02 julho 2008

Conflito em Família

Família - do lat. familia significa o grupo social básico unido pelo vínculo de parentesco ou casamento, presente em todas as sociedades. Conflito - do lat. conflictu significa antagonismo entre duas forças quase equivalentes; embate dos que lutam; discussão acompanhada de injúrias e ameaças.

O clã totêmico é o primeiro grupo familiar que se tem notícia. O clã primitivo transforma-se na "gens" greco-romana - família patriarcal - onde todas as decisões giravam em torno do pai, que era também o líder religioso. Contrapondo-se à família patriarcal surge a família paternal , ou germânica, onde os direitos da mulher e dos filhos começam a ter valor. A família conjugal, composta do casal e filhos, é uma evolução da família germânica. Hoje, apesar das dificuldades do relacionamento humano, a mulher e os filhos têm individualidades próprias, o que não acontecia no regime patriarcal.

Os conflitos familiares, entendidos como as divergências entre os membros de um lar, podem ser vislumbrados. De um lado temos o fator financeiro influenciando o relacionamento afetivo dos componentes do grupo familiar; de outro, as tendências autoritárias de um, ou dos vários membros impondo este ou aquele tipo de comportamento.

Além disso, deve-se considerar os anseios de cada geração comprometidos com o processo familiar em questão. Por outro lado, lembremo-nos, também, de que há uma série de direitos pessoais que entram em confronto com as exigências da família, da nação e da humanidade.

Na dimensão da psicologia, o conflito é explicado pelo narcisismo e o complexo de Édipo. A criança com atitudes narcisistas percebe que a relação binária "desejo-satisfação do desejo" exige a intermediação de um terceiro - a mãe. Ela cresce com essa falsa fidelidade, e sempre vai precisar de outrem para resolver os seus problemas. O complexo de Édipo, que é o desejo amoroso do filho pela mãe ou da filha pelo pai, quando não resolvido a contento, cria dificuldades com a autoridade, ou seja, não conseguimos atender eficazmente à ciência de obedecer e de mandar.

Na ótica espírita, o conflito familiar assume uma dimensão mais ampla do que aquela verificada nas ciências particulares, tais como a psicologia e a sociologia. Os princípios básicos do Espiritismo amplia-nos a visão do problema, principalmente quando pela sua reflexão, remetemo-nos às encarnações passadas. A lei da reencarnação facilita o entendimento de nossas aflições, pois estas podem ser conseqüências de erros cometidos nessa existência ou em existências passadas. A partir daí, todas as informações juntam-se num único feixe, e conseguimos dar uma solução mais racional às nossas dificuldades.

Saibamos detectar as nossas responsabilidades, tanto no lar quanto na sociedade. Com a tranqüilidade de consciência resolveremos satisfatoriamente todos os nossos conflitos, e teremos condições de melhor servir o nosso próximo.

Fonte de Consulta

CUVILLIER, A. Manual de Filosofia. 1. ed., Editora Educação Nacional, s/d/p.
GAUQUELIN, M. e F. Dicionário de Psicologia. Lisboa/São Paulo, Verbo, 1987.
São Paulo, 10/02/1997

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