03 julho 2008

Vontade Humana e Vontade Divina

Agimos de conformidade com atos automáticos e atos voluntários. A vontade humana situa-se no âmbito dos atos voluntários. É o poder que tem o espírito de se determinar, com consciência e reflexão, a uma ação de sua escolha. Sua natureza prende-se ao fato de que quando tomamos uma decisão, obedecemos, não apenas a nossos motivos, tendências e impulsos, mas, antes e sobretudo, a uma força interior que nos é própria. De acordo com esta definição, cada um de nós deveria fazer esforços no sentido de suplantar os automatismos do cotidiano.

A vontade humana é extremamente versátil, porque às vezes é débil, outras enérgica e muitas vezes apática. Dentre os defeitos da vontade estão os seguintes fatos: tendência para evadir-se do real, a dispersão mental, o descontrole da imaginação e principalmente a ociosidade como conseqüência da preguiça. É bom esclarecermos que nem sempre a energia significa vontade, isto porque, se estivermos usando muita energia nos atos automáticos, é possível que a vontade esteja adormecida.

Para que possamos adquirir uma vontade enérgica, porém refletida, convém desenvolver algumas capacidades de nossa mente, tais como: atenção, concentração, meditação e principalmente a perseverança, o fator decisivo de nossa evolução espiritual. Uma vista de olhos na literatura psicológica nos adverte que devemos fazer "esforços" contínuos, se quisermos vencer na vida; sem sacrifício nada chega às nossas mãos; a dor é o aguilhão de nosso progresso e a ociosidade cansa mais do que o trabalho. Para a consolação de nossos espíritos, diz-nos que os bons nadadores desenvolvem-se mais nadando contra a correnteza do que a favor dela.

Estamos desenvolvendo idéias acerca da vontade humana. Como relacioná-la com a vontade divina? A nossa consciência tem algo de divino? Como ter a certeza de que agindo de livre e espontânea vontade, estamos obedecendo à vontade divina? Allan Kardec em O Livro dos Espíritos oferece-nos uma luz quando desenvolve os capítulos relacionados com as leis divinas ou naturais. Diz-nos que a Lei Divina ou Natural está inscrita na consciência do ser. Portanto, se forjarmos a nossa consciência de acordo com as leis naturais, estaremos encaminhando as nossas ações para a prática do bem, o que implica na aproximação de nossa vontade com a vontade divina.

O entrave entre ser humana e divina dissipa-se quando tivermos uma percepção exata do que sejam essas leis naturais, porque os nossos atos livres estarão sendo encaminhados para a prática das virtudes, o que trará como conseqüência uma ampliação de nossa liberdade e um maior conhecimento da divindade, que nos permitirá agir de acordo não só com os avisos de nossa consciência, mas sobretudo com os ditames de nossa consciência bem formada.

Cair, sim, porque é da natureza débil do homem; esmorecer, jamais, porque podemos pedir força a Deus através da prece.

São Paulo, 10/11/1998.

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