02 dezembro 2021

Estudo da Natureza de Cristo

Estudo da Natureza de Cristo é um tópico do livro Obras Póstumas de Allan Kardec.

Anotemos:

A origem das provas da natureza de Cristo deve ser procurada nos Evangelhos, visto que Jesus nada escreveu, e os seus únicos historiadores, os apóstolos, nada escreveram em vida; nenhum historiador profano, seu contemporâneo, falou dele, não existindo sobre a sua vida e a sua doutrina nenhum documento além dos Evangelhos.

Os milagres não provam a divindade de Cristo. Para o Espiritismo os milagres são efeitos do magnetismo, do sonambulismo, do êxtase, da dupla vista, do hipnotismo, da catalepsia, da letargia, entre outros.

Para a Igreja, Jesus e Deus são a mesma pessoa. Isso poderia explicar a divindade de Jesus. Mas, eis um exemplo: Jesus o disse: eu não vim de modo próprio, mas foi Ele que me enviou.

Palavras de Jesus depois de sua morte: "Ora, vós sois testemunhas destas coisas. E eu vou mandar sobre vós o dom, que vos está prometido por meu Pai". (S. LUCAS, XXIV, 48, 49. — Aparição aos Apóstolos).

A dupla natureza de Jesus: o que devia ser humano em Jesus era o corpo;  o que era divino nele era alma o espírito.

Os profetas disseram sobre Jesus: "Eu o verei, mas não agora; eu o contemplarei, mas não de perto. Nascerá uma estrela de Jacó, e levantar-se-á uma vara de Israel, e ferirá os capitães de Moabe e destruirá todos os filhos de Sete (NÚMEROS, XXIV, 17).

Interpretação de "o verbo se fez carne": Jesus podia, pois, ser encarregado de transmitir a palavra de Deus, sem ser Deus, como um embaixador transmite as palavras de seu soberano, sem ser o soberano.

Se a qualificação de Filho de Deus parece apoiar a doutrina da divindade, o contrário deve supor-se da qualificação de Filho do homem, que Jesus se deu em sua missão e que foi objeto de muitos comentários.


01 dezembro 2021

Iluminação

“O que crê, apenas admite; mas o que se ilumina vibra e sente”.

A necessidade imediata do Espiritismo não é a de multiplicar prosélitos, mas a de buscar incessantemente o conhecimento e aplicação legítima do Evangelho. O trabalho de cada um na iluminação de si mesmo deve ser permanente e metodizado. “A palavra dos guias e mentores do Além ensina, mas não pode constituir elementos definitivos de redenção, cuja obra exige de cada um sacrifício e renúncias santificantes, no laborioso aprendizado da vida”.

A base da iluminação encontra-se nas  teses e conclusões espíritas em seu tríplice aspecto de filosofia, ciência e religião. Contudo, para a iluminação do íntimo, só o Evangelho do Senhor, que nenhum roteiro doutrinário poderá ultrapassar. "Aliás, o Espiritismo em seus valores cristãos não possui finalidade maior que a de restaurar a verdade evangélica para os corações desesperados e descrentes do mundo".

Observações:

No além da vida, o Espírito prossegue nos seus labores de iluminação. A reencarnação no mundo tem por objetivo principal a consecução desse esforço.

O trabalho de nossa iluminação deve ser iniciado pelo autodomínio, procurando a disciplina dos sentimentos egoísticos e inferiores.

A maior necessidade da criatura humana ainda é a do conhecimento de si mesma.

Em se tratando de iluminação espiritual, não existe fonte alguma além da exemplificação de Jesus, no seu Evangelho de Verdade e Vida.

Questões 218 a 238 do livro "O Consolador", pelo Espírito Emmanuel

Frases a respeito da iluminação

Iluminação espiritual do nosso íntimo.

Iluminação interior do homem do coração e da consciência.

Iluminação dos espíritos encarnados.

Cristianização das consciências.

Iluminação das suas energias interiores.





Amélie-Gabrielle Boudet

Amélie-Gabrielle Boudet, professora de Letras e Belas Artes, nasceu em 23 de novembro de 1795, Thiais, França. Faleceu em 21 de janeiro de 1883, Paris, França. Casou-se com Allan Kardec em 1832. Era 9 anos mais velha que ele. Escreveu as seguintes obras: Contos Primaveris (1825); Noções de Desenho (1826), e O Essencial em Belas Artes (1828).

Depois de casada, ajudava o marido preparando os cursos gratuitos que haviam organizado na própria residência. Além de conselheira, ela foi a inspiradora de vários projetos que o marido pôs em execução.

Secretária de Allan Kardec. Depois dos primeiros contatos de Allan Kardec com o Espiritismo, em 1854, Amélie acompanhou o esposo, tornando-se sua verdadeira secretária, secundando-o, estimulando-o e incentivando-o no cumprimento de sua missão.

A importância de seu trabalho como secretária. Não fosse a ajuda da esposa, o enorme número de correspondências, vindas da França e de vários outros países, iria roubar tempo de Kardec, o qual deveria ser usado para o preparo dos livros da Codificação e de sua revista.

Sempre que suas forças lhe permitiam, acompanhou Allan Kardec em muitas de suas viagens, cujas despesas, cumpre informar, corriam por conta do próprio casal.

Como atuou depois da morte de Allan Kardec? Esforçando-se por concretizar os planos expostos por Allan Kardec, fundou a “Sociedade Anônima do Espiritismo”, destinada à vulgarização do Espiritismo por todos os meios permitidos pelas leis. Mais tarde, na assembleia geral de 18 de outubro de 1873, foi mudado para: “Sociedade para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec”.




