08 março 2011

Corrupção e Espiritismo

Corrupção. Do latim corruptione significa a ação ou o efeito de corromper. Na ordem física, é um fenômeno de involução dos entes materiais. Para Aristóteles, é o contrário de geração. Psicologicamente, denota um estado desordenado e patológico da consciência que leva o indivíduo livre a exercer o mal ou o pecado. Em termos políticos, é a falta de honestidade que acompanha o desempenho de determinadas funções administrativas. Ao longo do tempo, o sentido metafórico sobrepujou o sentido restrito.

A palavra corrupção teve sua primeira designação num contexto biológico e naturalista, sendo associada a um dos momentos do clico da vida, justamente quando o corpo começa a perder o seu vigor, sua força, sua vitalidade e caminha para a morte. Passou, depois, para as cidades, porque os filósofos as entendiam como corpos naturais.

Na época em que os cristãos projetaram o pecado e a decadência humana sobre a sociedade romana pagã, a corrupção passou para a noção moral. Esta imagem foi extraída dos escritos dos Padres da Igreja, que entendiam a atuação dos governantes como contrária ao que o Cristo nos ensinou. Santo Agostinho, na sua obra Cidade de Deus, foi um dos que defendeu a ideia de que a queda do Império foi motivada pela corrupção moral dos romanos.

Segundo Martins, em Corrupção, há duas maneiras de interpretar este termo: de um lado está a maneira moralista impingida pelos cristãos, que viam no indivíduo a decadência moral, o que gera consequências nefastas para a sociedade. Do outro, principalmente pela influência de Maquiavel, a corrupção como algo resultante das regras próprias do mundo político, sem maiores correlações com a moralidade do indivíduo.

O discípulo do Evangelho não necessita de participar da política do mundo para cumprir o seu ministério. Lembremo-nos de que Jesus não precisou de portarias e decretos, embora respeitáveis, para consolidar a sua missão de amor ao próximo. Nesse mister, o Espírito Emmanuel alerta-nos: “E, quando convocado a tais situações pela força das circunstâncias, deve aceitá-las não como galardão para a doutrina que professa, mas como provação imperiosa e árdua, onde todo êxito é sempre difícil”. (pergunta 60 de O Consolador)

No capítulo sobre As Aristocracias, em Obras Póstumas, Allan Kardec ensina-nos que as sociedades nunca prescindiram de chefes. Para refrear a corrupção e melhorar o relacionamento político, ele propõe a formação de uma aristocracia intelecto-moral, ou seja, os governantes devem ser inteligentes e de moral elevada para se posicionarem acima dos interesses pessoais e de grupos e se lançarem ao alcance do bem comum, que é de todos.

Diante da corrupção, o espiritista deve ter em mente as assertivas do Evangelho. Não é porque a corrupção se tornou lugar comum, que ela não deva ser extinta. Se partir do princípio que não deve dar dinheiro para conseguir um serviço público, achará mil maneiras de resolver a sua demanda.

Bibliografia Consultada

KARDEC, A. Obras Póstumas. 15. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
MARTINS, José Antonio. Corrupção. São Paulo: Globo, 2008. (Filosofia Frente & Verso)
XAVIER, F. C. O Consolador, pelo Espírito Emmanuel. 7. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1977.


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