01 julho 2008

Dogma da Reencarnação

Se o Espiritismo não tem dogmas, por quê o dogma da reencarnação?

Para que possamos responder a esta pergunta, precisamos entender os vários sentidos que a palavra dogma assume.

1) Dogma – vem do grego dokein e significa opinião certa, decreto, axioma.

2) Pejorativamente, chamam-se dogmas todas e quaisquer afirmações que apenas expressam opinião, sem os necessários fundamentos, mas que são proclamados como verdades indiscutíveis.

3) Em religião, é ponto fundamental e indiscutível de uma doutrina religiosa. No Cristianismo, chamam-se dogmas as verdades reveladas, propostas pela suprema autoridade da Igreja como artigos de fé, que devem ser aceitos por todos os seus membros. Observe o dogma da Santíssima Trindade, em que há três pessoas em Deus: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. São distintas, iguais, e por conseqüência coeternas, isto é, igualmente eternas e consubstanciais numa só e indivisível natureza.

4) Primitivamente, deu-se o nome de dogmatismo a toda a doutrina que afirmava quaisquer concepções opondo-se assim ao ceticismo. Nessa concepção, pois, dogmatismo é toda a atitude do espírito que pressupõe ser possível o conhecimento da verdade.

5) Em filosofia, é empregado como uma opinião explicitamente formulada como verdadeira. Nesse sentido, toda a filosofia inclui um dogmatismo latente, que é o de toda a convicção firme.

O dogma da reencarnação se encaixa nesta última acepção, ou seja, numa opinião que tem caráter de verdade.

O dogma da reencarnação é algo que não podemos rejeitar. E se a reencarnação não existisse, nós a teríamos que inventar. Por quê? Porque somente ela é capaz de nos fornecer uma luz aos diversos fenômenos, considerados inexplicáveis. Pergunta-se: de onde vêm a inteligência e a arte das crianças prodígios? Por que há seres sãos convivendo com seres doentes? Por que uns nascem na pobreza e outros na riqueza? Por que uns são inteligentes e outros ignorantes? A teoria da unicidade da existência deixa-nos sem respostas convincentes. A tese da pluralidade das existências, não. Nela encontraremos razões que nos fazem compreender cada ser humano, na sua luta, na sua fraqueza e na sua tarefa que veio desempenhar neste mundo de provas e expiações. Na criança prodígio, há um Espírito velho que absorveu muitos conhecimentos em vidas passadas; nas pessoas ignorantes, podemos dizer que estariam nas suas primeiras encarnações, enquanto os sábios já tiveram várias existências e puderam adquirir toda a gama de informações. Em relação à riqueza, vemos que ela é uma prova, e que todos nós deveremos passar por ela. Se hoje somos pobres, é bem possível que já fomos ricos no passado.

São Paulo, 18/02/2007

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