21 julho 2008

Inteligência e Instinto

Inteligência – do lat. intellectus, inter e lec. = escolher entre, ou intus e lec = escolher dentro, como preferem outros - é a faculdade que tem o espírito de pensar, conceber, compreender. Em sentido restrito, é a função de apreender conexões. Instinto - do lat. obsoleto instinguo, de in e stinguo, e do gr. stizô - significa impulso inato, inconsciente, irracional, que leva um ente vivo, um animal, a proceder de tal ou tal forma.

Os psicólogos procuram realizar uma tarefa difícil: a de distinguir a inteligência do instinto. Para muitos deles a inteligência é mais flexível, sendo até mesmo a soma das experiências do passado, que nos ajuda a tomar decisões no presente. Por outro lado, o instinto é cego, tal qual se observa no cão, que, mesmo domesticado, pisoteia o lugar em que vai dormir, como se devesse dormir sobre a erva.

A observação cuidadosa do comportamento de alguns animais mostra que o conceito comum de instinto, como mero impulso simples, não basta para explicar a complexidade de seus atos. A aranha construirá a teia diferentemente, segundo as circunstâncias e o lugar que disponha. O castor constrói diferentemente, segundo a corrente da água, o nível da mesma ou a presença de homens. Por essa razão, acabam distinguindo o ato instintivo do ato reflexo.

O Espírito André Luiz, no cap. IV de Evolução em Dois Mundos, psicografado por F. C. Xavier, diz-nos que, na retaguarda do transformismo do princípio inteligente, o reflexo precede o instinto e o instinto, a atividade refletida, que é a base da inteligência; nas linhas da civilização, a inteligência, no círculo humano, é seguida pela razão e a razão pela responsabilidade. Acrescenta ainda que a herança e o automatismo estruturam o princípio espiritual, desde sua origem, a fim de que este atinja a maturação no campo angélico.

Allan Kardec, no cap. III de A Gênese, relaciona instinto, paixão e inteligência. Diz-nos que o instinto é sempre guia seguro e nunca erra. Pode tornar-se inútil, mas nunca prejudicial. Enfraquece-se com a predominância da inteligência. As paixões, por sua vez, são úteis até a eclosão do senso moral, em que o ser passivo transforma-se em ser racional. Depois disso, torna-se nociva, caso não seja disciplinada pela razão.

Inteligência e instinto são duas faculdades de nosso espírito. Saibamos ponderá-las eficazmente, a fim de que possamos viver em paz com a nossa consciência.

São Paulo, 13/09/1998 


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