03 julho 2008

Teoria Magnética e do Meio Ambiente

O magnetismo, como forma de transmitir fluidos entre as pessoas, existe desde tempos remotos. No tempo de Ísis, por exemplo, os sacerdotes caldeus utilizavam os passes para curar enfermidades. Historicamente, poder-se-ia anotar muitas outras informações. Contudo, para o propósito deste tema, basta nos remetermos ao ano de 1779, onde encontraremos Mesmer e a sua teoria do magnetismo animal. Dizia ele existir um fluido que interpenetrava tudo e que dava às pessoas, propriedades análogas àquelas do ímã. Posteriormente, em 1787, o Marquês de Puysegur descobre o sonambulismo; Braid, em 1841, o hipnotismo. Charcot o estuda metodicamente, Liebault o aplica à clínica, Freud o utiliza ao criar a Psicanálise.

Na época de Kardec estava muita em voga a questão relacionada ao magnetismo animal, esse tipo de fluido, de eletricidade, que se assemelhava às propriedades do ímã. Segundo esta teoria, todas as manifestações atribuídas aos Espíritos seriam apenas efeitos magnéticos. Os médiuns ficariam num estado de transe sonambúlico. Nessa posição de passividade, as faculdades intelectuais ficariam embotadas e os círculos de percepção intuitiva se ampliariam além dos limites de nossa percepção ordinária. "Dessa maneira, o médium tiraria de si mesmo e por efeito de sua lucidez tudo quanto diz e todas as noções que transmite, mesmo sobre as coisas que lhe sejam mais estranhas no estado normal".

Allan Kardec rebate a tese da lucidez nos seguintes termos: "Se, portanto, essa lucidez é tal como a supondes, por que teriam eles atribuído aos Espíritos aquilo que teriam tirado de si mesmos? Como teriam dado esses ensinamentos tão preciosos, tão lógicos, tão sublimes sobre a natureza das inteligências extra-humanas? De duas, uma: ou eles são lúcidos, ou não são. Se o são, e se podemos confiar na sua veracidade, não se poderia admitir sem contradição que não estejam com a verdade. Em segundo lugar, se todos os fenômenos provêm do médium, deviam ser idênticos para um mesmo indivíduo e não se veria a mesma pessoa falar linguagens diferentes, nem exprimir alternadamente as coisas mais contraditórias".

A teoria de meio ambiente é outra forma de explicar a comunicação dos Espíritos. Segundo esta teoria, o médium é ainda fonte das manifestações, mas em vez de tirá-las de si mesmo, tira-as do meio ambiente. Na realidade, "o médium seria uma espécie de espelho refletindo todas as idéias, todos os pensamentos e todos os conhecimentos das pessoas que o cercam: nada diria que não fosse conhecido de pelo menos de algumas delas". Ele captaria o pensamento do inconsciente coletivo.

Allan Kardec, comentando tal assertiva, diz: "Não se poderia negar, e vai mesmo nisto um princípio da Doutrina, a influência exercida pelos assistentes sobre a natureza das manifestações. Mas essa influência é bem diversa do que se pretende e entre ela e a que faria do médium um eco dos pensamentos alheios, há grande distância, pois milhares de fatos demonstram peremptoriamente o contrário". O Espiritismo, baseando-se em fatos, afirma que a comunicação é feita através da mediunidade, em que um Espírito desencarnado, toma o corpo de um médium e transmite as suas mensagens.

Toda comunicação mediúnica tem uma certa porcentagem de animismo, que é a influência do médium e dos assistentes no teor da mensagem transmitida pelo Espírito comunicante. Aí está a importância deste estudo.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.

São Paulo, 17/03/2004

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