12 setembro 2006

Salvação e Religião

A palavra salvação é um "termo técnico" que tem origem na tradição judeu-cristã e recebe aplicação geral. Religião de "salvação" é a que oferece um diagnóstico da condição humana e oferece um caminho para a saúde ou integridade. Em muitos casos, mas não invariavelmente, necessita de um salvador. Embora a nossa análise se reporte às grandes religiões, não resta dúvida que o Totemismo, a mais primitiva das religiões, traz em seu bojo a idéia de salvação, principalmente nas proibições do culto negativo, como por exemplo, a abstenção de falar, de distrair-se, de lavar-se.

A Religião Egípcia é identificada com o culto da morte. A ciência secreta e os mistérios de Isis e Osíris simbolizam as forças espirituais que se prendiam ao fenômeno da morte. O Livro dos Mortos dá a conhecer os obstáculos que os defuntos encontram no outro mundo e os meios de vencer as dificuldades. Às vezes, no momento dos funerais, representam-se dramas simbolizando o triunfo do morto sobre os demoníacos adversários. De acordo com o Espírito Emmanuel, em A Caminho da Luz, os egípcios eram, dentre os Espíritos degredados do Planeta Capela, os que menos débitos possuíam perante o tribunal da Justiça Divina. Por isso, foram os que mais se destacaram na prática do Bem e no culto da Verdade.

O Vedismo, o Bramanismo, o Hinduismo, o Jainismo e o Budismsão as diversas religiões da índia. Os cânticos dos Vedas são bem uma glorificação da fé e da esperança em face da Majestade Suprema do Senhor do Universo. A faculdade de tolerar e de esperar aflorou no sentimento coletivo das multidões, que suportaram heroicamente todas as dores e aguardaram o momento sublime da redenção. A salvação (moksha) consistiria em libertar-se do karman, em libertar-se de qualquer renascer, pois renascer é participar novamente "da dor do mundo". No Hinduísmo, por exemplo, a palavra batki (devoção) representa a salvação nos atos de amor.

A China Milenar foi a nação mais resistente à idéia cristã. Por isso, estagnou-se na marcha do tempo. Mas mesmo assim Jesus enviou os seus emissários àqueles agrupamentos de criaturas. Primeiramente Fo-Hi, depois Confúcio e Lao-Tsé, cinco séculos antes de sua vinda, no intuito de preparar os novos caminhos do Evangelho no mundo. A interpretação do Nirvana como sendo sinônimo de imperturbável quietude ou beatífica realização do não ser e não como a união permanente da alma com Deus, finalidade de todos os caminhos evolutivos, foi o seu grande erro.

O Cristianismo coroa a obra de Cristo, o Governador do Planeta, que veio pessoalmente nos ensinar o caminho do Reino de Deus. A história de seus exemplos, que são lições vivas para a nossa salvação, tem origem no seu nascimento – numa estrebaria –, o que revela a humildade de seu Espírito magnânimo. Nas curas ou nos "milagres" que realizava, dizia: "Os teus pecados estão salvos; vá e não peques mais". Em fim, a sua doutrina é uma doutrina que fala das bem-aventuranças dos que morreram com a consciência tranqüila e em plena posse do bem.

Embora haja diversidade de pareceres nas diversas religiões, a tônica central é uma e apenas uma, ou seja, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Este é o maior dos mandamentos.

São Paulo, 5/11/2003

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