03 julho 2008

Sócrates e Platão - Precursores do Espiritismo

Espiritismo – Doutrina codificada por Allan Kardec na segunda metade do século XIX - pressupõe a existência de Espíritos e suas manifestações. Reencarnação, pluralidade dos mundos habitados e comunicabilidade com os mortos são, entre outros, seus princípios fundamentais. A terminologia é recente, contudo a ideia espírita é obra de toda a humanidade. Vem formando-se lentamente através dos tempos.

Sócrates (470-399 a. C.) e Platão (427-347 a. C.), filósofos gregos da Antiguidade, são considerados os precursores do Espiritismo e do Cristianismo. Sócrates, à semelhança de Jesus, não deixou nada escrito. Tornou-se conhecido pelo seu discípulo Platão. Há dificuldade em separar o Sócrates verdadeiro do Sócrates de Platão. Platão apresentou todas as suas idéias sob a forma de diálogos, pela boca de Sócrates, de sorte que, até hoje, não sabemos exatamente onde acaba o pensamento de Sócrates e onde começa o de Platão.

A teoria das idéias é a trave mestra da filosofia de Platão. Trata da unicidade de Deus, da imortalidade da alma e da vida futura. Diz-nos que a alma, antes de reencarnar, pertence ao mundo das essências e, a ele voltará, após a morte do corpo físico. As almas impuras poderão transmigrar para um novo corpo, enquanto as puras permanecem nas essências. Outra coisa não exprime o Espiritismo; acrescenta, apenas, que numa nova encarnação traremos conosco os defeitos e virtudes gravados em nosso subconsciente.

Purificação da alma é a tese central desenvolvida por Platão nos seus famosos diálogos. A dialética era tratada criticamente através de um conjunto, isto é, da ascese (elevação), da catarse (purificação) guiadas pelo eros (amor). Para ele, os indivíduos devem praticar a justiça, base de todas as virtudes, que conduzem à felicidade. As leis morais expressas por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos ratificam e complementam esses raciocínios.

Vinte e cinco séculos depois, os ensinamentos de Sócrates e Platão ainda requerem sua atualização em cada um de nós. O "conhece-te a ti próprio" é um exemplo. Quantas pessoas se preocupam em conhecer a sua essência, ou seja: o que é? De onde veio? Para onde vai? Temos muito que aprender na vida: retidão como indivíduo; equidade como Estado.

O Espiritismo surgiu no momento aprazado. Não deve ser entendido como monopolizador dos conhecimentos, porém aquele que facilita a captação das verdades eternas.

Fonte de Consulta

BRUN, J. Sócrates. Lisboa, Dom Quixote, 1960. (Coleção Mestres do Passado, n.º 9).
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.
SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo, Matese, 1965.

São Paulo, 22/07/1994

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