02 julho 2008

Reflexões sobre a paz

Paz – do latim pax paxis significa, genericamente, ausência de conflito. Na paz há uma dimensão interna e uma dimensão externa. Internamente, diz respeito aos aspectos psicológicos, regulamentados pela moral. Externamente, diz respeito à conciliação entre grupos ou países, regulamentados pelo direito internacional. No âmbito da "pesquisa sobre a paz", a paz é definida em função da guerra, por isso o par de termos "paz-guerra" ou "guerra-paz".

A história da humanidade retrata a história da guerra. Do "homem das cavernas" ao "homem informatizado", ocorreram diversas revoluções, guerras e revoltas. Paralelamente aos combates, os cientistas sociais, os filósofos e os religiosos têm procurado explicações para esse fenômeno. Uns falam que sem a guerra não teríamos atingido o estado do progresso econômico da atualidade; outros, os religiosos, que ela acabará somente quando o homem tiver vencido o egoísmo. Eis um dado assombroso: em 35 séculos tivemos apenas 268 anos de trégua. O terrorismo, depois do episódio de 11 de setembro de 2001, é a bola da vez.

As "pesquisas sobre a paz", que tiveram sua origem nos anos que antecederam a 2.ª grande guerra mundial, têm a incumbência de aplicar os métodos de pesquisa das ciências sociais aos fenômenos da guerra. Nesse mister, Keneth E. Boulding, em seu livro Paz Estável, explica-nos o binômino "guerra-paz", comparando-o com o par "conflito-não-conflito". Ele parte da ideia de que as atividades humanas causam dois tipos de reação: conflito e não-conflito. O não-conflito gera sempre paz; o conflito pode se transformar em guerra ou em paz, dependendo dos interesses e tabus envolvidos na questão.

O Papa João XXIII, na sua Encíclica Pacem in Terris, estabeleceu um conceito positivo de paz. Para ele, a paz é um bem inestimável da sociedade, um ideal a ser atingido, uma vocação superior, uma espécie de renovação do ser humano. Entretanto, para que isso aconteça, o homem deverá domar o egoísmo e inserir-se vivência plena do amor, da justiça e da caridade. Assim, para que haja a verdadeira paz, os mais ricos devem ajudar os mais pobres, os mais inteligentes ensinar os menos inteligentes, os mais fortes ampararem os menos fortes.

O Espírito Emmanuel, ardoroso colaborador da evolução espiritual do planeta Terra, dá-nos algumas orientações evangélicas: diz-nos que podemos ser hostilizados pelos outros, mas nem por isso precisamos de seguir o nosso roteiro guerreando-os; sugere-nos uma retirada à parte, para meditar sobre o alcance do Evangelho em nossas vidas; lembra-nos dos esforços constantes de mudança comportamental. Para ele, importa que diariamente nos apresentemos ao Senhor, livres de qualquer sentimento de ódio e de vingança para com o nosso próximo.

A paz é a aspiração máxima da humanidade. Disponhamo-nos a sacrificar a nossa comodidade, e ajudemos a implantar o reino de Deus nos corações que nos cercam. "A quem muito foi dado, muito será exigido e mais lhe será acrescentado". Não percamos de vista esta verdade fundamental.

Mais texto sobre a paz

A palavra paz – do latim pax, pacis, pelo hebraico shalom – assume diversos sentidos. Genericamente é a ausência de conflitos, estabelecimento da ordem entre a parte e o todo, chegando a confundir-se com o conceito de felicidade. Há uma dimensão interna, regulada pela moral (paz do coração) e uma dimensão externa, regulada pelo direito internacional (paz social). Para o Cristianismo, e também para o Espiritismo, a paz é o esforço despendido para desenvolver a inteligência e alcançar as culminâncias da bondade, da justiça, do amor e da fraternidade.

O ser humano nasce com vocação para a paz, mas o que mais vemos são as guerras. Há razões políticas, econômicas, religiosas e culturais tentando explicar o que leva um povo a lutar contra outro ou ainda entre si, porém, em 35 séculos, o mundo só teve 268 anos sem batalhas, combates, morte e destruição. Do "homem das cavernas" ao "homem informatizado", a Humanidade viu surgir e desaparecer civilizações e impérios. Ao longo dos séculos, uma das poucas características presentes em todos os momentos foi a disposição dos povos para a guerra.

As encíclicas papais, intituladas Pacem in Terris e Gaudium et Spes, contêm diversos argumentos explicativos da propensão do homem para a paz. Esclarecem-nos que a paz não se confunde com pacifismo, nem com a ausência de guerra e nem tampouco com equilíbrio das forças antagônicas. Persuadem-nos de que Jesus Cristo, o Messias, é o ponto central para a obtenção dessa paz. Lembram-nos de que Ele mesmo o Príncipe da Paz dá-nos a sua paz, não como dá o mundo, mas como dom e fruto do seu Espírito para a reconciliação. Além disso, orientam-nos a seguir os exemplos de Cristo, perdoando não só os amigos como também os inimigos.

O Espírito Emmanuel dá-nos também algumas contribuições para a obtenção da paz. Diz ele que muitas vezes pedimos a fortuna material. Ao nos vermos locupletados de ouro, torturamo-nos em mil problemas por não sabermos distribuir, ajudar, administrar e gastar com simplicidade. Outras vezes, solicitamos o casamento. Quando o Céu nos felicita com um cônjuge, não sabemos ser irmãos e nos exasperamos continuamente. Reclamamos de títulos públicos. Ao sermos aureolados com a popularidade, não temos paciência para tratar educadamente todos os que nos procuram. Isso acontece porque não sabemos ainda equilibrar os nossos desejos com os propósitos do Senhor.

Lembremo-nos de que o mundo é violento porque nós o somos. Ele é o reflexo do que cada um sente e pensa. Um dos exercícios mais saudáveis para o conteúdo da paz seria o de cada um transformar-se a si mesmo. Assim, quem roubava, espoliava, injuriava o seu próximo, não o faça mais. Somente quando cada um de nós deixar de ser violento, o mundo também o deixará. Essa transformação deve ser feita de dentro para fora e não simplesmente de lábios. O importante é pôr mãos à obra.

A paz deve ser um conquista interior. Não percamos a oportunidade de estar sempre colocando em prática os ensinamentos trazidos por Jesus. Somente assim construiremos um mundo em que a paz e a harmonia irão governar todas as nossas ações.

São Paulo, 22/3/2006.

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