10 setembro 2006

A Alma e a Imortalidade

A imortalidade da alma exprime a noção essencialmente positiva, de vida-sem-fim, daquilo que não é submetido à morte. Excetuando-se o seu uso metafórico, em que uma pessoa pode ser imortal pelas suas idéias ou por seus livros, a imortalidade é a crença de que a alma prossegue viva no além-túmulo. Esta hipótese é sustentada não só pelas religiões como também pelo conjunto da filosofia espiritualista desde a Antigüidade.

Não se sabe quando o ser humano começou a se interessar pela vida após a morte. No período paleolítico – pedra lascada – (2.500.000 a.C. a 10.000 a.C.) não se tem notícia. Somente no período neolítico – pedra polida – (10.000 a.C. a 4000 a.C.) foram registrados alguns indícios: objetos e alimentos deixados perto dos mortos. No antigo Egito, a convicção da existência de uma vida futura era categórica, principalmente pela prática de embalsamar os faraós mortos.

Dependendo do ângulo observado, a palavra alma está sujeita a várias interpretações. Para os materialistas, a alma é o princípio da vida orgânica material; não tem existência própria e se extingue com a vida; para os panteístas, a alma vem de Todo universal, toma um corpo e com a morte volta novamente ao Todo; para os espiritualistas, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva a sua individualidade após a morte. Allan Kardec, por sua vez, além de corroborar com a tese espiritualista, define-a como sendo um Espírito encarnado.

A morte é uma experiência universal. O ser humano nasce, cresce, luta, sofre, sonha, mas é vencido pela morte. A transição deste para o outro mundo depende de crenças e hábitos dos diversos povos. Para alguns há o medo do fogo do inferno; para outros, a serenidade. Os americanos negam a morte, enquanto os Trukeses, os habitantes das ilhas Truk (Pacífico), ratificam-na. Alguns povos choram a morte de seus parentes; outros a festejam. O espírita, porém, não deve temer a morte, porque sabe que receberá toda a proteção necessária dos amigos espirituais.

As expectativas após a morte dependem do próprio conceito de alma, visto anteriormente. Para os materialistas, é o nada que nos espera; para os panteístas, é a dissolução no Todo universal; para os espiritualistas dogmáticos, é a crença num Céu e num Inferno e a ressurreição no dia do Juízo Final; para os espíritas, é a crença de que a alma continua a sua caminhada no mundo espiritual, guardando a sua individualidade e sujeita a um progresso ininterrupto, sofrendo pelos erros cometidos e sendo agraciada pelo bem que fez ao semelhante.

Sejamos obedientes a Deus, aceitando sem reservas as Suas determinações. Somente assim vamos adquirindo uma visão mais acurada da realidade que nos aguarda, a verdadeira realidade espiritual.

São Paulo, 10/5/2006

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