Preocupação com a Morte

A preocupação com a morte é uma consequência do instinto de conservação comum a todos os seres vivos. Serve como um contrapeso ao arrastamento que poderia levar o ser humano a deixar prematuramente esta existência. Isso acontece enquanto o homem não for bem esclarecido a respeito da vida futura.

À medida que vai tendo uma melhor compreensão da vida futura, a preocupação com a morte vai diminuindo, o que permite ao ser humano cumprir com mais empenho a sua missão na Terra. O conhecimento da verdade vai nos libertando da ignorância relativa em que nos encontramos.

Há necessidade de se pensar no verdadeiro sentido da vida. Se só nos preocupamos com as coisas materiais, o real para nós é a matéria e os gozos daí advindos. Contudo, o verdadeiramente real está além da matéria. Os que assim pensam, vão se inflamando com uma nova vida, a vida dos espíritos, livre do espírito de sistema.

A incredulidade de alguns pode ser consequência dos seus costumes e das ideias adquiridas na infância. Quando se tem uma vaga ideia da vida futura, a vida futura para eles é uma probabilidade e não uma certeza. Nesse caso, preferem ocupar-se do presente.

A influência dos dogmas religiosos. Algumas religiões mostram as contorções dos danados que expiam nas torturas e nas chamas sem fim os seus erros passageiros. A ideia do inferno não satisfaz às aspirações nem à ideia instintiva de progresso que é a única compatível com a felicidade absoluta. A morte é cercada de cerimônias lúgubres que servem mais para aterrorizar do que para despertar a esperança. Sempre se representa a morte sob um aspecto repulsivo e jamais como um sono de transição.

Por que os espíritas não se preocupam com a morte? Porque a Doutrina Espírita muda completamente a maneira de ver o futuro. A vida futura não é mais uma hipótese, mas uma realidade. Assim, para os espíritas a alma não é mais uma abstração. Ela possui um corpo etéreo que a torna um ser definido, que podemos conceber pelo pensamento.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/preocupa%C3%A7%C3%A3o-com-a-morte


Infecções Fluídicas

Infecções fluídicas” — influências perniciosas dos desencarnados sobre os encarnados propiciando o colapso cerebral.

Para que possamos entender as infecções fluídicas, devemos antes reportamo-nos à simbiose, que pode ser útil ou exploradora. A simbiose é útil quando a união ocasiona um ganho. Exemplo: a que existe entre o cogumelo e a alga, na esfera dos líquens. A simbiose é exploradora quando a união ocasiona uma perda. Exemplo:  as micorrizas das orquidáceas, em que o cogumelo comparece como sendo invasor da raiz da planta.

O Espírito André Luiz, nos capítulos XIV — "Simbiose Espiritual" e XV — "Vampirismo Espiritual", do livro Evolução em Dois Mundos, faz um estudo dessas simbioses para retratar, comparativamente, a simbiose das mentes. Nesse caso, qual se verifica entre a alga e o cogumelo, a mente encarnada entrega-se, inconscientemente, ao desencarnado que lhe controla a existência.

Acrescenta que há outros processos simbióticos, tais como a simbiose em condições infelizes, nas quais o desencarnado permanece eivado de ódio ou perversidade enfermiça ao pé das próprias vítimas. Cita, também, a simbiose exploradora de longo curso, em que há uma adaptação progressiva entre o hospedador e o parasita que, mesmo reagindo um sobre o outro, concordam na sociedade em que persistem.

Nesse estudo, o Espírito André Luiz trata também da obsessão e vampirismo, em que as criaturas humanas desencarnadas, que não atenderam à convocação divina, começam a oprimir os companheiros da retaguarda, disputando afeições e riquezas, ou tentando empreitadas de vingança e delinquência.

Como, porém, surgem as “infeções fluídicas”? O Espíritos desencarnados influenciam a imaginação dos encarnados com formas mentais monstruosas, determinando o colapso cerebral com arrasadora loucura. Há, aqueles que imobilizados nas paixões egoísticas descansam em pesado monoideísmo, ao pé dos encarnados, de cuja presença não se sentem capazes de afastar-se.

Qual a terapêutica para o parasitismo da alma? Somente a ação do bem genuíno, com a quebra voluntária de nossos sentimentos inferiores, produz vigorosos fatores de transformação sobre aqueles que nos observam, tanto os bons quanto os maus.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/infec%C3%A7%C3%B5es-flu%C3%ADdicas


23 novembro 2021

Ovoides

Ovoides são esferoides vivos, tristes mentes humanas sem os apetrechos de manifestação.

O surgimento dos ovoides é consequência do monoideísmo auto-hipnotizante, provocado pelo pensamento fixo-depressivo, atrofiando as células que lhe tecem o corpo perispiritual.

O desequilíbrio dos pensamentos pode alterar a forma humana do perispírito.

Os parasitas ovoides. Os Espíritos obstinados pela ideia de fazerem justiça pelas próprias mãos podem, fora do corpo físico, envolver sutilmente aqueles que lhes fazem objeto de atenção.

Ovoides são um tipo de obsessor. O Espírito André Luiz no livro "Evolução em Dois Mundos" diz: “A forma ovoide guarda consigo todos os órgãos de exteriorização da alma, tanto nos planos espirituais quanto nos terrestres, tal qual o ovo ou a semente, que trazem em si a ave ou a árvore do futuro.”

