23 outubro 2005

Teologia Druidica


O Druidismo é a religião dos sacerdotes pagãos que habitavam a Gália e a Bretanha no século II a. C. Como toda a religião, havia traços exotéricos e esotéricos. Os que não se aprofundaram na análise esotérica, ficaram com a impressão de que o druidismo é uma religião primitiva, principalmente por causa dos sacrifícios que impunha. Porém, ao penetrarem no âmago, no âmbito esotérico, mudaram de opinião, porque vislumbraram uma doutrina reveladora das altas verdades e das leis superiores do Espírito.

O corpo de sua teologia era baseado nas tríades. As Tríades eram formadas, utilizando-se de três tipos de ensinamentos, em que cada um completava os outros dois. Seria como o filho numa família constituída de pai e mãe. Quer dizer, para que o filho exista deve existir antes um pai e uma mãe. Faltando o pai ou a mãe, o filho não pode vir à luz. Nesse sentido, os ensinamentos são transmitidos de forma lógica, em que se atrelando um ao outro, tem-se todo o sistema organizado.

O conteúdo doutrinário da teologia druídica compunha-se de ensinamentos orais, em que as onze primeiras tríades dizem respeito a Deus e ao Universo. A primeira tríade, por exemplo, relaciona Deus, verdade e ponto de liberdade. As dez tríades seguintes partem sempre de Deus como doador da vida, do amor e da virtude. Ele é a garantia da realização terrena, porque Dele emana a ciência perfeita, o supremo poder, a suprema inteligência e tudo o que o homem precisa para saber distinguir o bem do mal.

Há, também, três círculos de existência: o círculo da região vazia (cegant) onde — exceto Deus — não há nada vivo nem morto e nenhum ser que Deus não possa atravessar; o círculo da migração (abred), onde todo ser animado procede da morte, que o homem atravessou; o círculo da felicidade (gwynfyd), onde todo ser animado procede da vida, que o homem atravessará no céu. Além disso, há três fases necessárias de toda a existência com relação à vida: começo em annoufn, a transmigração em abred e a plenitude em gwynfyd; e sem estas três coisas nada pode existir, exceto Deus.

Fica claro que a teologia druídica parte de um Deus supremo, situado muito além dos conhecimentos humanos. Tem-se a impressão que Deus é tudo e está em tudo, o que possibilitou a muitos definir o druidismo como um panteísmo materialista cheio de mistérios. Deixando de lado as questões terminológicas mais graves, fica claro que a alma começa do nada (Annoufn), passa por sucessivas migrações (Abred) até alcançar a região dos bem-aventurados (Gwynfyd).

Percebemos que o conteúdo esotérico da religião druídica foi bastante avançado para a sua época. Procuremos, pois, refletir sobre esses ensinamentos, comparando-os com aqueles veiculados pelas diversas religiões da atualidade.

Fonte: 

DENIS, L. O Gênio Céltico e o Mundo Invisível. Rio de Janeiro, CELD, 1995.

São Paulo, 03/12/1997

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