03 julho 2008

Vivência Religiosa

Vivência religiosa é caracterizada pelo sentimento de dependência do crente em relação ao Ser Supremo. Desde a Antiguidade até os nossos dias, manifesta-se sob vários matizes: ora menos racional, ora mais. Contudo, sempre imerso num mundo sobrenatural, estigmatizado pelo amor e pelo temor.

Os propagadores das religiões primitivas apoiavam-se nas músicas barulhentas, nas danças e nos rituais para incutir, primeiramente, o medo e depois, o êxtase, aos assistidos. No Cristianismo, o temor é representado pela obediência à Lei de Moisés; o amor, pela crença no Evangelho. Essa duplicidade pode ser melhor visualizada pela criação do diabo, contrapondo-se ao Deus de misericórdia e de bondade.

As religiões são instituições que organizam a adoração ao sagrado. Embora de origem divina, a maioria está eivada da influência humana. Por esta razão, o padre Alta afirmou que há enorme distância entre o Cristianismo do Cristo e o Cristianismo dos Vigários. O homem, sendo falível, criou a imagem do céu e do inferno. No primeiro reina a paz e a ociosidade. No segundo, um sofrimento sem fim, ao lado dos toneis ferventes.

O relacionamento entre o homem e Deus fundamenta a religião. Ter um conceito preciso, livre de interesses e de ambições, auxilia-nos a compreender a realidade religiosa que nos absorve. O termo religião vem do latim religio que parece derivar de re + ligare. Com o prefixo interativo re significaria um sentimento de vinculação, de obrigação para com o Ser Supremo. Não deve ser entendido como uma volta a Deus, porque nunca Dele estivemos separados.

A racionalização do sagrado é um imperativo para a nossa existência. Se a ideia de Céu, Inferno e Purgatório já não nos satisfaz, deixemo-la de lado; se temos confiança no Deus de amor, por que nos preocuparmos com o Deus de Temor? A realização do "eu" espiritual está mais próximo de nós do que imaginamos. Basta não queiramos transferir a responsabilidade para terceiros.

Vivenciemos o sentimento religioso, isento de preconceitos e dos erros dogmáticos, caso queiramos atingir a perfeita libertação de nossa alma.

Fonte de Consulta

Enciclopédia Combi Visual. Barcelona (Espanha), Ediciones Danae, 1974.

São Paulo, 10/11/1996.

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