02 julho 2008

O Espiritismo é o Consolador Prometido?

O texto evangélico diz: "Se vós me amais, guardai meus mandamentos; e eu pedirei a meu Pai, e ele vos enviará um outro Consolador, a fim de que permaneça eternamente convosco: o Espírito de Verdade que o mundo não pode receber, porque não o vê e não o reconhece. Mas quanto a vós, vós o conhecereis porque permanecerá convosco e estará em vós. Mas o Consolador, que é o Santo-Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará relembrar de tudo aquilo que eu vos tenha dito". (São João, cap. XIV, v. 15 a 17 e 26)

Em que sentido podemos afirmar que o Espiritismo se encaixa nessa rubrica? Em outras palavras, só Espiritismo é o consolador prometido? O Consolador não poderia estar entre os judeus, os muçulmanos ou mesmo entre os ateus?

Alguns argumentos a favor da tese espírita:

1) Se, pois, o Espírito de verdade deve vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não disse tudo; se ele vem fazer recordar aquilo que o Cristo disse, é porque isso foi esquecido ou mal compreendido.

2) Se, na época de Jesus, os homens não entendiam o que Jesus dizia, não seria uns anos mais tarde que isso se realizaria. Dever-se-ia esperar algum tempo mais.

3) As religiões que se apoiam exclusivamente nos textos evangélicos não podem ser consideradas como sendo o "Consolador Prometido", pois este prescreve que, além da lembrança do que havia dito, algo novo teria que ser acrescentado.

4) Para o entendimento de certas partes do Evangelho, haveria a necessidade do desenvolvimento das ciências. Sob esse mister, o Espiritismo surgiu quando as ciências já haviam desenvolvido o método teórico-experimental.

5) Quem é o enviado? Não pode ser Jesus, porque ele dissera que enviaria um outro consolador. A proposição a fim de que fique eternamente convosco e ele estará em vós indica que não seria uma individualidade encarnada, visto que não poderia ficar eternamente convosco. Tudo indica que seria mais bem entendido como uma doutrina, cujo inspirador há de ser o Espírito de Verdade.

6) O Espiritismo, sendo o cristianismo redivivo, teve a incumbência de relembrar o que o Cristo disse. O Evangelho Segundo o Espiritismo tem como base as citações bíblicas, comentadas sob a orientação dos Espíritos superiores, como Santo Agostinho, São Luis, Lázaro, François e outros.

7) A doutrina de Moisés, incompleta, ficou circunscrita ao povo judeu; a de Jesus, mais completa, se espalhou por toda a Terra, mediante o Cristianismo, mas não converteu a todos; o Espiritismo, ainda mais completo, com raízes em todas as crenças, converterá a Humanidade.

8) Ao dizer que outro Consolador virá mais tarde, proclama o princípio da reencarnação.

9) Ao mesmo tempo em que relembra o Cristianismo primitivo, combate os erros humanos (com relação à religião) ao longo desse tempo: dogmas, rituais, interesses financeiros e políticos.

10) O Espiritismo vem explicar a lei de causa e efeito, dita apenas de leve por Jesus, porque naquela época não tínhamos condições de a compreender.

Fonte de Consulta

A Gênese, de Allan Kardec, capítulo 17, itens 35 a 46.

São Paulo, 6/4/2005.

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