06 julho 2011

Animismo e Espiritismo

O termo animismo foi criado pelo etnólogo inglês Tylor (E. B. Tylor), na segunda metade do século XIX. Comporta muitas interpretações. Em sentido restrito, explica-se a vida pela presença, em cada organismo, de uma alma. Opõe-se ao materialismo, que a explica pela matéria inanimada. Em sentido mais amplo, é imaginar uma alma (anima) em todos os seres, inclusive naqueles privados de sensibilidade, tais como, florestas, rios e estrelas.

Tanto o animismo quanto o vitalismo pressupõem que a alma é o princípio ou causa de todos os fenômenos vitais. Para os vitalistas, há dois princípios explicativos da vida, formando um duplo dinamismo. Os animistas atribuem a uma causa única, a alma, os fenômenos vitais e os de ordem intelectual e moral.

Para o Espiritismo, o animismo é o estado em que opera o Espírito do médium, e não o do desencarnado. O médium, sob a influência da própria faculdade ou da assistência, fala e obra por si mesmo sem interferência de Espírito desencarnado. Diz-se, assim, que o animismo nada mais é do que a influência do médium na comunicação mediúnica. Isto porque, sempre que houver uma comunicação mediúnica, haverá a influência do médium, que empresta o seu veículo físico para a manifestação do Espírito desencarnado.

Allan Kardec não utilizou o termo animismo. Contudo, um estudo apurado do capítulo 19 de O Livro dos Médiuns esclarece-nos que nas comunicações... “O Espírito do médium é interprete e exerce influência sobre as comunicações que deve transmitir. Nunca é completamente passivo. É passivo quando não mistura suas próprias idéias à do Espírito estranho, porém, jamais é absolutamente nulo, seu concurso é sempre necessário como intermediário, mesmo nos que vocês chamam de médiuns mecânicos”.

A coexistência entre animismo e mediunidade é, também, explicada pelo Espírito André Luiz, no capítulo 23 de Mecanismos da Mediunidade. Diz-nos: “Se os vivos da terra e os vivos do além respirassem climas evolutivos fundamentalmente diversos, a comunicação entre eles resultaria de todo impossível, pela impraticabilidade do ajuste mental”.

Não depreciemos e nem menosprezemos o animismo. Ele é fundamental em todas os nossos contatos com os Espíritos desencarnados.

Complemento:

ATÉ UMA ROCHA TEM ALMA: Animismo nas sociedades primitivas 

Tudo no mundo tem uma alma. ==>
Mesmos os seres humanos são apenas recipientes para a alma. ==>
As almas são imortais. ==>
As almas mais importantes são os deuses. ==>
Cerimônias, músicas e oferendas dão aos deuses status no outro mundo. ==>
Se tratarmos bem os deuses, eles nos darão comida. (1)

(1) O Livro das Religiões. Tradução de Bruno Alexander. São Paulo: Globo Livros, 2014.




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