12 setembro 2006

Mediunidade

Mediunidade - do lat. mediumnidade - é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre os homens e os Espíritos. Desenvolve-se naturalmente nas pessoas de maior sensibilidade para a captação mental e sensorial de coisas e fatos do mundo espiritual que nos cerca e nos afeta com suas vibrações psíquicas e afetivas.

Os fatos mediúnicos não são fenômenos de nossos dias. Eles sempre existiram. J. H. Pires, no livro O Espírito e o Tempo, relata-nos o processo histórico de tais fatos, começando pelo mediunismo primitivo, passando pelo mediunismo oracular e profético, até atingir a mediunidade positiva, com a codificação do Espiritismo por Allan Kardec, no Século XIX. A mediunidade diz-se positiva, porque Allan Kardec utilizou-se do método teórico-experimental, portanto racional e científico.

O codificador do Espiritismo, para efeito didático, dividiu a mediunidade em duas grandes áreas: quanto ao fenômeno e quanto ao aspecto funcional. Subdividiu o fenômeno em efeitos físicos e em efeitos inteligentes; o aspecto funcional, em mediunidade natural e em mediunidade de prova. A percepção clara dessas distinções terminológicas auxiliar-nos-ão a compreender melhor toda a fenomenologia espírita, diferenciando-a de outras doutrinas espiritualistas e dos diversos sincretismos religiosos.

Todos somos médiuns. Allan Kardec, no cap. XIV de O Livro dos Médiuns, afirma que toda a pessoa é médium, pois todos somos passíveis de receber as influências dos Espíritos. Contudo, na prática, são considerados médiuns somente aqueles que têm uma constituição orgânica própria para o exercício da mediunidade, quando se desenvolvem nestes a psicografia, a psicofonia, a vidência etc.
O fenômeno mediúnico, a mediunidade e o Espiritismo são termos distintos que se relacionam entre si. O fenômeno mediúnico diz respeito ao mediunismo, ou seja, às formas incipientes do intercâmbio mediúnico; a mediunidade é a comunicação mediúnica passada pelo crivo da razão e da metodologia científica; o Espiritismo é uma doutrina filosófica e científica de conseqüências morais. Kardec utilizou-se do fenômeno mediúnico e da mediunidade como meio para atingir um fim: a codificação dos princípios fundamentais do Espiritismo.

Exercitemos a nossa mediunidade, tanto de efeitos físicos como de efeitos inteligentes, natural ou de prova, mas não nos esqueçamos de nos ajustar aos preceitos morais que daí dimanam.

São Paulo, 30/11/1998

Nenhum comentário: