09 junho 2009

Os Animais

Na Revista Terra, os cientistas afirmam que os animais são inteligentes. Fundamentam-se nas seguintes observações:

1) Betty, um corvo fêmeo que, depois de o corvo macho ter desistido de buscar comida no fundo de um vidro, ela aproximou-se com um pedaço de arame, dobrou-o na forma de um gancho e enfiou-o no tubo até o fundo, fisgando o petisco.
2) Os elefantes vivem organizados em grupos sociais ligados por laços de parentesco e amizade. Eles também velam os mortos em rituais.
3) As abelhas, como acontece com muitos outros insetos, agem como se guiados por uma mente coletiva, formada por todos os indivíduos da colméia.
4) Insetos e peixes lembram-se do passado e até aprendem com ele.
5) Os cachorros conseguem entender frases com verbo e objeto direto.
6) Bem ensinados, os orangotangos e os gorilas aprendem a falar por sinais.

Em vista disso, perguntamos: que relação há entre a inteligência humana e a inteligência animal? A inteligência animal é limitada. Para entendê-la, partamos do seguinte: "todo efeito inteligente tem uma causa inteligente; a grandeza do efeito é diretamente proporcional à potência da causa". Disto se conclui que a inteligência animal é da mesma natureza que a humana, apenas diferenciando no desenvolvimento gradativo. Há, no animal, a atenção, o julgamento, o raciocínio, a associação de idéias, a memória e a imaginação, que são atributos da inteligência, mas o seu desenvolvimento está muito aquém daquele conseguido pelo ser humano. Exemplo: os animais não escrevem, não articulam o pensamento, não raciocinam etc.

Os animais têm livre-arbítrio ou só agem por instinto? Allan Kardec, nas perguntas 593 e 595 de O Livro dos Espíritos, diz que o instinto domina na maioria dos animais. "Há neles, portanto, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício é mais precisamente concentrado sobre os meios de satisfazer às suas necessidades físicas e prover à conservação". Em se tratando do livre-arbítrio, acrescenta: "Não são simples máquinas, mas sua liberdade de ação é limitada pelas suas necessidades, e não pode ser comparada à do homem. Sendo muito inferiores a este, não têm os mesmos deveres. Sua liberdade é restrita aos atos da vida material. A sua escolha é mecânica, por instinto".

Sobre a questão polêmica de os animais terem alma, Allan Kardec informa-nos que a alma é um princípio inteligente que independe do corpo físico. Nesse sentido, o animal a possui, mas em grau diverso daquele observado no ser humano. Na pergunta 597A de O Livro dos Espíritos, acrescenta: "Há, entre a alma dos animais e a do homem tanta distância quanta entre a alma do homem e Deus".

Os animais não podem ser médiuns. A mediunidade é uma faculdade humana. Os animais possuem percepção extra-sensorial em alto grau. José Herculano Pires, em seu livro Mediunidade, afirma que somente no ser humano, que é uma síntese perfeita e equilibrada de todo o processo evolutivo alcançado nos vários reinos da natureza, com inteligência desenvolvida, razão e pensamento contínuo e criador, há a possibilidade da eclosão da Mediunidade. Para ele, a Mediunidade é uma função sem órgão, resultante de todas as funções orgânicas e psíquicas da espécie. Ele acrescenta: "A Mediunidade é a síntese por excelência, que consubstancia todo o processo evolutivo da Natureza. Querer atribuí-la a outras espécies que não a humana é simples absurdo".

Bibliografia Consultada

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
Os Animais São Inteligentes
. Revista Terra. Janeiro de 2004, edição 141.
PIRES, J. H. Mediunidade (Vida e Comunicação) - Conceituação, da Mediunidade e Análise Geral dos seus Problemas Atuais. 5. ed. São Paulo: Edicel, 1984.

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