04 junho 2009

Amar ao Próximo como a Si Mesmo

"Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo". É o 11.º mandamento e resume toda a doutrina de Jesus.
Amor. É um sentimento que nos guia na produção do bem, possibilitando-nos, também, a aquisição de qualidades para o crescimento do Espírito. Próximo. Cada pessoa em particular. A Parábola do Bom Samaritano ajusta-se bem à reflexão sobre "quem é o meu próximo". Si mesmo. Relembrando o "sei que nada sei" de Sócrates.
O contexto em que a frase “amar ao próximo como a si mesmo” foi proferida refere-se à época em que Jesus vivia em lugares administrados pelos governadores romanos, que impunham o seu poder de forma arbitrária, sobrecarregando os habitantes da Palestina e demais regiões. Em resposta à pergunta sobre o maior mandamento da lei de Deus, Jesus diz: "Amareis o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma, e de todo o vosso espírito; é o primeiro e o maior mandamento. E eis o segundo que é semelhante àquele: Amareis o vosso próximo como a vós mesmos. Toda a lei e os profetas estão contidos nestes dois mandamentos". (Mateus, 22, 34 a 40)

Os Espíritos orientam-nos que a base da verdadeira justiça é a de se querer para os outros aquilo que se quer para si mesmo, e não de querer para si o que se deseja para os outros, o que não é a mesma coisa.

Se os ensinamentos evangélicos tendem para a paz e a harmonia, como se explica a violência nos dias atuais? Ignorância do ser humano quanto à lei maior ensinada por Cristo. Vejamos alguns exemplos: ato da criação bíblico, lei de Talião, Hegel e a luta dos contrários, Marx e a luta de classes, Hobbes e o homem como lobo do homem. Ainda: a violência está dentro de cada um de nós. Se não fôssemos violentos, o mundo não o seria.

Amar ao próximo como a si mesmo é um trabalho árduo que deve começar bem, pois caso contrário o resultado é nulo. Muitas vezes implica num sacrifício total da liberdade humana, coisa que nem sempre estamos dispostos a praticá-la.

Complemento 




QUESTÕES de Ariana Pereira, repórter do jornal Diário da Região, de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, para a revista Bem-Estar e RESPOSTAS de Sérgio Biagi Gregório



Por que Jesus, um grande mestre espiritual, insistia tanto na questão do amor ao próximo?

Para entendermos a posição de Jesus, quanto ao amor ao próximo, temos de nos reportar à Lei de Deus, ou seja, aos Dez Mandamentos, recebidos mediunicamente por Moisés. De acordo com Allan Kardec, "esta lei é de todos os tempos e de todos os países, e tem, por isso mesmo, um caráter divino". Jesus não veio destruir esta lei, mas dar-lhe cumprimento, desenvolvê-la segundo o grau de adiantamento da humanidade. Em realidade, Jesus resumiu o Decálogo num único mandamento, que costumamos chamar de o 11.º Mandamento: "Amar a Deus acima de todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo". Jesus também acrescenta: "Está aí toda a lei e os profetas". Para Jesus, o próximo é o canal que nos leva a Deus. Sem o próximo, todo o nosso esforço é em vão, porque acabamos chafurdando no egoísmo, o principal cancro da humanidade.

Ele também insistia na questão de amarmos aqueles que consideramos inimigos. Qual a importância disso?

Os inimigos são os nossos verdadeiros mestres. Eles não têm pena de nós e apontam as nossas falhas com bastante frieza, coisa que os nossos amigos não têm coragem de fazê-lo. Amar o inimigo consiste em perdoar-lhe o mal que porventura esteja nos fazendo. O perdão ao inimigo, contudo, tem caráter científico. Observe que acima de nós há uma lei, a Lei Natural, lei esta que orienta todas as nossas ações, pois está escrita em nossa consciência. Quando o nosso inimigo nos faz um mal, ele não nos feriu, mas feriu-se a si mesmo em relação à Lei. Cabe à Lei puni-lo ou não. Quanto a nós, uma vez perdoado o seu ato, ficamos livres e desembaraçados de todas as implicações mentais menos felizes a respeito deste suposto inimigo.

É possível amar o outro sem amar-se?

A tradução correta da frase de Jesus não é bem esta: "Amar ao próximo como a si mesmo", mas sim, "Primeiro ame a si mesmo, para depois amar ao próximo". Há aqui uma grande diferença, pois não fazemos as coisas de modo mecânico, em obediência à pregação evangélica, mas de forma consciente, no sentido de sabermos o que estamos fazendo e o porquê de estarmos agindo desta e não de outra maneira.

Qual o papel do autoconhecimento para que haja amor próprio?

