24 junho 2009

Desertores

Desertor é aquele que abandona um partido, uma causa. Todas as grandes ideias têm apóstolos fervorosos; têm, também, os seus desertores. Allan Kardec diz que o Espiritismo não fugiu à regra. Em Obras Póstumas, tece alguns comentários sobre este tema, inclusive dando uma comunicação sobre o assunto, logo após o seu desencarne, em novembro de 1869.

No início, houve equívoco quanto à natureza e aos fins do Espiritismo. As brincadeiras de salão, a curiosidade e o querer entrar em comunicação com os Espíritos foram as primeiras formas que os Espíritos superiores acharam para poder chamar a atenção sobre o fenômeno mediúnico. Quando os Espíritos sérios e moralizadores tomaram o lugar dos Espíritos brincalhões, os adeptos das brincadeiras desertaram.

Na época da adivinhação, muitas pessoas, movidas pelo espírito comercial de ganhar dinheiro na especulação do maravilhoso, acabaram desertando porque os Espíritos não vinham ajudá-las a enriquecer, nem lhes revelar o número sorteado nas loterias. Quando o que vaticinavam dava certo, deferiam louvores ao Espiritismo; quando não dava, denegriam-no. Esta fase também foi útil, porque separou os Espíritas sérios dos aproveitadores.

Haveria deserção entre os Espíritas convictos? Não. Allan Kardec fala das fraquezas humanas, como o orgulho e o egoísmo. Acha que há desfalecimentos, em que a coragem e a perseverança fraquejaram diante de uma decepção. Ele diz: "Entre os adeptos convictos, não há deserções, na lídima acepção do termo, visto como aquele que desertasse, por motivo de interesse ou qualquer outro, nunca teria sido sinceramente espírita".

O Espírito Emmanuel, no capítulo 9, "Mensagem aos Médiuns", do livro Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, alerta-nos sobre a deserção da tarefa mediúnica. Diz-nos que os médiuns, pela misericórdia divina, receberam a bênção da mediunidade para poderem redimir os seus erros do passado. Aceitando as incumbências da tarefa mediúnica, estarão sob a proteção dos benfeitores espirituais; desertando, poderão perdê-la.

O Espírito Irmão X, no capítulo 15, "O Compromisso", do livroEstante da Vida, psicografado por Francisco Cândido Xavier, dá-nos um bom exemplo de deserção. Conta-nos o caso de Alberto Nogueira, Espírito endividado que, antes de reencarnar, pedira lepra, cegueira e toda a sorte de dificuldades, mas os benfeitores espirituais deram-lhe apenas o mandato mediúnico. Instado a colaborar num caso de obsessão, encontram-no totalmente ocioso, enquadrado em pijama, com medo de trabalhar.

Todos nós estamos sujeitos à deserção. Cabe-nos rogar aos bons Espíritos para que a nossa mente seja iluminada, a fim de darmos conta de nossa tarefa.


Bibliografia Consultada



KARDEC, A. Obras Póstumas. 15. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
XAVIER, F. C. Emmanuel (Dissertações Mediúnicas), pelo Espírito Emmanuel. 9. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1981.
XAVIER, F. C. Estante da Vida, pelo Espírito Irmão X. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1974.


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