03 julho 2008

Revelação

Revelação – De modo geral, é a manifestação de uma verdade oculta ou desconhecida ou pelo menos obscura. Na teologia, é o ato pelo qual Deus manifesta aos homens o Seu desígnio de salvação e Se lhes dá a conhecer.

A revelação pode ser humana e divina. É divina quando feita por Deus; humana quando o é pelo homem. A revelação divina pode ser natural ou sobrenatural. A revelação natural está inscrita na própria ordem da criação, em que Deus dota o homem de faculdades para elevar-se do domínio das coisas visíveis ao das invisíveis. No entanto, como faz parte da natureza, não é esta a revelação em sentido próprio. A revelação divina, propriamente dita, é de ordem sobrenatural. Consiste na manifestação de uma verdade, feita por Deus, fora da ordem da natureza.

A revelação está encarnada no Velho e no Novo Testamento. No Velho Testamento, não há um termo específico para designar a revelação. Há, sim, intermediários da revelação, que são: Moisés, os profetas, os salmistas e os sábios. No Novo Testamento, os termos para indicar a revelação são: keryssein ("anunciar", "pregar"), evangelizesthai ("evangelizar"), didaskein ("ensinar"), apokalyptein ("revelar") e matheteúein ("fazer discípulos", "instruir"). No Novo Testamento, Cristo é o único Mediador propriamente dito da revelação. Os apóstolos são meros divulgadores, evangelizadores, mas não reveladores.

Teologicamente, as revelações são arbitradas nos concílios. Observe que no Concílio de Trento, a revelação é o anúncio do Evangelho prometido aos profetas, pregado pelos apóstolos, e transmitido à Igreja para que ela o conserve em toda a sua pureza. O Concílio Vaticano II, por sua vez, consagrou à revelação o cap. I da Constituição dogmática Dei Verbum: a) a revelação é um diálogo interpessoal entre Deus e os homens; b) a revelação é progressiva; c) a revelação é constituída por acontecimentos e palavras; d) Cristo é o vértice da revelação.

A Bíblia não é a fonte única de revelação. A Igreja é o órgão autêntico instituído por Deus e encarregado de propagar o depósito da revelação. As verdades transmitidas pela igreja constituem a tradição. Todavia, é certo que a revelação pública se encerrou com a pregação dos apóstolos. A partir daí, permaneceu substancialmente a mesma e não se transformou. As verdades reveladas só podem desenvolver-se no decurso do tempo sob a ação do Espírito Santo, passando do estado implícito ao estado explícito.

O domínio de uma teoria não elimina a possibilidade de Deus querer revelar-se a outros credos religiosos. Por isso, acreditamos, a Igreja deve revisar o monopólio de uma revelação particular.

Fonte de Consulta

Verbo — Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura
Grande Enciclopédia Brasileira e Portuguesa

São Paulo, 26.08.98.

REVELAÇÃO NA BÍBLIA

Revelação – Revelar, do latim revelare, cuja raiz, velum, véu, significa literalmente sair de sob o véu — e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. A revelação pode ser humana e divina. É humana quando o próprio homem busca os conhecimentos superiores. É divina quando Deus se revela ao homem. Em sentido estrito das revelações religiosas, elas sempre procedem de Deus, porque longe está o homem de penetrar os mistérios da divindade: ainda lhe falta uma faculdade.

As revelações orientais, alicerçadas nos sonhos e nas adivinhações, não chegam a constituir revelações propriamente ditas. O Budismo, por exemplo, não recorre de modo algum à revelação: tem como ponto de partida a iluminação inteiramente humana de um sábio. Outras apresentam o seu conteúdo como uma revelação celeste, mas atribuindo sua transmissão a um fundador legendário ou mítico, como Hermes Trimegisto no caso da gnose hermética. Na Bíblia, ao contrário, a revelação é um fato histórico, em que os seus intermediários são conhecidos: Moisés e Jesus Cristo.

Deus, no Velho Testamento, revela-se aos profetas, através de sonhos e visões. A palavra de Deus estabelece uma aliança, aliança que conota uma mudança comportamental do povo de Israel. Dentre os profetas, Moisés foi o escolhido para receber a tábua dos Dez Mandamentos, leis divinas que varam os anos da história e continuam ainda vivas, para auxiliar o ser humano na busca da perfeição. Moisés, contudo, devido à dureza dos corações de seu povo, fez do Deus de bondade um Deus que pune e castiga sem piedade.