Observação de J. Herculano Pires em seu livro Vampirismo no capítulo "Parasitas e Vampiros"

“André Luiz refere-se a ovoides, espíritos que perderam o seu corpo espiritual e se veem fechados em si mesmos, envoltos numa espécie de membrana. Isso lembra a teoria de Sartre sobre o em-si, forma anterior do ser espiritual, que a rompe ao se projetar na existência por necessidade de comunicação. A ação vampiresca desses ovoides é aceita por muitos espíritas amantes de novidades. Mas essa novidade não tem condições científicas nem respaldo metodológico para ser integrada na doutrina. Não passa de uma informação isolada de um espírito. Nenhuma pesquisa séria, por pesquisadores competentes, provou a realidade dessa teoria. Não basta o conceito do médium para validá-la. As exigências doutrinárias são muito mais rigorosas no tocante à aceitação de novidades. O Espiritismo estaria sujeito à mais completa deformação, se os espíritas se entregassem ao delírio dos caçadores de novidades. André Luiz manifesta-se como um neófito empolgado pela doutrina, empregando às vezes termos que destoam da terminologia doutrinária e conceitos que nem sempre se ajustam aos princípios espíritas. A ampla liberdade que o Espiritismo faculta aos adeptos tem os seus limites rigorosamente fixados na metodologia kardeciana”.

 

04 setembro 2021

Delanne, Gabriel

Dados pessoais:  

Nome: François-Marie-Gabriel Delanne 

Nascimento: 23/03/1857, em Paris, França. 

Homem: cientista, engenheiro, filósofo e espírita. 

Desencarne: fevereiro de 1926. 

1. NOTAS INTRODUTÓRIAS 

Allan Kardec, Léon Denis e Gabriel Delanne merecem, por seu devotamento à Ciência Espírita, serem chamados "Apóstolos do Espiritismo". Dentre eles, apenas Gabriel Delanne nasceu numa família que já conhecia o Espiritismo. Allan kardec, quando iniciou as suas atividades espíritas, já tinha 51 anos. Léon Denis, a seu turno, viveu 16 anos sem ter ouvido falar de Espiritismo.

2. A FAMÍLIA DELANNE 

Seu pai, Alexandre Delanne, ao viajar em negócios, ouviu falar do Espiritismo, o que lhe ensejou a leitura de O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns. Depois dessa leitura, teve a curiosidade de conhecer pessoalmente Allan Kardec. Fê-lo, e foi acolhido fraternalmente pelo Codificador do Espiritismo. Tornaram-se amigos, a ponto de Allan Kardec freqüentar a sua casa. Foi dentro desse ambiente que cresceu Gabriel Delanne. Em fins de 1889, Alexandre funda o seu Grupo Espírita, e sua esposa torna-se uma excelente médium-escrevente. É assim que, desde o começo de sua vida, já estava familiarizado com o vocabulário espírita.

3. FORMAÇÃO DE GABRIEL DELANNE 

Estudou no Colégio de Cluny (Saône-et-Loire), em seguida, com seu irmão Ernesto, no Colégio de Gray (Haute-Saône). Formou-se em Engenharia, e trabalhou como engenheiro na Companhia de Ar Comprimido e Eletricidade Popp, onde permaneceu até 1892.

4. PARTICIPAÇÃO NO MOVIMENTO ESPÍRITA 

Foi fundador, juntamente com seu pai, da União Espírita Francesa, em 24/12/1882; - Colaborador e redator da revista bimensal Le Spiritism, em março de 1883; - Auxiliou na fundação da Federação Francesa-Belgo-Latina, em 1883; - Durante os anos de 1886, 1887, 1888, 1889 e 1890 fez inúmeras conferências de propaganda do Espiritismo. - Em julho de 1896 apareceu o 1.º número da Revista Científica Moral do Espiritismo, fundada por Gabriel Delanne.

5. OBRAS QUE NOS DEIXOU 

Le Spiritisme devant la Science (O Espiritismo perante a Ciência), em 1885;

Le Phénomène Spirite (O Fenômeno Espírita), em 1896;

L’Évolution Animique (A Evolução Anímica), em 1897;

Recherches sur la Médiumnité (Pesquisas sobre a Mediunidade), em 1898;

L’Âme est Immortelle (A Alma é Imortal), em 1897;

Les Apparitions Matérialisés des Vivants et des Mort, tome I (As Aparições Materializadas dos Vivos e dos Mortos, 1.º volume), em 1909;

Les Apparitions Matérialisés des Vivants et des Mort, tome II (As Aparições Materializadas dos Vivos e dos Mortos, 2.º volume), em 1911;

La Réincarnation (Documentos para Servir ao Estudo de Reencarnação), em 1927. 

Observação: para maiores informações, consulte a obra Gabriel Delanne: Sua Vida, seu Apostolado, sua Obra, de BODIER, Paul e REGNAULT, Henri (Rio de Janeiro, C. E. Léon Denis, 1988), da qual foi tirado o presente resumo.

 


07 julho 2021

Bem-Aventurados os Mansos e Pacíficos

“Bem-Aventurados os Mansos e Pacíficos” é o título do capítulo IX de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, e trata dos seguintes assuntos: Injúrias e Violências — Instruções dos Espíritos: — A Afabilidade e a Doçura — A Paciência — Obediência e Resignação — A cólera.

As máximas sobre as injúrias e violências podem ser resumidas: os mansos possuirão a Terra, os pacíficos serão chamados filhos de Deus e quem matar será réu em juízo. Nessas máximas, Jesus estabeleceu como lei a doçura, a moderação, a mansuetude, a afabilidade e a paciência. Consequentemente, condenou a violência e a cólera. 

