02 julho 2008

Porta Estreita

"Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela entram. - Quão pequena é a porta da vida! Quão apertado o caminho que a ela conduz! E quão poucos a encontram". (Mateus, 7, 13 e 14.)

A porta simboliza o local de passagem entre dois estados: do conhecido para o desconhecido; das trevas para luz. Além de abrir-se, a porta convida-nos a transpô-la, passar do domínio do profano para o domínio do sagrado. Nas tradições judaicas e cristãs, a porta dá acesso à revelação. Cristo é a porta pela qual o cristão tende ao Reino dos Céus. No sentido escatológico, é a possibilidade de acesso a uma realidade superior.

A porta larga pode ser caracterizada pelos vícios materiais e morais, pelas festas mundanas, pelos prazeres, pelo sexo desenfreado. Podemos incluir também a mentira, a prevaricação, a desonestidade e o enganar os outros para auferir grandes lucros monetários. A porta estreita é caracterizada pela prática das virtudes: o perdão, o sacrifício total da liberdade humana e o amar ao próximo como a si mesmo.

Quando nos predispomos a viajar para um país vizinho, levamos conosco somente o necessário para a nossa breve permanência lá: roupas, calçados e um pouco de dinheiro. A morte deveria receber o mesmo tratamento, no sentido de levarmos em nossa bagagem somente o que pudesse passar pela porta estreita. Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, enfatiza que o homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo, ou seja, nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos e as qualidades morais. Estes são os tesouros que nenhum ladrão nos roubará.

Antes de virmos a este mundo, pedimos aos bons Espíritos a "porta estreita", que é o obstáculo que redime, a dificuldade que enriquece a mente, as doenças do corpo e impossibilidades mil, para melhor aproveitarmos a oportunidade de evolução. Estando encarnado, porém, voltamos a procurar as "portas largas" por onde transitam as multidões, esquecendo-nos dos compromissos assumidos. E assim, de encarnação em encarnação, vamos adiando e retardando cada vez mais o nosso progresso espiritual.

Mesmo que escolhamos a "porta larga da perdição", os Espíritos superiores não nos deixam sem suas influências benéficas. Há os anjos de guarda, os Espíritos protetores e os Espíritos familiares que estão sempre nos secundando e nos orientando na melhor decisão a tomar. Quando nos desviamos do bem e chafurdamos no mal não é pela falta de suas instruções, mas simplesmente porque preferimos dar ouvidos aos falsos profetas, aqueles Espíritos que, pela nossa pouca fé e pelo nosso comodismo, nos encaminham para o mal.

Esforcemo-nos por vencer as más tendências. Não há outra saída. Somente assim poderemos passar pela porta estreita e criar condições para a salvação de nossa alma imortal.

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