A revelação do Novo Testamento consubstancia-se exclusivamente em Jesus Cristo. Jesus é o Mediador, o arauto, o comunicador; Ele nos fala das bem-aventuranças, do Reino dos céus e da vida futura. A sua pedagogia era alicerçada nas parábolas, estórias que contava sobre a vida comum, com o intuito de sugerir, além desse sentido imediato, uma lição moral. Os termos usados para indicar a revelação de Jesus são: keryssein ("anunciar", "pregar"), evangelizesthai ("evangelizar"), didaskein ("ensinar"), apokalyptein ("revelar") e matheteúein ("fazer discípulos", "instruir").

Entre os Apóstolos, a revelação se deu em menor grau. Eles não foram caracterizados como reveladores, mas propagadores da Doutrina cristã, pois havia necessidade de se expandir os ensinamentos cristãos para os quatro cantos do mundo. Dentre os seguidores de Cristo, Paulo de Tarso exerceu papel relevante, principalmente depois de sua queda em Damasco: de perseguidor ferrenho dos cristãos transformou-se no maior divulgador do cristianismo. O Apocalipse de João, recebido na Ilha de Patmos, também merece destaque: lá estão os avisos sobre o arrebatamento em Cristo no final dos tempos.

Moisés começou a revelação; Cristo e os Apóstolos deram-lhe continuidade. Presentemente, o trabalho passa a ser nosso. Esforcemo-nos, pois, para que a divulgação da revelação divina possa atingir eficazmente o maior número de mentes e corações.

Fonte de Consulta

GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]

São Paulo, 17/11/2004.

REVELAÇÃO - COMPLEMENTO

A) ALGUMAS DAS DIVERSAS REVELAÇÕES, ALÉM DAQUELAS ATRIBUÍDAS A MOISÉS E JESUS.

Taoísmo
é uma religião e filosofia chinesas, atribuídas tradicionalmente a Lao-Tsé, que resumiu o seu pensamento no Tao te Ching.

Krishna
, por volta de 3.000 a.C., foi um mensageiro de Deus que viveu na Índia antiga. Os seus ensinamentos estão no Seu Livro Sagrado, o Gita.

Zoroastro
foi um mensageiro de Deus, que nasceu na Pérsia (hoje chamada Irã) há mais ou menos 1.000 a.C. Fundou o Zoroastrismo.

Buda
nasceu numa família real do reino de Himalaia, mais ou menos 600 a.C. Foi sob uma árvore, Bodi, na Índia, após muita meditação, que Buda recebeu a iluminação. Daquele dia em diante iniciou Sua grande missão de salvar a humanidade do sofrimento.

Maomé
nasceu em 570 d.C., na cidade de Meca, Arábia Saudita. Segundo a religião islâmica, Maomé é o mais recente e último Profeta do Deus de Abraão. Aos 40 anos de idade foi-lhe confiada por Deus (através do anjo Gabriel) o Alcorão, livro sagrado do Islamismo.
Em 1930, Taniguchi funda o Seicho-no-iê (Lar do progredir infinito).

B) VELHO E NOVO TESTAMENTO

Deus se revelou primeiramente em toda a história do povo de Israel por meio de acontecimentos-símbolos, cuja significação deveria ser dada pelos profetas, por meio de visões, sonhos, palavras divinamente inspiradas, cujo sentido é desvendado pelos profetas e hagiógrafos, por meio da reflexão inspirada pelos sábios.
No Velho Testamento, não há um termo específico para designar a revelação. Há, sim, intermediários da revelação, que são: Moisés, os profetas, os salmistas e os sábios.


Nos Sinópticos Jesus dá aos judeus o sentido do Reino de Deus e indica a condição para fazer parte do Reino (Parábolas, Bem-Aventuranças). Conforme São João, Jesus revela aos Judeus de Cafarnaum a natureza da fé. Ela consiste em crer n’Ele porque é o Enviado do Pai. Em Jerusalém, Jesus revela pouco a pouco a natureza da Sua pessoa: Ele é a Luz, o Juiz, a Verdade; é Um só com o Pai.
No Novo Testamento, os termos para indicar a revelação são: keryssein ("anunciar", "pregar"), evangelizesthai ("evangelizar"), didaskein ("ensinar"), apokalyptein ("revelar") e matheteúein ("fazer discípulos", "instruir"). O revelador do Novo Testamento é Cristo que prega e ensina. Pregar (keryssein) significa o anúncio da aproximação do Reino Messiânico e a presença do Messias. Ensinar (didaskein) tem um caráter doutrinal e conota a instauração do Reino Messiânico, inaugurado com a vinda do Cristo. No Novo Testamento, Cristo é o único Mediador propriamente dito da revelação. Os apóstolos e evangelistas têm o encargo de transmitir ou desenvolver, à luz do Espírito Santo, a revelação dada por Cristo.
ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]

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