05 junho 2011

Possessão e Espiritismo

Possessão. Do latim possessio, onis. O que se tem, ocupa ou controla; posse. Estado de quem está controlado por sentimento ou ideia. Incorporação de entidade espiritual no corpo e/ou no espírito de alguém.

As culturas do mundo veem a possessão como estados mentais (a epilepsia, o êxtase religioso, os transes) e físicos (barulhos, deslocamentos de objetos) explicados em termos da intrusão, no indivíduo, de uma potência sobre-humana. Para o ocultismo, a personalidade invasora (espírito desencarnado) pretende estabelecer uma comunicação com o mundo através do organismo do médium, em transe, e a linguagem usada para isso pode ser tanto a falada como a escrita. Na tradição cristã, a possessão, dita demoníaca, era tratada pelo exorcismo, com prece para a vítima, uso de relíquias e invocação de santos. Há casos em que faziam o sujeito (sob o jugo dos demônios) inalar vapores fétidos na suposição de que estes seriam expulsos do corpo.

No Espiritismo, dá-se o nome de possessão à substituição pelo Espírito atuante ao Espírito encarnado. O Espírito atuante toma o corpo do Espírito encarnado para domicílio sem que este, no entanto, seja abandonado pelo seu dono, pois que isso só se pode dar pela morte. Há uma diferença fundamental entre obsessão e possessão: na obsessão, o Espírito atua exteriormente, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado, ficando este enlaçado por uma teia e constringindo-o a proceder contra a sua vontade; na possessão, ele se substitui ao Espírito encarnado.

Ressaltemos que na obsessão há sempre um Espírito malfeitor; na possessão, não. Às vezes é um Espírito bom que queira falar e que, para causar maior impressão nos ouvintes toma o corpo de um encarnado, que voluntariamente lho empresta. Disto resulta que, enquanto o Espírito malfeitor arrebata o Espírito encarnado, caso este não possua força moral para lhe resistir, podendo, inclusive, chegar às raias da loucura, o Espírito bom simplesmente toma o corpo emprestado graciosamente pelo encarnado.

Lembremo-nos de que há também possessões coletivas, como as narradas por Allan Kardec no livro Obsessão. Cita-se, como exemplo, a epidemia demoníaca de Sabóia. Nesse caso, “fazer Espiritismo sem estudo é fazer manipulações químicas sem conhecer química”.

Fonte de Consulta

(1) Dicionário do Inexplicado. Edições Planeta.
(2) KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
(3) KARDEC. A. A Obsessão. 3. Ed. São Paulo: O Clarim, 1978.
(4) XAVIER, F. C. Nos Domínios da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz. 10. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1979. (página 80)

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