02 julho 2015

Allan Kardec, Doutrina Espírita e Revista Espírita

FotoA Revista Espírita, que tem o subtítulo "Jornal de Estudos Psicológicos", em razão de estudar a metafísica do ser humano, tanto em seu estado presente como em seu estado futuro, traz em seu bojo uma gama enorme de assuntos envoltos com ciência, filosofia e religião. Allan Kardec as publicou entre 1858 e 1869. Compulsando-as entraremos em contato com detalhes valiosos a respeito do processo e dos princípios básicos da Doutrina Espírita.

Hippolyte-Léon Denizard Rivail —  Allan Kardec —, na Revista Espírita, oferece-nos o registro minucioso das pesquisas realizadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Tinha como premissa o uso da razão, do bom senso e da autoridade moral e intelectual. A construção da Doutrina Espírita fez-se em função da relação entre encarnados e desencarnados, abarcando todos os tipos de problemas e necessidades dos seres humanos. Por isso, a Doutrina Espírita é ciência, filosofia e religião.

O fenômeno das mesas girantes - primeiro período da Doutrina Espírita - também conhecido como período da curiosidade, serviu para chamar a atenção sobre a nova ordem de coisas e abrir caminho ao período filosófico. "Esta marcha era racional, porque toda a filosofia deve ser a dedução de fatos conscienciosamente estudados e observados e a que não repousasse senão sobre ideias puramente especulativos não teria base. A teoria deveria, pois, decorrer dos fatos, e as consequências filosóficas deveriam decorrer da teoria".  (p. 281 - R.E. 1863)

Allan Kardec, ao elaborar a Doutrina Espírita, preocupou-se exclusivamente com o caráter universal que esta deveria ter, ou seja, não deixá-la à mercê de um único homem ou de um único médium. Para tanto, compilou dados de mais de mil Centros Espíritas sérios, localizados nas mais diversas partes do globo, exigindo que os médiuns fossem esclarecidos, para a boa fundamentação dos argumentos. Seu trabalho foi coletar, comparar, averiguar e dispor as informações segundo o método teórico-experimental das ciências naturais. 

Allan Kardec não se cansa de enfatizar, em vários trechos das revistas espíritas, que ele não é o autor da Doutrina Espírita, mas o seu coordenador. Nesse sentido, não lhe cabia fazer proselitismo, aumentar o número de adeptos, mas construir um edifício sólido para a posteridade. Colocava-se como um missionário, pedindo sempre forças necessárias para a execução da vontade do Alto em tamanha responsabilidade.

Tenhamos como foco o aprendizado dos princípios da Doutrina Espírita. Para tanto, deixemos momentaneamente de lado os romances e as leituras supérfluas.    



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