contradições e Mistificações

Contradição significa dizer uma coisa e sua negação. A contradição está sempre no discurso, na opinião, nunca no mundo real. A realidade é o que é, independentemente de nosso julgamento. Dizer que o círculo é quadrado é uma contradição, pois o círculo real é redondo. Nas obras de Hegel e Marx, uma contradição é um par de características que produzem conjuntamente uma tensão instável num sistema político ou social.

Na Doutrina Espírita, a contradição refere-se à divergência de opiniões em torno dos fenômenos mediúnicos. Muitos detratores do Espiritismo baseiam-se nas contradições dos Espíritos para denegrir os fundamentos doutrinários. Para bem entender o assunto, temos que nos identificar com a natureza do mundo invisível. Os Espíritos não pensam da mesma maneira em virtude da infinidade de graus de evolução. Talvez, o mais importante é detectar as causas dessas contradições: ignorância de certos Espíritos, velhacaria, insuficiência da linguagem humana e dos meios de comunicação para o Espírito transmitir todo o seu pensamento.

Os Espíritos superiores não se contradizem. As mensagens podem ser diferentes conforme as pessoas e os lugares. Assim sendo, a contradição é apenas aparente, pois baseia-se nas palavras e não no pensamento. Além do mais, os Espíritos superiores empregam linguagem diferente sobre o mesmo tema, por que não é conveniente atacar bruscamente os preconceitos, com vistas de não perder o ouvinte. Falam de acordo com a opinião do grupo, procurando levá-los pouco a pouco à verdade. Ainda: precisamos aprofundar as respostas e meditá-las longa e seriamente; é todo um estudo que se tem a fazer. É preciso tempo para isso, como para tudo o mais.

mistificação refere-se aos Espíritos enganadores e àqueles que tomam o nome de pessoas famosas nas suas manifestações. Empregam diversos meios, entre os quais a revelação de pretensos tesouros ocultos, aviso de heranças ou fontes de fortuna. Pergunta-se: por que Deus permite que pessoas sinceras sejam mistificadas? Deus permite as mistificações para provar a perseverança dos verdadeiros adeptos e punir os que fazem do Espiritismo um simples meio de divertimento.

Embora não estejamos totalmente livres das mistificações, podemos preveni-las. Assim, não nos deixemos ofuscar pelos nomes usados pelos Espíritos para darem validade às suas palavras. Desconfiemos das teorias empregadas, principalmente quando se afastam dos objetivos morais das manifestações.

Fonte de Consulta 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns, cap. XXVII.



26 maio 2019

Faculdades Morais e Intelectuais

Faculdade é uma potência inata da alma. Exemplo: a potência de sentir (a sensibilidade); a potência de pensar (inteligência). Moral é o conjunto das obrigações ou das proibições que a impomos a nós mesmos; concerne ao bem-estar de outras pessoas e nossa responsabilidade para com elas. Intelectual. Que pertence à inteligência, que está na inteligência. Inteligência. Faculdade que tem o espírito de resolver um problema, de compreender o complexo, o novo. 

André Comte-Sponville, em seu "Dicionário Filosófico", faz algumas anotações sobre a moral, que transcrevemos abaixo: 

Suponha que se anuncie o fim do mundo para amanhã de manhã. Na política, poderia haver alguma desordem, mas moralmente falando, as atitudes dos indivíduos permaneceriam inalteradas, pois cada pessoa agiria segundo as regras impostas pela sua própria consciência.

Para Kant, "Uma ação realizada por dever não tira seu valor do objetivo a ser alcançado por ela, mas da máxima segundo a qual é decidida". O indivíduo age exclusivamente segundo a regra que estabelece, ou seja, "sem levar em conta nenhum dos objetos da faculdade de desejar" e "fazendo-se abstração dos fins que podem ser alcançados por tal ação" (Fundamentos..., I). "Ela não tem a menor necessidade da religião", insiste Kant, nem de um fim ou objetivo qualquer: "ela se basta a si própria" (A religião nos limites da simples razão, Prefácio).

Para Rousseau, a moral é livre ("a obediência à lei prescrita para si mesmo é liberdade"); para Kant, autônoma (porque o indivíduo está submetido unicamente à "sua legislação própria e, no entanto, universal").

Questiona se a moral é realmente universal, mas admite que ela é universalizável.

Em "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, anotamos algumas perguntas:

Pergunta 361. De onde vêm para o homem as suas qualidades morais, boas ou más? 

São as do Espírito que está nele encarnado; quanto mais puro é esse Espírito, mais o homem é propenso ao bem.

Pergunta 363. Os Espíritos têm paixões estranhas à Humanidade?

Não; se assim fosse, vós também as teríeis.