A frase "Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra" pode ser entendida da seguinte maneira: ao esperar os bens do céu, o homem necessita dos bens da terra para viver. O que ele recomenda, portanto, é que não se dê a estes últimos mais importância que aos primeiros. Em outras palavras, até agora os bens da terra foram açambarcados pelos violentos, em prejuízo dos mansos e pacíficos. Quando imperar a lei de amor e caridade, não haverá mais egoísmo.

A benevolência para com os semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que são a sua manifestação. Necessário que essa afabilidade não seja apenas uma máscara. Em muitos lares, observa-se: chefes de família não podendo ser tirânicos em suas atividades costumeiras, descontam a sua violência dentro do lar, dizendo: Aqui eu mando e sou obedecido”.

Em se tratando da evolução do Espírito, a dor é uma bênção que Deus envia aos seus eleitos. “Não vos aflijais, portanto, quando sofrerdes, mas, pelo contrário, bendizei a Deus todo-poderoso, que vos marcou com a dor neste mundo, para a glória no céu”.

Neste capítulo há um apelo à paciência, visto que a paciência é também caridade. Por isso, o exercício do perdão aos que Deus colocou em nossos caminhos. O fardo parece mais leve quando olhamos para o alto, do que quando curvamos a fronte para a terra.

Quanto à obediência e à resignação ensinadas por Cristo, entendamos: a obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração. Ambas são forças ativas, porque levam o fardo das provas que a revolta insensata deixa cair.

Quanto à cólera, anotemos: “O orgulho vos leva a vos julgardes mais do que sois, a não aceitar uma comparação que vos possa rebaixar, e a vos considerardes, ao contrário, de tal maneira acima de vossos irmãos, seja na finura de espírito, seja no tocante à posição social, seja ainda em relação às vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e vos fere. E o que acontece, então? Entregai-vos à cólera”.

O corpo não dá impulsos de cólera a quem não os tem, como não dá outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. Sem isso, onde estariam o mérito e a responsabilidade?



Parábola do Juiz Iníquo

“Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que deviam orar sempre e nunca desanimar, dizendo: Havia em certa cidade um juiz, que não temia a Deus, nem respeitava os homens. Havia também naquela mesma cidade uma viúva que vinha constantemente ter com ele, dizendo: Defende-me do meu adversário. Ele por algum tempo não a queria atender; mas depois disse consigo: se bem que eu não tema: a Deus, nem respeite os homens, todavia como esta viúva me incomoda, julgarei a sua causa, para que ela não continue a molestar-me com as suas visitas. Ouvi, acrescentou o Senhor, o que disse este juiz injusto; e não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a Ele clamam dia e noite, embora seja demorado a defendê-los? Digo-vos que bem depressa lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na Terra?” (Lucas, XVIII, 1-8.)

Tese: uma viúva reclamava constantemente a um juiz, que não queria atendê-la. De tanto insistir, ele resolveu julgar o caso para se livrar dela. 

Iniquidade é a falta de equidade, é a justiça revoltante. Iníquo é o homem perverso, criminoso, seja ele quem for. 

As pessoas não deveriam ser distinguidas pelo dinheiro, nem pelos títulos, mas pelo seu caráter. Nesse caso, o caráter do iníquo é pervertido. Observe o que aconteceu nesta parábola: para não ser importunado, o juiz resolveu o problema, não para servir, mas para ficar livre do incômodo apresentado pela viúva..

A iniquidade encontra-se na demora do despacho na petição da viúva. Foi o que sucedeu com o juiz iníquo ante a insistência da viúva. Se este, fosse equitativo, justo, reto, de bom caráter, cumpridor de seus deveres, a viúva teria recebido deferimento do seu pedido com muito maior antecedência.

A justiça tarda, mas não falha. Se a justiça, embora demorada, se faz na Terra até contra a vontade dos juízes, como não há de ser ela feita pelo Supremo e Justo Juiz do Céu? A deficiência, portanto, não é de Deus, mas dos homens, que ainda são vazios de caridade. 

A iniquidade lavra como um incêndio devorador, aniquilando as consciências e maculando os corações.

Extraído de: Schutel, Cairbar. Parábolas e Ensinos de Jesus 

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/par%C3%A1bola-do-juiz-in%C3%ADquo



Apóstolo Paulo: O Brado da Imortalidade

“Já não sou mais eu quem vive, mas o Cristo é que vive em mim; já não sou mais eu quem fala e quem age, mas o Cristo é que fala e age em mim.” (Paulo)

O brado de Damasco: Saulo, Saulo, Eu sou Jesus! Duro te é recalcitrar contra o aguilhão: é o brado da Imortalidade e Comunhão Espírita, que se repete, hoje, pelo mundo todo chamando os homens ao Caminho, à Verdade, à Vida!

Saulo perseguia os cristãos. No caminho de Damasco tem uma queda, fica cego e é socorrido por Ananias, a quem perseguia. Posteriormente, muda o seu nome para Paulo, que foi o mais belo rebento da Arvore do Cristianismo.

Dentre todos os grandes da  Fé, Paulo é o mais citado porque sua luz ultrapassa a todos os anseios da Caridade, sua Sabedoria excede a todas as ciências, seus prodígios são superiores a todos os prodígios. 

Jesus teve grande influência na missão de Paulo, pois converteu-o ao Cristianismo por seu saber, sua inteligência e sua perspicácia, no sentido de levar o Evangelho aos Gentios.

Os discípulos e Paulo. Todos os discípulos de Jesus receberam o ensino oral da Divina Doutrina durante a encarnação do Messias; só Paulo o recebeu depois da desencarnação do Nazareno. Há, assim, grande diferença entre eles. No caso dos discípulos, havia o contato direto com os conselhos, as promessas e os milagres de Jesus. Paulo recebeu o próprio Espírito do Mestre, que o assistia, como Elias repousava sobre Eliseu.

