17 agosto 2011

Religião e Vivência Religiosa

Religião é a crença na existência de uma força superior considerada como criadora do Universo. Trata-se de uma experiência universal da humanidade, através da qual tenta-se compreender os mistérios que envolve o homem e o seu relacionamento com o Criador. 


As ideias religiosas estão presentes em todos os povos e em todos os estádios culturais. Certas religiões recrutam seus adeptos apenas dentro de um grupo determinado, p. ex., uma tribo ou aldeia: são as chamadas religiões tribais e nacionais. Denominam-se religiões universais as que recrutam seus adeptos por todo o mundo. As principais são o cristianismo, o islamismo e o budismo, que, através de missionários, difundiram-se longe de seus países de origem.

O Cristianismo, religião dos cristãos, está centrado na vida e obra de Jesus Cristo. À semelhança de Sócrates, Cristo não nos deixou nada escrito. Seus ensinamentos são anotados pelos apóstolos e passam, mais tarde, a constituir os Evangelhos. A palavra Evangelho, no singular, representa a unidade do pensamento de Jesus, ou seja, o alegre anúncio; no plural, a diversidade de interpretação dos evangelistas. Por isso, dizemos o Evangelho segundo Mateus, o Evangelho segundo Lucas, o Evangelho segundo Marcos e o Evangelho segundo João.

Vivência religiosa é caracterizada pelo sentimento de dependência do crente em relação ao Ser Supremo. Desde a Antiguidade até os nossos dias, manifesta-se sob vários matizes: ora menos racional, ora mais. Contudo, sempre imerso num mundo sobrenatural, estigmatizado pelo amor e pelo temor.

A diferença fundamental entre as diversas crenças reside no caráter da vivência religiosa básica. O budista considera todo o tipo de vida como um sofrimento absoluto. Na essência do cristianismo está o amor de Deus, que nos impõe condições e estende-se inclusive aos pecadores. A palavra árabe "islam" significa submissão. A vontade de Alá marca toda a existência, e o primeiro dever do bom crente é submeter-se a ela inteiramente. 

Do estudo ora encetado, cabe-nos distinguir o ser religioso do ser que tem uma religião. Podemos frequentar uma Igreja, atender à sua ortodoxia e nem por isso sermos religiosos. O verdadeiro religioso é aquele que pratica a lei da Justiça, do Amor e da Caridade na sua maior pureza. 

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Lavagem Cerebral e Religião


Pavlov (1849-1936), fisiologista, cujos experimentos mais famosos começaram em 1889, demonstrando os reflexos condicionados e incondicionados nos cães. Ele faz as suas experiências dentro de rigoroso controle das condições: amarra um cão, isola-o de todos os barulhos externos, e dá-lhe uma substância sialogênica para produzir ensalivação; ao mesmo tempo, faz retinir um som, por exemplo, o de uma campainha. Depois de várias repetições, suspende a substância sialogênica, permanecendo tão somente com o som da campainha. Resultado: o cão, sem o estímulo inicial, emite suco gástrico, associando-o apenas ao som da campainha. Pronto. Está posto o reflexo condicionado.

Os mecanismos do reflexo condicionado passaram rapidamente para o campo da política e, também, da propaganda. Quando temos algum slogan, que se repete constantemente, temos a teoria de Pavlov colocada em prática. Geralmente, na propaganda política, há uma palavra-chave, uma ideia-força, que é repetida muitas e muitas vezes, a fim de penetrar no subconsciente dos ouvintes. O mesmo se dá com a propaganda comercial: quando querem vender um produto, ficam lançando estímulos de vários matizes: cor, som, artista famoso etc.

A religião é pródiga nesse mister. Há o jejum, o castigo da carne por flagelação ou desconforto físico, a regulação da respiração, a revelação de mistérios terríveis, os toques de tambor, as danças, os cantos, o pânico, o incenso e as drogas. Em meio a essas posturas, há diversos slogans, no sentido de atingir mais a emoção do que a razão. Observe a conversão do religioso Wesley. Seus esforços para vencer a depressão mental eram ineficazes, até que surgiu Peter Böhler, outro religioso, que o fez mudar repentinamente, via lavagem cerebral: da salvação pela execução das obras, passou para a salvação pela fé somente. Em termos práticos, é passar de católico a protestante, uma mudança radical.

Wesley, depois de sua conversão à fé, passou a utilizar o mesmo método de lavagem cerebral usada por Böhler. Hinos eram dirigidos à emoção religiosa e não à inteligência. Wesley criava alta tensão emocional em seus prosélitos potenciais. Quem deixasse a reunião "sem mudar" e sofresse um acidente repentino iria direto para a fornalha fervente. Para ele, "O medo do fogo eterno afetava o cérebro tal qual o medo de morrer afogado dos cães de Pavlov na inundação de Leningrado".

Da mesma forma que hoje se visita uma cartomante, um psiquiatra ou um padre católico, os gregos da antiguidade consultavam os oráculos. Vários escritores gregos descrevem com pormenores os efeitos emocionais da iniciação mística. Consistiam em calafrio, tremor, suor, confusão mental, aflição, consternação e alegria misturados com alarma e agitação. Timarco, por exemplo, querendo saber o que poderia ser o demônio de Sócrates, desceu à caverna de Trofônio e executou todas as cerimônias que eram exigidas para obter um oráculo. Depois de passar lá duas noites e um dia, voltou completamente mudado, pronto a fazer lavagem cerebral nos outros seres humanos.

O mundo está cheio de slogans: comerciais, políticos e religiosos. Saibamos nos colocar um pouco a parte deles, para não sermos levados pelo turbilhão das ideias-forças vigentes.



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