Pergunta 365. Por que os homens mais inteligentes, que revelam um Espírito superior neles encarnados, são, às vezes, ao mesmo tempo, profundamente viciosos?

É que Espírito encarnado não é bastante puro, e o homem cede à influência de outros Espíritos ainda piores.




19 março 2019

Formas-Pensamento

Ernesto Bozzano, em Pensamento e Vontade, diz que os filósofos alquimistas dos séculos XVI e XVII, Vanini, Agrippa, Van-Helmont, já atribuíam ao magnetismo emitido pela vontade o resultado de seus amuletos e encantamentos. Van-Helmont, por exemplo, chegou a formular a teoria das formas-pensamento, da ideoplastia, da força organizadora. Para ele, o desejo realiza-se na ideia. É a teoria sobre as ideias-forças, desenvolvida por Fouillée bem antes da vinda das obras espíritas, principalmente as do Espírito André Luiz.

Mas, o que são as formas-pensamento? Para a teosofia, formas-pensamento são criações mentais que utilizam a matéria fluídica ou matéria astral para compor as características de acordo com a natureza do pensamento. Podem ser criadas por encarnados ou desencarnados (com características positivas ou negativas). É o resultado da ação da mente sobre as energias mais sutis que nos circundam, criando formas correspondentes ao pensamento externado.

11 março 2019

Flammarion, Camille

Dados pessoais:

Nome: Camille Flammarion

Nascimento: 26/02/1842, em Montigny- Le-Roy, França.

Homem: cientista, filósofo e espírita.

Desencarne: 04/06/1925, em Juvissy no mesmo país. 

1. ASPECTOS GERAIS 

Flammarion foi um homem cujas obras encheram de luzes o século XIX. Ele era o mais velho de uma família de quatro filhos, entretanto, desde muito jovem se revelaram nele qualidades excepcionais. Queixava- se constantemente que o tempo não lhe deixava fazer um décimo daquilo que planejava. Aos quatro anos de idade já sabia ler, aos quatro e meio sabia escrever e aos cinco já dominava rudimentos de gramática e aritmética. Tornou- se o primeiro aluno da escola onde freqüentava. Para que ele seguisse a carreira eclesiástica, puseram- no a aprender latim com o vigário Lassalle. Aí Flammarion conheceu o Novo Testamento e a Oratória. Em pouco tempo estava lendo os discursos de Massilon e Bonsuet. O padre Mirbel falou da beleza da ciência e da grandeza da Astronomia e mal sabia que um de seus auxiliares lhe bebia as palavras. Esse auxiliar era Camille 

2. OBSERVATÓRIO DE PARIS 

Por longo período de tempo fez estudos no Observatório de Paris. Retirando-se dele em 1862, continuou com mais liberdade os seus estudos, no sentido de legar à Humanidade os mais belos ensinamentos sobre as regiões silenciosas do Infinito. Livre da atmosfera sufocante do Observatório, publicou no mesmo ano a sua obra Pluralidade dos Mundos Habitados, atraindo a atenção de todo o mundo estudioso. Para conhecer a direção das correntes aéreas, realizou, no ano de 1868, algumas ascensões aerostáticas. Pela publicação de sua Astronomia Popular, recebeu da Academia Francesa, no ano de 1880, o prêmio Montyon. Em 1870 escreveu e publicou um tratado sobre a rotação dos corpos celestes, através do qual demonstrou que o movimento de rotação dos planetas é uma aplicação da gravidade às suas densidades respectivas.  

3. ATUANDO COMO ESPÍRITA 

Tornando- se espírita convicto, foi amigo pessoal e dedicado de Allan Kardec, tendo sido o orador designado para proferir as últimas palavras à beira do túmulo do Codificador do Espiritismo, a quem denominou o bom senso encarnado. Camille Flammarion, segundo Gabriel Delanne, foi um filósofo enxertado em sábio, possuindo a arte da ciência e a ciência da arte. Flammarion--poeta dos Céus, como o denominava Michelet -- tornou- se baluarte do Espiritismo, pois, sempre coerente com suas convicções inabaláveis, foi um verdadeiro idealista e inovador. 

4. OBRAS 

Suas obras, de uma forma geral, giram em torno do postulado espírita da pluralidade dos mundos habitados e são as seguintes:  

Os Mundos Imaginários e os Mundos Reais;

As Maravilhas Celestes;

 Deus na Natureza;

Contemplações Científicas;

Estudos e Leitura sobre Astronomia;

Atmosfera;

Astronomia Popular;

Descrição Geral do Céu;

O Mundo antes da Criação do Homem;

 Os Cometas;

As Casas Mal- Assombradas;

Narrações do Infinito;

Sonhos Estelares;

Urânia;

Estela;

O Desconhecido;

A Morte e seus Mistérios;

Problemas Psíquicos;

O Fim do Mundo e outras.  

