02 julho 2008

Extensão e Compreensão: Aplicação no Espiritismo

A lógica, ciência do bem pensar, fornece-nos o significado de extensão e de compreensão. A extensão de um conceito refere-se à quantidade, à amplitude, ao geral; a compreensão, à qualidade, à diferença específica, ao particular. Quando não elaboramos o nosso raciocínio dentro desse par de ideias, que é o perfeito relacionamento entre a parte e o todo, podemos cometer os diversos sofismas. Quer dizer, elaboramos raciocínios com aparência de verdadeiros, mas que no fundo são falsos.

Há muitas pessoas, no meio espírita, que dão supremacia aos fenômenos mediúnicos. Se não fizerem isso dentro da visão geral do Espiritismo, cometerão um erro crasso, que é confundir a mediunidade com a Doutrina Espírita. O Espiritismo é extensão e a mediunidade é a compreensão, ou seja, qualquer atividade mediúnica deve ser subalterna ao Espiritismo e não superior a este. As práticas mediúnicas são classificadas como atividades secundárias, consequentes do entendimento doutrinário. Primeiro a formação doutrinária, depois as questões do fenômeno e do treinamento mediúnico.

O viés da generalização. A leitura de um romance, quando não for feita com a devida ponderação, pode levar-nos a cometer este erro, pois imaginamos que aquele caso particular possa ser aplicado ao conjunto de casos semelhantes. A princípio, pode parecer-nos que o nosso pensamento está correto; contudo, quando submetido ao crivo da razão, verificamos os erros de julgamento. Lemos, por exemplo, que uma pessoa cometeu o mal e, por isso, verte lágrimas do começo ao fim da história. Pergunta-se: será que essa punição pode ser aplicada em todas as situações parecidas? E a prática da virtude? Será que não abranda o teor dos sofrimentos?

Condicionar o desenvolvimento mediúnico ao recebimento de Espíritos é um outro sofisma fácil de ser visto. Desenvolver a mediunidade é estar cada vez mais apto a intermediar tanto os Espíritos superiores quanto os inferiores, aprendendo a distinguir um do outro. Receber Espíritos é uma atividade secundária no processo, isto é, deve entrar como consequência ao ato de estudar o Espiritismo. Importa muito mais absorver o conteúdo intrínseco dos seus princípios fundamentais: reencarnação, vida após a morte etc. Não resta dúvida que a apreensão destes princípios é a mola mestra para que possamos raciocinar corretamente.

O sofisma de ênfase, ou seja, ao expandirmos a doutrina, fazemo-lo através de um único ângulo. Alguns preferem expandi-la somente pelo Evangelho; outros optam pelo lado científico; outros ainda apoiam-se estritamente na filosofia. Se não prestarmos a devida atenção, vamos nos condicionando a esse ou aquele setor, separando o todo orgânico. O esforço de olhar a doutrina nos seus três aspectos, conjuntamente, é um esforço que gera as suas recompensas de entendimento global, facilitando a compreensão tanto do efeito como da causa.

Convém, para o nosso próprio bem, fazer esse exercício de extensão e de compreensão. Somente assim vamos adquirindo a verdadeira compreensão de cada parte constituinte de nossa doutrina redentora.

São Paulo, 08/04/1998.

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