09 junho 2009

Caráter da Revelação Espírita

Caráter pode ser entendido como os traços marcantes da personalidade. São os traços que identificam uma determinada pessoa. No sentido da Doutrina Espírita, a palavra caráter refere-se à autenticidade dos ensinos transmitidos pelos benfeitores espirituais. Revelar – Do latim revelare significa, literalmente, tirar o véu. Figuradamente, fazer conhecido o que era ignorado ou esquecido. Neste caso, qualquer um de nós pode ser um revelador para o seu próximo; basta transmitir-lhe algo que desconhecia. No sentido teológico, é o ato pelo qual Deus manifesta aos homens o Seu desígnio de salvação e Se lhes dá a conhecer.

A revelação pode ser humana e divina. É humana quando é feita pelo homem. É divina quando é feita por Deus. A revelação divina, por sua vez, pode ser natural e sobrenatural. É natural quando o ser humano, pela sua condição de ser pensante, consegue captar os desígnios de Deus. É sobrenatural quando o teor da mensagem extrapola o nível de conhecimento do ser humano.

No Velho Testamento, não há um termo específico para designar a revelação. Há, sim, intermediários da revelação, que são: Moisés, os profetas, os salmistas e os sábios. No Novo Testamento, os termos para indicar a revelação são: keryssein ("anunciar", "pregar"), evangelizesthai ("evangelizar"), didaskein ("ensinar"), apokalyptein ("revelar") ematheteúein ("fazer discípulos", "instruir"). No Novo Testamento, Cristo é o único Mediador propriamente dito da revelação. Os apóstolos são meros divulgadores, evangelizadores, mas não reveladores.

Teologicamente, as revelações são arbitradas nos concílios. Observe que no Concílio de Trento, a revelação é o anúncio do Evangelho prometido aos profetas, pregado pelos apóstolos, e transmitido à Igreja para que ela o conserve em toda a sua pureza. O Concílio Vaticano II, por sua vez, consagrou à revelação o cap. I da Constituição dogmática Dei Verbum: a) a revelação é um diálogo interpessoal entre Deus e os homens; b) a revelação é progressiva; c) a revelação é constituída por acontecimentos e palavras; d) Cristo é o vértice da revelação.

Em se tratando da revelação espírita, Allan Kardec, no livro A Gênese, diz: "Por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica". A revelação espírita é de origem divina e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem. Os Espíritos superiores inspiram os homens. Estes, por sua vez, devem se valer das pesquisas científicas, para alicerçar esses conhecimentos.

A revelação espírita só apareceu no século XIX. Não poderia ter vindo antes? A revelação espírita participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica. Sendo assim, não poderia ter surgido antes que a ciência tivesse se desenvolvido, principalmente através do método teórico-experimental. Se viesse antes, teria abortada, como tudo o que é prematuro.

Em virtude dos princípios da Doutrina Espírita se ajustarem perfeitamente aos dizeres de Jesus, podemos dizer que o Espiritismo é a terceira revelação divina, o "Consolador Prometido".

Bibliografia Consultada

KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.

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