18 junho 2014

Mistério

Mistério é tudo o que não pode ser compreendido, que é inacessível à razão humana. No sentido teológico, é uma verdade revelada, que é incompreensível à razão sem a presença da fé. Nas religiões antigas, é o conjunto de práticas, dos ritos e das doutrinas secretas, que se davam à margem da legalidade, reservado apenas aos iniciados. No sentido lato, designa certos ritos e formas de culto, com sentido simbólico. É apanágio de todas as religiões. No sentido estrito, acrescenta a nota particular da iniciação secreta que não é revelada aos profanos.

No âmbito da filosofia, devemos destacar a diferença que há entre um problema e o mistério. O problema só existe realmente para a ciência, que busca a sua solução. Em filosofia o problema se torna metaproblemático, pois deixamos o mundo do objeto e partimos para o mundo da especulação, que é o mundo do mistério. 

O mistério da Santíssima Trindade pode ser explicado. Teófilo de Antiloquia, no fim do século II e Tertuliano, no princípio do século III, já empregavam o Deus único em três pessoas. O mistério surge quando a Igreja propõe a presença, no seio de Deus único, de três pessoas distintas, mas iguais e substanciais. É a partir daí que começam a surgir contradições entre fé e razão, pois a razão poderia levar à negação do mistério.

A criação é um mistério que atravessa os séculos. O ser humano, incapaz de lhe dar uma resposta satisfatória, vale-se dos mitos. O mito significa uma fábula arquitetada pela fantasia humana para personificar entidades do espírito ou da natureza. Muitos deles tentam explicar a origem do mundo. Nesse sentido, há os mitos com Criação e os mitos sem Criação. Nos mitos com Criação, parte-se de um marco zero, e elege-se um Criador (Deus, Jeová, Maomé); nos sem Criação, parte-se da hipótese de que o Universo é eterno. 

Viver na intimidade de Deus é um mistério que não pode ser percebido senão pela fé. A razão é, na maioria das vezes, incapaz de explicar as calamidades e as dificuldades pelas quais passamos. Falhando, recorremos à fé. Quer dizer, só a fé é capaz de penetrar no íntimo dessa relação com Deus. E, nesse sentido, aquilo que parece, à primeira vista, impossível, transforma-se numa certeza rotunda. Todo o ser humano tem necessidade dessa relação íntima com Deus, para poder suportar com galhardia as suas provações terrenas. 

O Espiritismo, codificado por Allan Kardec, veio para tornar público o que estava velado. Nesse sentido, ele procura esclarecer as verdades que ficaram ocultas ao longo do tempo. Como Consolador Prometido, veio explicar o que o Cristo disse somente por parábolas, pois fala sem figuras e sem alegorias. 







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