Segundo Sócrates, filósofo da antiguidade clássica grega, o autoconhecimento é a chave libertadora do ser humano. O "Conhece-te a ti mesmo" é um apelo para que o ser humano possa fazer uma volta sobre si mesmo, no sentido de tomar consciência de sua ignorância. É a partir dessa autoconsciência que o ser humano deveria se postar no mundo, pois saberia o que poderia fazer e dispensaria aquilo que não servisse para o seu projeto de vida.

Como amar-se sem perder-se no individualismo?

O primeiro passo é tomarmos consciência de que o mundo em que vivemos é individualista e consumista. Caso contrário, qualquer elaboração do amar-se perde o seu sentido. Observe que a moral primitiva implicava a regulamentação do comportamento de cada um de acordo com os interesses da coletividade. O indivíduo era mero suporte, auxiliar na concretização dos objetivos do grupo. Presentemente, o culto à individualização fê-lo mais materialista e egoísta, pois busca a sua autonomia, a sua independência, nem que para isso passe por cima dos outros. É nesse ponto que a mensagem do amor ao próximo, proferida por Jesus, auxilia-nos a mudar o nosso comportamento, para não nos perdermos no individualismo.

Santa Terezinha dizia que uma alma repleta de amor não pode ficar inativa. O amor impulsiona para o bem-estar do outro?

O outro é a pessoa mais importante. Mesmo quando estamos preparando uma peça oratória, para nós mesmos, estamos pensando em expressá-la ao outro, ao público. Nesse sentido, cada pessoa tem a responsabilidade de ser caminho para os outros. É, portanto, injusto excluir os outros do caminho. Lembremo-nos de que esta responsabilidade não diz respeito somente ao ser humano, mas também em relação ao meio ambiente. Hoje, são muitas as empresas que se preocupam com o que produzem, com o tipo de lixo que estão descartando, com as condições de trabalho de seus funcionários etc.

Como o amor ao outro beneficia a quem se doa dessa forma?

Em primeiro lugar, não deveríamos fazer o bem ao próximo para recebermos uma recompensa, pois estaríamos sendo mercenários, do tipo é dando que se recebe. O benefício, se assim quisermos chamar, é a felicidade de ver a Doutrina do Cristo sendo divulgada e ampliada para atingir todos os seres humanos do planeta.

Ariana Pereira
Diário da Região
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ariana.pereira@diarioweb.com.br
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Publicado em em 31/05/2009 No www.diarioweb.com.br
Teresa de Lisieux, mais conhecida como Santa Terezinha ou Santa das Rosas, costumava dizer que uma alma repleta de amor é incapaz de ficar inativa. Ao passo que o ser humano se conhece e, se conhecendo, passa a se amar verdadeiramente, o movimento em direção ao outro é inevitável. É esse mover-se inevitavelmente ao bem-estar de outros que suscitou líderes como Mahatma Gandhi e Martin Luther King. Amor ao próximo não é uma lição nova. Mas nunca falou-se tanto nisso como hoje. Individualismo e consumismo nos quais está inserida a sociedade atual desencadeiam, cada vez mais, pessoas e iniciativas que desejam romper com essa realidade e inaugurar um novo tempo de compreensão e pacífica convivência entre os indivíduos e os povos. De acordo com o espiritualista Sérgio Biagi Gregório, para que as pessoas entendam a questão do amor ao próximo é necessário fazer referência às leis de Deus. “De acordo com Allan Kardec, ‘essa lei é de todos os tempos e de todos os países, e tem, por isso mesmo, um caráter divino’. Jesus resumiu o Decálogo num único mandamento, que costumamos chamar de o 11º Mandamento: ‘Amar a Deus acima de todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo’. Ele também acrescenta: ‘Está aí toda a lei e os profetas’. O próximo é o canal que nos leva a Deus. Sem o próximo, todo o nosso esforço é em vão, porque acabamos chafurdando no egoísmo, o principal cancro da humanidade.”

Quando as pessoas agem como amigas verdadeiras de outros, desenvolvem uma série de virtudes e conhecimentos que a vida de isolamento jamais permitiria, segundo a facilitadora do Centro de Estudos Budistas Bodisatva em Rio Preto, Maria Eugênia Bouguson. Para exemplificar a afirmação, ela usa a parábola do Bom Samaritano: “após contar a parábola, Jesus pergunta ao fariseu quem foi o próximo do homem que havia caído nas mãos de ladrões. A resposta foi aquele que agiu com misericórdia para com o homem. Aproveitando a ideia e o tema, podemos perguntar: quem amou aquele que caiu nas mãos dos ladrões?”

