03 julho 2008

O Papel da Religião

O papel da religião é fornecer subsídios para que o ser humano compreenda melhor a sua relação com Deus, com o próximo e consigo mesmo. Ao indagar de onde veio, o que está fazendo neste mundo e para onde irá depois da morte, quer uma resposta que vá além da Ciência positiva. Esta resposta somente a Religião e a Filosofia podem dá-la. O perquirir constante com relação aos seus conteúdos existenciais vai ampliando a sua imanência nas leis naturais, escritas por Deus em nossa consciência.

Religião é palavra de origem latina (religio, religione). O significado não é claro. Cícero (106-43 a. C.), no De Natura Deorum, faz esta palavra derivar de relegere ("considerar cuidadosamente"), oposto de neglere, descuidar. Lactâncio, escritor cristão (m. 330 d.C.), deriva da raiz religare ("ligar", "prender"). Para Cícero, a religião é um procedimento consciencioso , mesmo penoso, em relação aos deuses reconhecidos pelo Estado. Para Lactâncio, a religião liga os homens a Deus pela piedade. Há um termo de partida e um de chegada, em que princípio e fim são os mesmos. As duas raízes complementam-se.

O conceito de religião engloba várias concepções redutivas. A Concepção mítico-mágica, em que a religião é uma ilusão ou uma superstição. Ao entrar em conflito com a razão, torna-se dogmática para poder subsistir. A Concepção gnóstica, em que a Filosofia, filha rebelde da teologia, transforma-se numa religião, ao buscar a salvação através do conhecimento (gnose). A Concepção antropológica, em que Auguste Comte, criador da religião da humanidade, limita o conceito de transcendência às coordenadas intramundanas. A Concepção irracionalista, em que a religião é um campo autônomo: não é do conhecer, nem o do fazer, nem o do esperar — é contemplação extática do infinito.

A religião fundamenta-se na revelação. Os fundadores das religiões tinham revelações e visões nas quais o próprio Deus os chamava a atuar. Deus revelou-se a Moisés numa sarça que ardia. Quando Paulo foi chamado por Jesus, no caminho de Damasco, cegou-o um resplendor celestial. Maomé encontrou-se com o arcanjo Gabriel, que o reteve sem soltar, até que ele lhe prometeu seguir o seu mandato de reconhecer a vontade de Alá. Todas dignas de acatamento pelo sopro de inspiração superior que as faz surgir. Muitas delas, porém, desviadas do bom caminho pela ambição dos seus expositores.

A promessa do paraíso, após esta vida, é o ponto básico da salvação da alma. Acontece que premidos pelos interesses pessoais, os expositores acabam materializando o Céu, o Inferno, o Purgatório, e através do medo, fazem com que os seus seguidores obedeçam-nos sem a utilização do senso crítico. Mas, se questionarmos a fé dogmática e a facilidade da salvação, vamos vislumbrando um mundo espiritual gerido pelo sentimento religioso e não pela religião propriamente dita.

O enaltecimento do sentimento religioso, natural em cada ser humano, exige esforços constantes para não sermos ludibriados pelos falsos profetas. Somente assim poderemos taxar-nos de religiosos e não simplesmente pertencentes a uma religião organizada.

Fonte de Consulta

Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Lisboa, Verbo, s. d. p.
Enciclopédia Combi Visual. Barcelona (Espanha), Ediciones Danae, 1974.

São Paulo, 06/09/1998

Apresentação em PowerPoint


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