Sobre o depender dos outros, dizia: “Nunca fui pesado a quem quer que seja; para a minha subsistência, e para auxiliar os que me são próximos, estes braços me serviram.” Lembremo-nos de que Paulo era tecelão, fabricava ou manipulava tendas de campanha.

Nada podia separar Paulo de Jesus. “Quem me separará do amor de Cristo Jesus? A saúde, a enfermidade, a abundância, a miséria, as potestades, a vida, a morte? Nada me separará do Amor do Cristo.”

Em suas Epístolas ressaltava a sobrevivência humana, a comunicação espírita, a reencarnação, a evolução para a perfeição, para a salvação.

Fonte de Consulta: Schutel, Cairbar. Parábolas e Ensinos de Jesus



06 julho 2021

Inconvenientes e Perigos da Mediunidade

 “Inconvenientes e Perigos da Mediunidade” é o título do capítulo XVIII de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, e trata da influência do exercício da mediunidade sobre a saúde, sobre o cérebro e sobre as crianças. 

Alguns tópicos:

  • A faculdade mediúnica é um estado às vezes anormal, mas não patológico. 
  • Como qualquer outra atividade, o exercício prolongado da mediunidade também causa fadiga, principalmente nas sessões de efeitos físicos. 
  • O exercício da mediunidade depende do estado físico e moral do médium. Quando o médium começa a se sentir fatigado, deve abster-se. 
  • O exercício da mediunidade não produz a loucura, se esta já não existir em germe. 
  • É inconveniente desenvolver a mediunidade das crianças, porque seus organismos frágeis e delicados seriam muito abalados e sua imaginação infantil muito superexcitada.
  • Quando a faculdade se manifesta espontânea numa criança, é que pertence à sua própria natureza e que a sua constituição é adequada. 
  • Devemos ter cuidado em desenvolver a mediunidade nas crianças por causa dos Espíritos mistificadores. Há, também, a questão do recolhimento não muito usual num corpo juvenil. 
  • Nunca devemos forçar o desenvolvimento da mediunidade em crianças. E quando ela for natural, cuidar para que não se degenere. 




03 julho 2021

Penas e Gozos Futuros

 "Penas e Gozos Futuros" é o título do capítulo II do Livro Quarto - "Esperanças e Consolações" - de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Nele são tratados os seguintes temas: O Nada. A Vida Futura, Intuição das Penas e dos Gozos Futuros, Intervenção de Deus nas Penas e Recompensas, Natureza das Penas e dos Gozos Futuros, Penas Temporais, Expiação e Arrependimento, Duração das Penas Futuras, Ressureição da Carne, Paraíso, Inferno, Purgatório. Paraíso Perdido. 

Na questão 959, Allan Kardec indaga sobre a origem do sentimento instintivo a respeito da vida futura. Recebe a seguinte consideração: "Antes da encarnação o Espírito conhece todas essas coisas, e a alma guarda uma vaga lembrança do que sabe e do que viu no estado espiritual". Sobre a crença de todos os povos nas penas e recompensas, recebe a seguinte resposta: "Pressentimento da realidade, dado ao homem pelo seu Espírito".

Será que Deus tem necessidade de se ocupar de cada um dos nossos atos, para nos recompensar ou punir? Não. As leis de Deus foram escritas em nossa consciência. A punição resulta na infração dessas leis. Não é Deus quem nos recompensa ou pune, mas as suas leis, chamadas por nós de Leis Divinas ou Naturais. Nesse sentido, quando alguém nos faz um mal, é muito mais sábio deixar a punição pela própria lei divina e não pelas nossas próprias mãos. 

As penas da alma no mundo espiritual não têm nada de material, pois a alma não é de matéria. Os quadros tenebrosos que se nos apresentam da vida após a morte são o resultado da inteligência ainda não muito desenvolvida. Há, também, o problema da linguagem.  "Vossa linguagem é muito imperfeita para exprimir o que existe além do vosso alcance. Por isso foi necessário fazer comparações, sendo essas imagens e figuras tomadas como a própria realidade. Mas à medida que o homem se esclarece, seu pensamento compreende as coisas que a sua linguagem não pode traduzir".

Em linhas gerais, há a felicidade dos bons e a tortura dos maus. A felicidade dos bons Espíritos consiste em conhecer todas as coisas; não ter ódio, nem ciúme, nem inveja, nem ambição, nem qualquer das paixões que fazem a infelicidade dos homens. O sofrimento dos maus, que muitas vezes têm dificuldade de nos dar uma ideia, caracteriza-se por um sentimento horrível e o pensame3nto de serem condenados para sempre. 

Conclusão: as penas e os gozos são inerentes ao grau de perfeição do Espírito. Cada um traz em si mesmo o princípio de sua própria felicidade ou infelicidade. 

Consultando este tema em O Livro dos Espíritos, poderemos extrair outros detalhes sumamente importantes. 

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/penas-e-gozos-futuros


28 junho 2021

Dominação Telepática

"Dominação Telepática" é o título do capítulo XIX do livro Nos Domínios da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Candido Xavier. Antes de tratarmos do capítulo em si, observemos que a telepatia é a comunicação direta de uma mente para outra sem quaisquer intermediários

Caso: esposa entra mentalmente em litigio com a amante de seu marido.

Anésia, mãe de três filhas, com sua mãe doente e prestes a desencarnar, defrontava-se com a luta íntima, dramática, de vez que Jovino, o esposo, vivia sob a estranha fascinação de outra mulher. Jovino, por sua vez, deixou-se dominar pelos pensamentos da nova mulher. Em tudo que fosse fazer, era ela sempre ela a senhorear-lhe a mente desprevenida.

