02 julho 2008

Paciência

Contradições, crises e incertezas surgem em nossa existência, abalando as estruturas de nossa defesa. A recomendação evangélica é para que tenhamos paciência, se quisermos possuir nossa alma.

No âmago da crise, da confusão mental, a tentativa de suicídio se nos apresenta com facilidade, em virtude do monoideísmo criado pelos nossos pensamentos negativos. Temos de parar e refletir: 1º) Deus não coloca fardos pesados em ombros frágeis; 2º) não há, no mundo, duas pessoas iguais; 3º) somos postos no devido lugar para a construção de nosso destino; 4º) o sofrimento é inerente à imperfeição.

"Tudo que acontece segundo a natureza é bom", diz o ditado. Resignarmo-nos às circunstâncias adversas não é permanecermos ociosos, mas aceitarmos, de bom grado, a vontade divina e não a nossa. A fé, a esperança e a caridade abrem a nossa mente para a captação dos pensamentos positivos, expulsando, em contrapartida, o desânimo e o pessimismo. Ainda mais: quando Deus fecha uma porta, abre dez.

"Paciência e tempo podem mais que força e raiva", afirma La Fontaine. Saibamos esperar o momento oportuno para uma observação, um pedido, uma repreensão. É possível que os outros nos taxem de tolos, de covardes. Não importa. O que conta é termos a consciência tranquila ante o dever cumprido. Só assim conquistaremos a felicidade que sempre dura.

O exercício constante da paciência propicia-nos a fortaleza de ânimo. A vida compõe-se de mil nadas que acabam por nos ferir. Ofensas, desentendimento e recusa são, dentre muitos, os problemas que temos de enfrentar. Nesse sentido, é bom lembrarmos que nossa evolução não se processa através de facilidades, mas pelas dificuldades que tivermos vencido.

Paciência é a virtude por excelência, pois sem ela facilmente sucumbiríamos ante as pedras do caminho. Saibamos confiar em Deus, aguardando no trabalho, a realização de sua Vontade Eterna.

São Paulo, 31/08/1994.

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