01 julho 2008

Sono, Sonho e Espiritismo

Os cientistas, embora tenham se aprofundado no tema sono e sonho, ainda não encontraram uma definição adequada. A mosca dorme ou não dorme? E a ameba? Para o cérebro não precisaríamos descansar; para o corpo físico não precisaríamos dormir para descansar. Não se sabe o que leva uma pessoa a adormecer; ainda não foi descoberta nenhuma substância no sangue ou no cérebro criada ou revigorada durante aquele espaço de tempo.

Para a Ciência, o sono é caracterizado pelos processos inibitórios das células corticais; para o Espiritismo, é o estado de emancipação parcial da alma, ocasião em se aguçam as nossas percepções. Para a Ciência, o sonho é o processo intenso que corresponde aos estados paradoxais do sono, isto é, àqueles momentos durante os quais os registros eletroencefalográficos se aproximam dos que se caracterizam o estado de vigília; para o Espiritismo, é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono, resultado de sua liberdade pela suspensão da vida ativa e de relação.

Distinguem-se, na história da psicologia dos sonhos, duas grandes fases: a) a anterior à publicação da Interpretação dos Sonhos de S. Freud, em 1900; b) a posterior à publicação desta obra. A fase anterior corresponde aos sonhos proféticos, aos sonhos bíblicos e aos sonhos mitológicos. Na Idade Média, por exemplo, os sonhos eram vistos como demoníacos, sendo merecedores de fogueira todos os que tentavam interpretá-los. A fase posterior é caracterizada pela introdução do método de associação, que tornou possível o estudo interpretativo do conteúdo significativo do sonho.

Para a psicanálise, mais especificamente a freudiana, os sonhos são expressões disfarçadas de processos psíquicos inconscientes, profundos e extremamente significativos; revelações diretas, mas veladas, de desejos insatisfeitos. Para o Espiritismo, o inconsciente freudiano denomina-se subconsciente, ou seja, a sede dos hábitos e dos automatismos. Ainda: para uma compreensão mais acurada do sonho, o Espiritismo divide-o em: a) sonho do subconsciente, que é o pensamento ensimesmado sobre si mesmo, o reflexo daquilo que se vivenciou durante o dia; b) sonho real, que é o pensamento entrando em contato com pessoas e coisas do mundo espiritual.

O Espírito André Luiz, no capítulo 38 de Os Mensageiros, anota que os encarnados quando se desprendem do corpo físico revelam boa vontade na recepção dos conselhos, mas grande incapacidade de retenção; no capítulo 8 de os Missionários da Luz, esclarece-nos que durante o sono, o desprendimento não somente nos conduz aos locais de nossos interesses, no convívio de Espíritos afins, mas também a tarefas de estudo e esclarecimento; no capítulo 36 do Nosso Lar, fala-nos do sonho dos desencarnados, que não era propriamente qual se verifica na Terra. Em sua experiência, ele relata que tinha absoluta consciência daquela movimentação em plano diverso.

Quando dormimos, encontramo-nos, momentaneamente, no estado que estaremos de maneira permanente depois da morte. Saibamos, pois, morrer todos os dias, preparando-nos eficazmente para receber as orientações dos nossos mentores espirituais.

Fonte de Consulta

CURTI, Rino. O Passe: Imposição de Mãos. São Paulo, Lake, 1985.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.

São Paulo, 24/08/2002
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