Livres
Decidir-se por amar o outro liberta o ser humano da solidão gerada pelo egoísmo e orgulho, sentimentos que levam ao sofrimento. Portanto, aprender a se amar e, consequentemente, amar os outros, é garantia de felicidade. Quando uma pessoa não tem capacidade de superar o conceito materialista, refletindo sobre si e concluindo que o ser humano está acima dos bens materiais que possui, pode cair em depressão, se isolar e em alguns casos extremos, desejar o fim de sua vida. A solução definitiva desse problema surgirá quando eleger como valores o respeito, a amizade e o amor. Mas enquanto a maioria das pessoas continuar permitindo que o egoísmo e o orgulho embotem seu raciocínio e sua visão de mundo, aquele que porventura esteja sofrendo, de solidão ou qualquer outro problema, precisa procurar os que já pensam diferente e que compreendem os valores principais da vida”, aconselha o doutor em Física e membro do Grupo de Estudos Avançados Espíritas, Alexandre Fontes da Fonseca.

Chegar, no entanto, à capacidade de amar o outro, seja ele amigo ou inimigo, passa pelo processo interior. É preciso olhar primeiro para si, só assim a pessoa será capaz de sair em busca do outro. Gregório explica que, de acordo com Sócrates (filósofo da antiguidade clássica grega), o autoconhecimento é a chave libertadora do ser humano. O “conhece-te a ti mesmo”, continua o espiritualista, é um apelo para que se possa fazer uma volta sobre si mesmo, no sentido de tomar consciência de sua ignorância. “É a partir dessa autoconsciência que o ser humano deveria se postar no mundo, pois saberia o que poderia fazer e dispensaria aquilo que não servisse para o seu projeto de vida.” E, para que o amar-se não se transforme em apenas mais uma face do individualismo, segundo Gregório, é preciso que a pessoa tenha consciência da sociedade em que vive: individualista e consumista. Caso contrário, para o espiritualista, qualquer elaboração do amar-se perde o sentido. O culto à individualização fez o ser humano mais materialista e egoísta, pois busca a sua autonomia, a sua independência, nem que para isso passe por cima dos outros. “É nesse ponto que a mensagem do amor ao próximo, proferida por Jesus, auxilia-nos a mudar o nosso comportamento, para não nos perdermos no individualismo.”

A partir desse primeiro momento de autoconhecimento e aprendizagem de amar-se com qualidades e defeitos próprios é possível amar não apenas aqueles com quem simpatizamos ou fazem parte de um círculo de amigos. Quem realmente aprende a amar, pode transcender e chegar a amar, inclusive, aqueles que podem ser considerados inimigos. “Os inimigos são os nossos verdadeiros mestres. Eles não têm pena de nós e apontam as nossas falhas com bastante frieza, coisa que os nossos amigos não têm coragem de fazer. Amar o inimigo consiste em perdoar-lhe o mal que porventura esteja nos fazendo. O perdão ao inimigo, contudo, tem caráter científico. Observe que acima de nós há uma lei, a Lei Natural, lei essa que orienta todas as nossas ações, pois está escrita em nossa consciência. Quando o nosso inimigo nos faz um mal, ele não nos feriu, mas feriu-se a si mesmo em relação à Lei. Cabe à Lei puni-lo ou não. Quanto a nós, uma vez perdoado o seu ato, ficamos livres e desembaraçados de todas as implicações mentais menos felizes a respeito deste suposto inimigo, afirma o espiritualista Sérgio Biagi Gregório.

Colheita
A máxima “colher o que se planta” se encaixa perfeitamente à vida de quem se decide por amar o outro, independente das situações em que se encontra. Maria Eugênia acredita que são incontáveis os benefícios àqueles que se disponibilizam a amar a si e ao próximo, principalmente, nos casos em que esse amor se concretiza por meio de gestos como ajudas materiais ou espirituais. “É sempre muito fácil nos colocarmos na posição de receber ajuda. Realmente, em muitas ocasiões, estamos carentes disso. Mas quando nos colocamos na posição de oferecer ajuda estamos colocando à disposição de outrem as nossas capacidades. E o sublime desse ato de amor ocorre quando buscamos nos aprimorar, naquilo que for necessário, para que nossa ajuda se torne mais eficiente.”

Apesar disso, fazer o bem ao próximo não teria de ser um dever e, sim, algo natural e espontâneo sem a expectativa de retorno em qualquer que seja o âmbito. “Não deveríamos fazer o bem ao próximo para receber uma recompensa, pois estaríamos sendo mercenários, do tipo é dando que se recebe. O benefício, se assim quisermos chamar, é a felicidade de ver a Doutrina do Cristo sendo divulgada e ampliada para atingir todos os seres humanos do planeta. O outro é a pessoa mais importante. Mesmo quando estamos preparando uma peça oratória, para nós mesmos, estamos pensando em expressá-la ao outro, ao público. Nesse sentido, cada pessoa tem a responsabilidade de ser caminho para os outros. É, portanto, injusto excluir os outros do caminho”, diz Gregório.
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