10 junho 2009

O Tempo

Tempo é a sucessão dos anos, dos dias, das horas etc., que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro: o curso do tempo; o tempo é um meio contínuo e indefinido no qual os acontecimentos parecem suceder-se em momentos irreversíveis. (Dicionário Aurélio)

O tempo é um problema. Por problema, entende-se uma análise mais acurada de um tema aparentemente fácil e intuitivo. Santo Agostinho nos dizia que quando não lhe perguntavam sobre o tempo, sabia a resposta, mas, se questionado, já não o sabia mais. É factível, pois, considerá-lo como um problema. Por exemplo, ao dizermos que o tempo é a duração sucessiva de qualquer fenômeno ou do movimento real das coisas, criamos um problema, pois o enigma da duração sucessiva é problemático. O que é duração? Os filósofos antigos perguntaram à esfinge o que era o tempo, mas ela nada respondeu, porque era o próprio tempo feito estátua de silêncio.

A pergunta fundamental não é: que é o tempo? Muitos pensadores se posicionaram para defini-lo. Newton diz: "O tempo absoluto, verdadeiro e matemático, flui uniformemente devido à sua própria natureza e a partir de si próprio, sem relação com qualquer coisa externa". Para Aristóteles, "O tempo é o número do movimento segundo um antes e um depois". O físico norte-americano Richard Feynman, laureado com o Prêmio Nobel, afirma: "Tempo é o que acontece quando mais nada acontece". A pergunta fundamental é: "Como é que o homem chega ao tempo?" Para responder a essa pergunta, devemos prestar atenção à classificação hierárquica de vivências do tempo.

Vivência da simultaneidade por oposição a não-simultaneidade;
Vivência da sucessão ou da ordem temporal;
Vivência do presente ou do agora;
Vivência da duração. (Pöpel, 1989, cap. II)

O relógio mede o tempo? Como medir algo que não se deixa tocar, ouvir, saborear nem respirar como um odor? Os relógios são processos físicos que a sociedade padronizou, para computar os segundos, os minutos e as horas. Para que isso seja possível, os acontecimentos devem ocorrer numa certa ordem. Se dois eventos não forem rigorosamente simultâneos, um acontece antes do outro. Qualquer medida desse tempo reduz-se a contar o número de acontecimentos de certo tipo, como, por exemplo, a alternância entre dia e noite. Pode-se usar o número de batidas do pêndulo, ou o número de vibrações de um cristal. Por convenção, um dia possui, assim, a duração de 86.400 segundos e um segundo dura tanto quanto 9.192.633.770 períodos de um fenômeno de transição provocado em um átomo de césio.

A noção de presente torna-se frágil: passamos a dizer: "eu serei" ou "eu era". Entretanto, um consolo é oferecido pela física quântica àqueles que viessem a ficar desgostosos com desaparecimento do presente: nenhuma dimensão poderia ser inferior ao "tempo de Planck", que dura 5,4 x 10-44 segundos. Enquanto decorre essa duração, é, portanto, permitido em boa lógica dizer "eu sou", mas isso tem de ser dito muito depressa. Essa duração interior não mantém, em geral, vínculos estreitos com o tempo objetivo dos acontecimentos: os minutos de espera são longos, os instantes de prazer são curtos; com a idade, os anos passam cada vez mais depressa. (Jacquard, 2004)

Que relação há entre tempo e eternidade? O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é presente. Se séculos de séculos são menos que um segundo, relativamente à eternidade, que vem a ser a duração da vida humana? (Kardec, 1975, pág. 107)



Bibliografia Consultada

FERREIRA, A. B. de H.Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, s/d/p.
PÖPPEL, Ernest. Fronteiras da Consciência: Da Realidade e da Experiência do Mundo. Tradução de Ana Maria Roltoff. Lisboa: Edições 70, 1989.
JACQUARD, Albert. Filosofia para não Filósofos: Respostas Claras para Questões Essenciais. Tradução de Guilherme João de Freitas.Teixeira. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
ASKIN, I. F. O Problema do Tempo - Sua Interpretação Filosófica. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1969.
KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1976.

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