Pergunta-se ao assistente Áulus sobre a possibilidade de ele interferir no caso. Ele responde que não é conveniente estabelecer medidas drásticas sem antes auscultar o caso na sua intimidade. Convém, antes, analisar o passado para concluir sobre as raízes da ligação a que nos reportamos. Depois, acrescenta: estará descendo Jovino a impressões do pretérito? não será uma provação que o nosso amigo terá traçado à própria consciência, com finalidade redentora, e à qual não sabe agora como resistir?

Em conversações dentro do lar, Anésia pede para Jovino participar das preces. Disse não concordar com o pedido da esposa, alegando que tratar dos seus negócios era muito mais importante. Anésia insiste e diz que o acha muito ausente. Ele, por sua vez, retruca alegando que precisa de dinheiro e deve cuidar dos negócios em primeiro lugar. 

Em vista do exposto, Anésia se vê envolta em reclamações silenciosas. Na análise da situação, os mentores observam: "vimos de novo a mesma figura de mulher que surgira à frente de Jovino, aparecendo e reaparecendo ao redor da esposa triste, como que a fustigar-lhe o coração com invisíveis estiletes de angústia, porque Anésia acusava agora indefinível mal-estar"

As consequências dos pensamentos de revide não muito salutares. "À medida, porém, que Anésia monologava intimamente em termos de revide, a imagem projetada de longe abeirava-se dela com maior intensidade, como que a corporificar-se no ambiente para infundir-lhe mais amplo mal-estar" Este conflito se repetiu por várias semanas. Teonília, auxiliar do mundo espiritual, temia pela saúde de Anésia. Nesse sentido, Áulus deu-se pressa em aplicar-lhe recursos magnéticos de alívio e, desde então, as manifestações estranhas diminuíram até completa cessação.

Depois do refazimento de Anésia, o assistente explica: "Jovino permanece atualmente sob imperiosa dominação telepática, a que se rendeu facilmente, e, considerando-se que marido e mulher respiram em regime de influência mútua, a atuação que o nosso amigo vem sofrendo envolve Anésia, atingindo-a de modo lastimável, porquanto a pobrezinha não tem sabido imunizar-se com os benefícios do perdão incondicional". Este fenômeno é muito comum. É a influenciação de almas encarnadas entre si que, às vezes, alcança o clima de perigosa obsessão. Por trás deste fenômeno está o problema da sintonia entre almas. 

A melhor maneira de solucionar a questão da antipatia contra nós é recusar-lhe o combustível, como se faz na prevenção do fogo. Por isso, o vigiar e orar e a reiteração da fé em Deus e nos protetores do espaço. 



17 junho 2021

Padre Damiano e o Heroísmo de Alcione

O Espírito Emmanuel, em Renúnciacopyright 1942, livro psicografado por F. C. Xavier, narra o martírio, o sacrifício e o heroísmo de Alcione, Espírito já iluminado, que se predispõe a reencarnar na Terra com o objetivo de salvar a sua alma gêmea, Carlos. Este romance passa-se na França, Espanha, Irlanda e Américas, século de Luís XIV. Há um entrelaçamento de famílias, em que a mãe de Alcione, Madalena Vilamil, casada com Cirilo, é traída por Susana Duchesne, que tempos depois, torna-se esposa de Cirilo. 

O padre Damiano exerce papel importante no entrelaçamento dos personagens, pois a alma gêmea de Alcione, Carlos, é sobrinho dele. Porém, o padre Damiano não é um padre qualquer, pois mesmo seguindo a ortodoxia da Igreja, nos seus colóquios particulares, principalmente com Alcione e sua mãe, ensina-lhes sobre a pluralidade das existências, as questões das provas e expiações e a missão do Espírito encarnado.  

Alcione é a figura central do romance, Na infância, tem de cuidar da mãe, pois esta, depois de ter contraído a peste e do desaparecimento do marido, está sempre doente. No meio do caminho, aparece Robbie, portador de deficiência física, seu irmão de criação, exigindo-lhe cuidados especiais, inclusive aqueles concernentes à educação. Nesse meio tempo, o padre Carlos lhe é apresentado pelo padre Damiano, que insiste em desposá-la, mesmo que tenha que abandonar a batina.    

Num determinado momento, ao aceitar uma oferta de emprego, como serva, descobre que o proprietário do imóvel é seu pai, Cirilo, que está casado com Susana. Mesmo sabendo que ele é o seu pai desaparecido, mantém segredo sobre o assunto, pois achava que a sua missão era consolar as suas almas, principalmente a da sua esposa que, por egoísmo, praticara um ato abominável, anunciando que Madalena havia desencarnado durante a peste devastadora.  

O padre Carlos, por amor de Alcione, abandonou a batina. Procurando Alcione para propor-lhe casamento, recebe desta um apelo de adiamento, pois Alcione achava que não tinha ainda terminado a sua missão entre os seus familiares, mas tão logo se sentisse livre, iria procurá-lo. Tempos depois, com a morte de sua mãe, do seu pai e de Robbie, sente-se livre e vai em sua busca. Quando o encontra, este já está casado com outra mulher. 

Em vista disso, entra no convento. Em seus trabalhos no convento, entra em atrito com o Santo Ofício. Fica presa em condições insalubres e sua saúde se definha lentamente. Prestes a desencarnar, recebe a visita de Carlos, agora revestido de autoridade do Santo Ofício e responsável pela sua sorte na cárcere. 