Fonte: Grandes Vultos do Espiritismo

 


05 março 2019

Ação e Eficácia da Prece

Prece. É o ato de comunicação do ser humano com o sagrado, que pode ser Deus, os deuses, a realidade transcendental ou o poder sobrenatural. A prece é um estímulo que enviamos ao Alto. O Alto, por sua vez, responde-nos por meio do alívio e amenização de nossas dores e sofrimentos. Não há muito segredo para se orar. Basta entrar no quarto, fechar a porta, e elevar o pensamento a Deus (pedido, agradecimento ou louvor).

A crença em algo superior não é somente dos tempos presentes. No Totemismo, a mais antiga das religiões, a crença referia-se à espécie de seres ou coisas que todos os membros de um clã julgassem sagrados, tais como, pedras, animais, vegetais, entre outros. Na Idade Média, muitas bruxas foram queimadas por terem um suposto pacto com o diabo. A fé sempre foi mais cega do que raciocinada. Allan Kardec descortina-nos um novo marco, ou seja, a fé tem que ser raciocinada, pois quanto mais se raciocina mais se crê com compreensão.

Ação é a manifestação de uma força, de uma energia. Disposição para realizar algo. Distinguir os meios dos fins de uma ação é muito útil. Lembremo-nos de que toda ação tem a sua reação. A ação provém dos pensamentos. O Espírito André Luiz, em Os Mecanismos da Mediunidade, aborda intensamente a questão dos fluxos mentais. Emitindo um pensamento, entramos em contato com todos os pensamentos que se lhes assemelham. Nesse caso, evitemos a queixa, as críticas e os julgamentos precipitados.

A eficácia está sempre relacionada com a eficiência. A eficiência seria o ato de "fazer certo as coisas", enquanto a eficácia consiste em "fazer as coisa certas". Há um exemplo clássico sobre a distinção entre eficiência e eficácia. Um homem que cava um poço com perfeição realiza um trabalho com eficiência; um homem que sabe o local correto para cavar o poço e achar água executa um trabalho com eficácia.

Somos o resultado de nossas ações, presentes e passadas. A isto chamamos de lei do carma, causa e efeito, ação e reação etc. Observe a questão 663 de O Livro dos Espíritos. As preces que fazemos por nós mesmos podem modificar a natureza das nossas provas e desviar-lhes o curso? Não. Mas Deus leva em conta a nossa resignação. A prece tem o condão de atrair os bons Espíritos, que poderão nos dar força para suportá-las com coragem.

Jesus, quando esteve entre nós, curou muitos enfermos. Essas curas eram chamadas de milagres. Contudo, nunca derrogou as leis naturais. Muitas vezes somos aquinhoados por uma cura, não porque houve um milagre, mas porque houve um merecimento, merecimento pelo tempo decorrido, pelas nossas ações no bem, entre outras.

No capítulo XXVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec dá-nos um exemplo simples sobre a ação e eficácia da prece. Um homem, perdido no deserto, sofre tremenda sede e deixa-se cair ao chão. Roga ao Alto, mas não vê nenhum anjo lhe trazer água. Um bom Espírito lhe sugere seguir uma determinada vereda. Chega a uma elevação e descobre um riacho. Se tem fé, agradecerá a inspiração dos bons Espíritos. Se não tem fé, dirá: "Que pensamento bom eu tive!".

Saibamos orar. Não há necessidade de um discurso longo, pois a intenção pesa mais do que as muitas palavras.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/a%C3%A7%C3%A3o-e-efic%C3%A1cia-da-prece?authuser=0




02 março 2019

Quando se Raciocina, não se Crê Mais?

Na Revista Espírita de 1867, um jornalista comenta a obra "As Três Filhas da Bíblia", de Hippolyte Rodrigues, que prevê a fusão das três grandes religiões descendentes da Bíblia: a judia, a católica e a maometana. Registremos a seguinte a parte: "Quero fazer aceitar a crença nova pelo raciocínio. Até este dia, não há senão a fé que tenha fundado e mantido as religiões, por esta razão suprema de que, quando se raciocina, não se crê mais, e quando um povo, uma época, deixou de crer, vemos logo ruir a religião existente, não se vê levantar a religião nova."

Allan Kardec não quer criticar o autor, mas fazer uma análise serena de "quando se raciocina não se crê mais". Kardec pensa que quando o indivíduo raciocina a sua crença, ele naturalmente crê mais firmemente, porque compreende melhor a sua crença. Diz, ainda, que foi em virtude deste princípio que forjou a sua célebre frase: "Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face em todas as épocas da Humanidade".

