24 setembro 2006

Parábola e Espiritismo


Parábola é uma alegoria que trás em seu bojo um alcance moral. Há, no fundo do parabole grego, a idéia de comparação, no sentido de se intuir realidades mais amplas do que aquelas expressas pela simples observação do objeto. Quer dizer, para nos aprofundarmos no conhecimento parabólico, precisamos debruçar o nosso pensamento sobre o objeto, a fim de extrair dele essências cada vez mais renovadas.

Parábola é um termo literário que tem íntima relação com o apólogo e a fábula. Para alguns, a distinção está nas personagens consideradas: o apólogo seria protagonizado por objetos inanimados, tais como plantas, rios, pedras etc.; a fábula conteria preferencialmente animais irracionais; a parábola, seres humanos. Convém acrescentar que, embora partindo de objetos distintos, todas essas formas de linguagem tem como pano de fundo um alcance moral.

No estudo da parábola, convém ter em mente a forma de transmitir conhecimentos utilizada na antigüidade. A técnica pedagógica era a linguagem por comparação, o que implicava em se entender algo além daquilo que se falava. Pedagogia é uma palavra proveniente do grego pai dos e significa, etimologicamente, a condução de crianças. Nesse sentido, os escravos eram os verdadeiros educadores (condutores) de crianças. Jesus, por outro lado, foi o grande pedagogo que poucos conseguiram entender. Por que?

Em se tratando de Jesus, o falar por parábolas pretendia descortinar uma realidade acessível somente aos mais aptos a compreendê-las. Além de despertar a curiosidade dos ouvintes, tinha também por objetivo defender-se das ciladas dos fariseus. Assim, quer, através dessa figura de linguagem, mostrar o alcance do reino de Deus em cada um dos filhos de Deus. Recorrendo à parábola dizia: ouça o que tem ouvidos de ouvir e veja os que têm olhos de ver.

Como todo o conhecimento religioso, há o aspecto exotérico e o aspecto esotérico. Assim sendo, quando Jesus falava em público estava fazendo o discurso exotérico. Por isso, muitos não entendiam. Mas, reservadamente, a sós com os apóstolos, ensinava mais abertamente, pois estes já tinham condições de compreender as realidades espirituais. Digno de nota é o fato de que mesmo entre esses não disse tudo. Ou seja, nós só podemos conhecer aquilo que é possível dentro de nossa capacidade de percepção.

Estudemos as parábolas evangélicas, ponderando a sua imagem e doutrina, a fim de alcançarmos horizontes mais vastos de compreensão espiritual.

São Paulo, 05/09/1999

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