 


06 janeiro 2021

Predições do Evangelho

"Predições do Evangelho" é o título do capítulo XVII de A Gênese de Allan Kardec. Os itens analisados são: ninguém é profeta em seu país, morte e paixão de Jesus, perseguição dos apóstolos, cidades impenitentes, ruína do templo de Jerusalém, maldição aos fariseus, minhas palavras nunca passarão, a pedra angular, parábola dos vinhateiros, um só rebanho e um só pastor, vinda de Elias, anúncio do Consolador, segunda chegada do Cristo, sinais precursores, vossos filhos e vossas filhas profetizarão e juízo final.

Anotemos alguns desses itens:

Ninguém é profeta em seu país. Em Mateus 13, 54 a 58 encontra-se a frase "um profeta só não é honrado em sua terra e na sua casa". Este enunciado tornou-se um provérbio, que é de todos os tempos e à qual se poderia dar maior amplitude, dizendo que ninguém é profeta em vida. Este provérbio mostra, em essência, a dificuldade de se reconhecer a superioridade de indivíduos que convivem no mesmo meio. Temos a impressão de que o estrangeiro possui mais valor e qualidade do que aqueles que estão ao nosso lado.

A previsão da morte e paixão de Jesus. Jesus afirma que o Filho do Homem tem que ser entregue às mãos dos homens. Acrescenta que seria morto e ressuscitaria ao terceiro dia.

A perseguição aos apóstolos: Jesus alerta os seus apóstolos sobre as dificuldades que terão de enfrentar por defender as ideias de sua doutrina. Vocês serão expulsos das sinagogas, traídos e entregues aos magistrados. Pela vossa paciência é que possuireis vossas almas . (Lucas, 21, 16 a 19)

Minhas palavras não passarão. As palavras de Jesus não passarão porque serão verdadeiras em todos os tempos. Poderão perder-se nas interpretações, mas o conteúdo doutrinal seguirá, porque a humanidade caminha para o progresso, quer queiramos ou não. Ele disse: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada.

A pedra angular. A palavra de Jesus é a luz do novo edifício da fé. "Havendo os judeus, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus rejeitado essa pedra, ela os esmagou, do mesmo modo que esmagará os que, depois, a desconheceram, ou lhe desfiguraram o sentido em prol de suas ambições".

Um só rebanho e um só pastor. No futuro, os homens se unirão em uma crença única. As religiões, de um modo geral, acham-se na posse exclusiva da verdade. "As religiões terão que se encontrar num terreno neutro, se bem que comum a todas; para isso, todas terão que fazer concessões e sacrifícios mais ou menos importantes, conformemente à multiplicidade de seus dogmas particulares". 

Anunciação do Consolador.  O Espiritismo realiza todas as condições do Consolador que Jesus prometeu. "Não é uma doutrina individual, nem de concepção humana; ninguém pode dizer-se seu criador. É fruto do ensino coletivo dos Espíritos, ensino a que preside o Espírito de Verdade". 

Fonte de Consulta

KARDEC, Allan. A Gênese, capítulo 17.




05 janeiro 2021

Papel da Ciência na Gênese

Como as religiões se ligam ao princípio das coisas, os primeiros livros sacros foram, ao mesmo tempo, ciência e religião. Havia, entretanto, um grande problema: os livros sacros eram interpretados segundo a fé cega e a obediência passiva. Allan Kardec acha que a ciência é de suma importância para a explicação da Bíblia. Tinha cautela quanto ao uso da ciência na antiguidade, pois ela não estava tão instrumentalizada quanto nos dias presentes. Como os meios de observação eram imperfeitos, os conhecimentos adquiridos estavam sujeitos a muitos erros.

Realcemos alguns aspectos deste estudo:

1) A ciência auxilia o conhecimento da criação. Sem a ciência, torna-se impossível conceber a Gênese, pois é ela que nos fornece subsídios sobre a química, a física, a astronomia, entre outros.

2) Presentemente, a ciência não resolveu todos os problemas da Gênese, mas conseguiu destruir muitos erros advindos da fé cega.

3) A gênese de Moisés, onde alguns erros são mais aparentes do que reais, é a que mais se aproxima dos dados científicos modernos.

4) Sob a alegoria da Bíblia, há verdades sublimes.

5) A Bíblia como revelação divina. A Ciência busca fatos. Se a revelação contraria os fatos, deve-se reanalisar a própria revelação divina.

6) Para a ciência nada é sagrado. A missão da Ciência é descobrir as leis da natureza. Mais cedo ou mais tarde a verdade vem à luz.

7) A Ciência busca explicações sobre o princípio material. Em se tratando do Espírito, há que se caminhar pela filosofia.

8) As questões fundamentais do ser humano são: quer saber de onde veio, para onde vai, se já viveu e se viverá ainda.

9) A ciência não consegue resolver as dúvidas do porvir. O nada é algo que gela o coração humano. Ele precisa de um consolo sobre a vida futura.

10) O conhecimento das leis do princípio espiritual estava reservado à nossa época, como o das leis da matéria foi obra dos dois últimos séculos.

11) O conhecimento do princípio espiritual. Na Metafísica, o estudo fora especulativo e teórico; no Espiritismo, com a ajuda da mediunidade tornou-se experimental.

O mundo espiritual e o mundo material são solidários. Todos os dois têm parte de ação na Gênese. Sem o conhecimento das leis que regem o primeiro, será também impossível constituir uma Gênese completa, tanto quanto o é a um escultor dar vida a uma estátua.

