12 outubro 2005

Conhecimento do Futuro


A lucubração acerca do desconhecido é sem limite. Estamos sempre procurando algo além do dia que passa. E o futuro, não são poucos os que dele falam. Profetas, videntes, futurólogos, sensitivos etc.

O futuro relaciona-se com o tempo. Mas que é o tempo? Há muita dificuldade em defini-lo. Santo Agostinho, por exemplo, dizia-nos que se não lhe perguntassem sabia o que era, mas quando lhe perguntavam já não sabia mais. Por que? Observe o ano que corre. Ele é presente. Porém, estamos num determinado mês. Ora, todos os meses para frente são futuro, e todos os meses para trás, passado. O mesmo raciocínio pode ser feito com relação aos dias do mês. Do mesmo modo são as horas do dia. Quer dizer, no infinitamente pequeno, presente, passado e futuro se confundem.

Há possibilidade de conhecer o futuro? Como? Allan Kardec, no capítulo XVI do livro A Gênese, vale-se de uma comparação para se fazer entender. Diz ele: suponha um homem no pé da montanha e outro no topo. O do topo vê todo o caminho futuro, enquanto o debaixo não. O homem situado no alto pode descer da montanha e dizer para o que ficou em baixo: olha, mais à frente você será assaltado, alguém irá te ajudar, outro dar-te-á alimento etc. Quer dizer, o futuro para o homem debaixo é presente para o homem situado no topo.

Saindo do âmbito das coisas puramente materiais e entrando, pelo pensamento, no domínio da vida espiritual, veremos que a capacidade de conhecer o futuro depende do grau de evolução alcançado pelo Espírito. Assim, quanto mais desmaterializado for, maior será a visão do futuro, porque nada lhe impede os vôos do Espírito. Àquele agarrado à matéria, a dificuldade é maior, porque esta obnubila a transcendência para o além.

O futuro pode ser conhecido. Mas deve ser revelado? Os Espíritos advertem-nos que o futuro não deveria ser revelado para atender à vã curiosidade, mas para atender a um fim útil e sério. Profetas, videntes, médiuns e sensitivos podem, à sua revelia e através dos sonhos, da êxtase e dupla vista, receber prenúncios de um acontecimento futuro. Se tudo for revelado, como fica o exercício do livre arbítrio daquele que recebeu o aviso? Esta é a grande questão que deve ser levada em conta.

Os tempos mudam. Hoje, com o desenvolvimento da ciência, já não se comporta mais uma linguagem chula e cheia de mistérios. Os videntes devem falar mais como uma advertência do que como uma fatalidade.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. A Gênese. 17 ed., (popular), Rio de Janeiro, FEB, 1975.

São Paulo, 20/05/1998

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