21 julho 2008

Escândalos: Cortar as Mãos

Escândalo – do gr. skándalon, pelo lat. scandalu – significa aquilo que dá o que falar, que causa indignação por ser contrário à moral, à honestidade, aos bons costumes, à justiça, às leis etc. No sentido espiritual e moral, é todo o obstáculo que, com sua conduta, uma pessoa pode representar para a vida ou a moralidade de outras pessoas.

"Se vossa mão ou vosso pé é um motivo de escândalo, cortai-os e atirai-os longe de vós; é bem melhor para vós que entreis na vida não tendo senão um pé ou uma só mão, do que terdes dois e serdes lançados no fogo eterno. E se vosso olho vos é motivo de escândalo, arrancai-o e lançai-o longe de vós; é melhor para vós que entreis na vida não tendo senão um olho, que terdes os dois e serdes precipitados no fogo do inferno". (Mateus. cap. V, vv. 29 e 30).

A palavra escândalo encerra, no Novo Testamento, um duplo sentido: de um lado, a idéia de que Cristo veio para constituir o escândalo central do homem; de outro lado, a idéia do mal moral que existe em nós e que é preciso desfazer. Quanto ao Cristo, toda a vez que ele apresentava o desprendimento das riquezas e dos bens terrenos, era um escândalo para o povo romano, apegado a tais bens. Quanto a nós, é a necessidade do mal (escândalo) para que nos ajustemos ao bem.

É necessário que o escândalo venha, mas ai daquele por quem o escândalo venha. Por estas palavras, entende-se que o mal é necessário à justiça divina. Contudo, aquele que o praticou para servir à justiça divina não praticou menos mal, e deverá ser punido, pois o mal é sempre mal. Por isso, o cuidado de Jesus em dizer: "Se vossa mão, vosso pé e vossos olhos forem motivos de escândalo (mal), cortai-os e lançai-os longe de vós". Quer dizer, arranquemos o mal pela raiz, pois ele está dentro de nós.

O mal, sendo necessário à justiça divina, dir-se-á que ele durará para sempre, pois, se desaparecesse, Deus estaria privado de um poderoso meio de punir os culpados. Mas, em realidade, não é assim que sucede, porque os mundos progridem moral e intelectualmente. Nos mundos mais avançados, o mal não existe e, portanto, não há necessidade de castigos. O mesmo sucederá com o planeta Terra, quando passar para um mundo de regeneração, em que o bem será a tônica de nossas ações.

Estudemos o Evangelho de Jesus e coloquemos em prática os seus ensinamentos. Tendo-o como norma de conduta, evitaremos o escândalo do "pecado" e da "concupiscência".

São Paulo, 21/04/1996

Palestra em PDF

Nenhum comentário: