04 julho 2008

Incompreensão

"Se soubéssemos o quanto somos incompreendidos, com certeza falaríamos menos".

A incompreensão é a falta de compreensão, de avaliação, de julgamento que não consideramos adequado. Pode-se dizer que é o ruído que se estabelece entre o emissor e o receptor de uma mensagem. Ruído aqui não significa barulho, mas distorção da mensagem. Nesse caso, o receptor não capta com exatidão o que o emissor quer transmitir. Posteriormente, quando for passar a informação para outra pessoa, poderá faltar com a verdade dos fatos.

Nem sempre a incompreensão é fruto do ruído, muito natural, diga-se de passagem. Há também que se considerar a má-fé do receptor. Muitos, por interesse próprio, preferem dar a sua própria interpretação e não aquilo que os fatos mostram. A sua opinião, o seu juízo de valor fala mais alto. Sem o saber, ele pode gerar transtornos a terceiros, principalmente quando a mensagem carrega certa dose de maledicência. Exemplo: tentemos dialogar com alguém, sobre o qual recebemos informações difamantes. Qual é a nossa atitude? Ficarmos com um pé atrás, com dúvidas.

A visão tacanha que temos do mundo ajuda a distorcer a mensagem. Jesus, por exemplo, sofreu inúmeras incompreensões. A sua vasta sabedoria não estava à altura dos habitantes de sua época. Por isso mesmo deixou-nos o "Consolador Prometido", aquele que viria na época predita relembrar o que dissera, bem como trazer novos conhecimentos. O Espiritismo ajusta-se bem ao parácleto, pois veio no momento oportuno, principalmente quando a humanidade caminhava para uma fé irracional. O Consolador nos devolveu a esperança, esperança de um mundo futuro mais justo.

O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, está repleto de ensinamentos para que cada um possa suportar com mestria as incompreensões alheias. Além dele, as mensagens espíritas, principalmente aquelas trazidas pelo Espírito Emmanuel, dão-nos o conforto para o nosso sofrimento. Lembremo-nos também que quanto mais procuramos a verdade das coisas, mais somos deslocados para a solidão. É que aquilo que satisfaz à grande massa para nós já não tem mais valor, pois o nosso interesse está mais precisamente na salvação de nossa alma enfermiça.

Os Espíritos superiores estão sempre nos secundando. Eles respeitam o nosso livre-arbítrio, mas gostariam que fôssemos mais receptivos aos seus conselhos amorosos. Há situações tão graves em nossa existência que a sugestão deles é para silenciarmos. Eles dizem: “Está a ponto de querelar com o seu vizinho, com o seu familiar; espere até o dia seguinte. Quem sabe o problema não toma outro rumo, quem sabe o frescor da noite não modifica o seu julgamento?”

Esforcemo-nos por compreender o nosso próximo. Contudo, não exijamos dele o que não pode dar.


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