29 junho 2008

Consciência, Inconsciência e Espiritismo

Consciência significa etimologicamente um saber testemunhado ou concomitante. Por analogia, dualidade ou multiplicidade de saberes ou de aspectos num mesmo e único ato de conhecimento. Inconsciência - apesar de sua base etimológica ser clara e precisa, enquanto negação da consciência, torna-se contudo extremamente difícil definir o inconsciente. O fato é devido não só à obscuridade como, também, aos vários conteúdos que o termo encerra. 

Os psicólogos aceitam o termo consciência. Dividem-na, porém, em espontânea e reflexiva. A primeira refere-se à consciência direta, imediata; a segunda, à mediata, ou seja, ao retorno do espírito sobre as idéias. Quanto à inconsciência, são muitos os que a negam, alegando que, sendo a consciência própria do pensamento, o que não é consciência deixa de ser psicológico.

Em Descartes, a consciência é posta como fundamento inabalável da verdade, devido ao seu caráter de evidência imediata. Em Kant, é a consciência em geral que se situa como condição transcendental da possibilidade do conhecimento. No idealismo posterior, é a consciência absoluta, visto absorver em seu seio a própria materialidade, identificando-a com o infinito.

O Espírito André Luiz, no livro No Mundo Maior, psicografado por Francisco Cândido Xavier, afirma-nos que possuímos um único cérebro, dividido em três regiões, como se fosse um castelo de três andares. No primeiro andar, o subconsciente, representando nossos hábitos e automatismos; no segundo andar, o consciente, em que situamos as conquistas atuais, e, no terceiro andar, o superconsciente, ou seja, a casa das noções superiores. Diz-nos, ainda, que essas três regiões devem estar sob controle, para que possamos viver equilibradamente.

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, ao tratar das idéias inatas, oferece-nos, também, subsídios para uma melhor interpretação do tema. Segundo a Doutrina Espírita, a cada nova encarnação temos o esquecimento do passado, mas permanece a intuição de todos os nossos conhecimentos adquiridos. É por isso que, para muitos de nós, alguns conhecimentos vêm à tona como se fossem algo do inconsciente, ou seja, não foram adquiridos na atual existência e sim numa existência anterior. Mozart, por exemplo, recebia de ouvido uma composição. Depois tinha apenas o trabalho de coordená-la conscientemente.

O passado, o presente e o futuro formam a nossa consciência global. Assim sendo, hoje somos um misto do que fomos e daquilo que desejamos ser. Por isso, o esforço e a vontade devem estar sempre presentes em cada um de nossos atos.

Fonte de Consulta

SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo, Editora Matese, 1965.
XAVIER, F.C.. No Mundo Maior, pelo Espírito André Luiz. 7.ed., RJ, FEB, 1977.
KARDEC, A.. O Livro dos Espíritos. São Paulo, FEESP, 1972.

São Paulo, 12/06/1996

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