Fonte de Consulta

KARDEC, Allan. A Gênese, capítulo 4.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/papel-da-ci%C3%AAncia-na-g%C3%AAnese



Egoísmo e Orgulho

"Egoísmo e Orgulho: suas causas, efeitos e meios de destruí-los" é o subtítulo de "Questões e Problemas" do livro Obras Póstumas de Allan Kardec. Os outros assuntos são: as expiações coletivas, liberdade, igualdade e fraternidade, as aristocracias, os desertores e breve resposta aos detratores do Espiritismo.

A maior parte das misérias da vida provém do egoísmo, ou seja, das pessoas que só pensam em si mesmas. Daí, o antagonismo social, lutas, conflitos e misérias. Onde, porém, encontrar a origem do egoísmo? No orgulho. O orgulho e o egoísmo assentam-se no instinto de conservação. É a malversação deste instinto que provoca o egoísmo e orgulho.

A felicidade não combina muito bem com o egoísmo e o orgulho. Nós só seremos felizes se formos imbuídos do sentimento de benevolência, indulgência e condescendência reciproca. Allan Kardec, neste tema, afirma-nos que não basta proclamar o reino da felicidade, é imperioso destruir as causas, ou seja, o orgulho e o egoísmo.

Urge fazermos com que a exceção (virtude) vire regra. Para tanto, envidemos todos os esforços para destruir as causas do orgulho e do egoísmo. Dentre essas causas, há aquela que diz respeito à falsa ideia que o ser humano faz de sua natureza, de seu passado e de seu futuro.

A identificação da vida futura é sumamente importante. A efemeridade da vida presente se abre ao esplendor da vida futura. Ao lado da crença em Deus e na perspectiva da vida futura, é preciso ver o passado para se fazer uma ideia justa do presente. 

O Espiritismo é a chave da felicidade, pois seus princípios minam o egoísmo e o orgulho pela base, dando um ponto de apoio à moral.

Fonte de Consulta

KARDEC, Allan. Obras Póstumas, página 188.

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"... A consequência inevitável disso é o crescimento do egoísmo entre as pessoas. Faz parte da própria natureza do egoísmo ver as coisas fora de proporção: o “eu” se torna dominante e o mundo inteiro é distorcido. Mais uma vez estamos diante da alienação em relação à realidade. Nenhum homem que conheça a si mesmo em seus relacionamentos ab extra pode ser um egoísta. Mas aquele que é cônscio apenas de seu “eu” sofre de um verdadeiro desarranjo mental. Como disse Platão: “Na verdade, o excessivo amor de si é em cada homem a fonte de todas as ofensas; pois o amante fica cego em relação ao amado, de modo que julga erroneamente o justo, o bem e o honrável e crê que deve sempre preferir seu próprio interesse à verdade”. Portanto, o ensimesmamento é um processo que tira uma pessoa da realidade “real” e, portanto, da harmonia social. Parece-me importante lembrar também que Nathaniel Hawthorne, sincero estudioso das almas pecadoras, concluiu — após uma vida inteira de introspecção e reflexão — que o egoísmo é o único pecado imperdoável". (Capítulo 4 — "Egoísmo no Trabalho e na Arte", de As Ideias têm Consequências, de Richard M. Weaver)

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No egoísmo ético, cada pessoa deve procurar exclusivamente o seu próprio autointeresse. Essa é a moralidade do egoísmo. Ela sustenta que o nosso único dever é fazer o que é melhor para nós. As outras pessoas importam só na medida em que elas podem nos beneficiar.



Expiações Terrestres

"Expiações Terrestres" é o título do capítulo VIII do livro O Céu e o Inferno de Allan Kardec. Há explicações sobre Marcel, o menino do n.º 4, Szymel Slizgol, Juliana Maria, a mendiga, Max, o mendigo, a história de um criado, António B... (enterrado vivo — pena de talião), Letil, um sábio ambicioso, Carlos de Saint-G... (idiota), instrução de um Espírito acerca de idiotas e loucos, dada na Sociedade de Paris, Adelaide Margarida Gosse, Clara Rivier, Francisco Vernhes, Ana Bittere e Joseph Maitre — o cego.

Sintetizemos algumas das expiações:

Marcel, o menino do n.º 4. Este menino fora, em encarnação passada, belo, rico e adulado. Renegou a Deus, prejudicou seu semelhante, mas expiou cruelmente, primeiro no mundo espiritual e depois no mundo terrestre.

Szymel Slizgol. Fora rei numa encarnação passada e espezinhava os pobres. Durante 30 anos mendigou com uma salva nas mãos. Por toda a cidade era bem conhecida aquela voz que dizia: "Lembrai-vos dos pobres, das viúvas e dos órfãos!"

Juliana Maria, a mendiga. Ao ser questionada sobre a sua existência passada, disse ser inútil falar dela, pois a situação em que viveu demonstra as precedentes encarnações.

Max, o mendigo. Numa vida passada, há cerca de um século e meio, foi rico e poderoso. Sua fortuna serviu exclusivamente aos prazeres, ao jogo e à libertinagem.

A história de um criado. Ele quis expiar o orgulho, na última existência, sob a condição de criado, provando ao mesmo tempo a dedicação devida ao meu benfeitor.

António B... (enterrado vivo — pena de talião). Antonio B..., numa existência anterior, enterrara viva a sua mulher, num fosso! A pena de talião devia ser-me aplicada. Olho por olho, dente por dente.

Letil. Morreu queimado. Há dois séculos mandou queimar uma rapariga inocente, de aproximadamente 14 anos, acusada de cumplicidade em uma conspiração contra a política clerical.

Grande ensinamento dos Espíritos: nesta vida tudo tem sua razão de ser: não há um único sofrimento que não corresponda ao sofrimento que causamos aos outros. 

Fonte de Consulta

KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno, capítulo 8 (segunda parte)