Erro 1: tratar o particular pelo todo. A maioria das religiões comete o erro de, por meio da fé cega, edificar todo o arcabouço do dogma absoluto. Nesse caso, as pessoas são obrigadas a aceitar por muito tempo uma determinada crença, não se importando com as pesquisas científicas que vieram contradizer tais dogmas. "Disto resultou, num grande número de pessoas, essa prevenção de que toda crença religiosa não pode suportar o livre exame, confundindo, numa reprovação geral, o que não eram senão casos particulares".

Erro 2: "Quando um povo, uma época deixou de crer, vê-se logo ruir a religião existente, não se vê levantar a religião nova." Dificilmente um povo fica sem religião. A maioria delas surgiu em tempos passados –  fundadas no princípio da imutabilidade , quando a ciência engatinhava os seus passos, ou seja, erigiram em crenças errôneas, que só o tempo poderia reparar. Elas caem pela força das coisas, como acontece com tudo o mais; no entanto, não se aniquilam: elas transformam-se.

"A transição não se opera jamais de maneira brusca, mas pela mistura temporária das ideias antigas e das ideias novas; é de início uma fé mista que participa de umas e das outras; pouco a pouco a velha crença se extingue, a nova cresce, até que a substituição seja completa. Por vezes, a transformação não é senão parcial; são então as seitas que se separam da religião mãe modificando alguns pontos de detalhe. Foi assim que o Cristianismo sucedeu ao paganismo, que o Islamismo sucedeu ao fetichismo árabe, que o Protestantismo, a religião grega, se separaram do Catolicismo. Por toda a parte veem-se os povos não deixar a crença senão para tomar uma apropriada ao seu estado de adiantamento moral e intelectual; mas em nenhuma parte há solução de continuidade".

"Em nossos dias se vê, é verdade, a incredulidade absoluta erigida em doutrina e professada por algumas seitas filosóficas; mas seus representantes, que constituem uma ínfima minoria na população inteligente, têm o erro de se crerem todo um povo, toda uma época, e porque não querem mais religião, pensam que sua opinião pessoal é o encerramento dos tempos religiosos, ao passo que não é senão uma transição parcial para uma outra ordem de ideias".


15 fevereiro 2019

Homem sem Palavra

O que acontece quando alguém se habitua a prometer coisas sem as cumprir? Isso prejudica a sua evolução espiritual? Em que sentido? Que subsídios o Espiritismo nos oferece para iluminar tal questão?

Por que compramos um produto no mercado? Porque confiamos nele, ou seja, que não esteja adulterado. E se tiver? Quebra a confiança no sistema econômico como um todo. Vejamos a questão da autenticidade da palavra. Quando não falamos a verdade, prejudicamos a confiança no sistema ao qual estamos inseridos. Consequentemente, um fica sempre desconfiando do outro.

Por imprudência o vizinho quebra o nosso telhado. Ele vem, dá uma olhada, e diz: amanhã irei consertar. Passa-se uma semana, vamos lá, e ele diz novamente: amanhã irei consertar. E nunca mais aparece para refazer o estrago. Suponhamos que essa prática seja constante na vida dessa pessoa. Como os outros o avaliam? Dizem simplesmente que é um "homem sem palavra".

O Espiritismo nos informa a respeito da lei natural, que está escrita em nossa consciência. Jesus a expressou por meio de seus ensinamentos e das suas parábolas. Esses ensinamentos não são compulsórios, mas servem como um modelo norteador de nossa conduta. Agindo de conformidade com essas instruções, seremos felizes, pois construiremos um futuro livre de amarras, amarras que nos prendem ao passado de erros.

O Espírito Emmanuel, no capítulo 38 "Se Soubéssemos", de Fonte Viva, esclarece-nos que: se o homicida, o glutão, o caluniador e o egoísta  soubessem de antemão o que a vida lhes espera além-túmulo, prefeririam não ter forças para desferir qualquer golpe. Não cumprindo a palavra dita, geramos consequências para nossas ações futuras. Contudo, o mais grave é o tipo de exemplo que passamos aos outros. Por isso, diz-se que é muito fácil escrever um livro de mais de mil preceitos morais e muito difícil de colocar em prática apenas um deles.

Jesus é o nosso mestre, o exemplo a ser seguido. Condenado injustamente, carregou a cruz e foi crucificado para nos dar o exemplo de submissão ao Pai. E nós, o que fazemos? Queremos arranjos, subterfúgios e auxílios escusos, tudo para encobrirmos a falta que cometemos, o nosso crime. Ainda que não sejamos punidos pela justiça humana, a nossa consciência não nos deixa livres. Mais cedo ou mais tarde teremos que enfrentar o problema.

Observemos os erros dos outros e reflitamos se não os cometemos também. Caso aconteça, façamos os esforços para superar tal anomalia de nossa personalidade.