03 julho 2008

Razão, Fé e Espiritismo

Razão significa a faculdade de "bem julgar". Tem relação com o raciocínio discursivo. É conhecimento natural enquanto oposto ao conhecimento revelado, objeto da fé. - fidelidade a um compromisso; confiança absoluta. Quando se trata da fé religiosa, o oposto é a razão.

Os filósofos racionalistas, tais como Descartes, Kant e Espinosa, dão primazia à razão na elaboração do conhecimento. Descartes, por exemplo, descobre Deus no seu "cogito ergo sum". Em contrapartida, os filósofos fideístas, tais como F. H. Jacobi (l743 - l8l9), Herder (l743 - l8l0) e Lamennais (1782-1854), fundamentam todo o conhecimento humano numa "fé" mais ou menos sentimental.

Em Teologia, exclui-se a razão, como fonte de conhecimento. Para A. Bonnety, fundador, em 1830, dos Anais da Filosofia Cristã, o homem dispõe de um só princípio de conhecimento para as verdades da religião natural: a revelação divina manifestada ao homem através da Tradição; fora desta, a razão humana é apenas fraqueza e erro. Esse sistema põe a fé na base do conhecimento religioso. Não admite que se provem os preâmbulos da fé pela razão e que, assim, a razão leve à fé.

Para o Espiritismo, Razão e Fé pertencem à essência da natureza humana. São potências que se atualizam no decurso das existências. Parte do geral indiferenciado (reino mineral) para a diferenciação progressiva (reino vegetal, animal e hominal), buscando, sempre, a perfeição. A Razão e a Fé estão centradas no eixo, que é a Vontade. Esta, por sua vez, assenta-se no Livre-Arbítrio, princípio de liberdade, sem o qual a Razão de nada serviria e a Fé não teria sentido.

Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, trata dos aspectos imanentes e transcendentes da fé. Observe que ele relaciona fé humana e fé divina. Na primeira, acentua o esforço do homem para a realização de seu fim; na segunda, coloca a crença humana sob a orientação dum poder superior, que supervisiona os nossos atos. Acrescenta, ainda, que a fé, sendo inata, pode manifestar-se racional ou dogmaticamente e que o Espiritismo aceita, somente, a primeira.

A fé, direcionada pela razão, encaminha-nos para a atualização do nosso ser. Vençamos o ridículo e a miopia alheia, caso queiramos obter bom êxito em nossas realizações.

Fonte de Consulta

LALANDE, A. Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia. São Paulo, Martins Fontes, 1993.
PIRES, J. H.. Introdução à Filosofia Espírita. 1.ed., São Paulo, Paideia, 1983.

São Paulo, 20/10/2000.

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