02 julho 2008

Parábolas Evangélicas

Parábola é uma narrativa alegórica curta. Seu objetivo é transmitir um ensinamento moral e espiritual. Há, no fundo do parabole grego, a idéia de comparação, no sentido de se intuir realidades mais amplas do que aquelas expressas pela simples observação do objeto. Quer dizer, comunica-se um discurso para se entender outro. A parábola, assim, tem um "corpo" e uma "alma". O "corpo" da parábola é a descrição literária, a história; a "alma", a interpretação moral e espiritual que o texto comporta.

Parábola é um termo literário que tem íntima relação com o apólogo e a fábula. Para alguns, a distinção está nas personagens consideradas: o apólogo seria protagonizado por objetos inanimados, tais como plantas, rios, pedras etc.; a fábula conteria preferencialmente animais irracionais; a parábola, seres humanos. Convém acrescentar que, embora partindo de objetos distintos, todas essas formas de linguagem têm como pano de fundo um alcance moral.

As parábolas evangélicas seguem o mesmo princípio das parábolas comuns, com a única diferença de que é Jesus quem as conta. Elas retratam histórias, fatos do cotidiano, como por exemplo, o semeador saiu a semear, a rede lança-se ao mar, o rico banqueteia-se, as crianças brincam etc. Essas histórias, uma vez conhecidas, têm explicações ulteriores: mostrar uma realidade espiritual, que só pode ser interpretada por Espíritos superiores.

As parábolas que Jesus contava tinham como página doutrinal o reino de Deus. Elas foram dispostas em três grupos: 1.º) parábolas que se referem ao reino dos céus (Semeador, o Joio e o Trigo, Grão de Mostarda etc.); 2.º) parábolas que enunciam as condições exigidas para entrar no reino dos céus (Bom Samaritano, prática da caridade; Servo Impiedoso, perdão das ofensas; hóspede noturno, eficácia da oração etc.); 3.º) parábolas contadas nos últimos dias da vida de Cristo (Minas, Dois Filhos Enviados à Vinha etc.).

Por que Jesus falava por parábolas? Jesus falava por parábolas porque pretendia descortinar uma realidade acessível somente aos mais aptos a compreendê-la. Além de despertar a curiosidade dos ouvintes, tinha também por objetivo defender-se das ciladas dos fariseus, e não permitir que seus ensinamentos fossem deturpados e mal interpretados. Recorrendo à parábola, dizia: "ouça os que têm ouvidos de ouvir e veja os que têm olhos de ver".

Como em todo o conhecimento religioso, a parábola também se fundamenta no par de termos exotérico/esotérico. Assim sendo, quando Jesus falava em público estava fazendo o discurso exotérico. Por isso, muitos não entendiam. Mas, reservadamente, a sós com os apóstolos, ensinava mais abertamente, pois estes já tinham condições de compreender as realidades espirituais. Digno de nota é o fato de que mesmo entre esses não disse tudo. Ou seja, nós só podemos conhecer aquilo que é possível dentro de nossa capacidade de percepção.

Na atualidade, temos que fazer esforços para desvendar o alcance moral de cada uma das parábolas contadas por Jesus. Elas podem ser comparadas com o ato de abrir amêndoas: a cada abertura, uma nova realidade.

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