02 julho 2008

Intuição e Inspiração

Intuição significa um conhecimento direto, imediato do conjunto das qualidades sensíveis e essenciais dos objetos e das suas relações, sem uso do raciocínio discursivo. Inspiração quer dizer soprar para dentro. É o estado de exaltação emotiva, de íntima e misteriosa iluminação, em que, pela intuição estética, o artista apreende o seu objeto de modo impreciso, mas em plenitude.

Por essas definições depreende-se que na intuição o indivíduo busca o conhecimento por si mesmo, penetrando-o através de seus próprios esforços. Por outro lado, na inspiração, a descoberta vem espontaneamente, transparecendo em muitos artistas a existência de uma percepção extra-sensorial - mediunidade. Muitos realizam suas obras num estado de mínima consciência, como é o caso de Mozart, que depois do êxtase, escrevia seus acordes de cor.

Teoricamente não é difícil separar esses dois conceitos. Mas como precisar, com certeza, onde começa um e onde termina o outro? A doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, fornece-nos uma luz. De acordo com seus postulados, estamos envoltos pela presença de Espíritos, que tanto podem influenciar-nos para o bem quanto para o mal. Neste sentido, o insight de uma descoberta poderia, perfeitamente, provir do sopro de um Espírito amigo.

No desenvolvimento desses raciocínios, o homem de gênio poderia ser apontado como o ser exclusivamente intuitivo. Isso não é impossível, visto que ele, em outras encarnações, conquistou, através dos próprios esforços, condições para tal fim. Mesmo assim, não se invalida a influência exercida pelos bons Espíritos. Estes podem utilizar-se da matéria cerebral do gênio e comunicar-lhe as invenções necessárias para a evolução da humanidade.

No estudo da psicografia, Kardec usa os termos médium intuitivo e médium inspirado. O médium intuitivo escreve e percebe que as idéias são do Espírito comunicante e com o médium inspirado isto não ocorre. Afirma, ainda, que o segundo é um caso especial do primeiro. Ele considera a intuição e a inspiração como mediunidade, ao contrário dos filósofos, que tratam da intuição como sendo uma abstração do próprio sujeito cognoscente.

Excluindo-se a terminologia exclusivamente mediúnica de Kardec, podemos dizer que a intuição refere-se ao fenômeno anímico, enquanto a inspiração, ao fenômeno mediúnico. Estejamos atentos para separar um do outro.

Fonte de Consulta

BAZARIAN, J. Intuição Heurística: Uma Análise Científica da Intuição Criadora. 3.ed., São Paulo, Alfa Ômega, l986.
RUIZ, J. A.. Metodologia Científica - Guia para Eficiência nos Estudos. São Paulo, Atlas, 1979.
KARDEC, A. O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores.
São Paulo, Lake, s/d.

São Paulo, 15/11/1997

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